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Estudos Bíblicos

A Transmissão das Escrituras: Tradução, Transliteração e Interpretação

Eu e dois amigos estávamos no aeroporto de São Paulo. Um dos amigos fala espanhol, um pouco de português e um pouco de inglês. O outro, como eu, fala português, inglês e um pouco de espanhol. Encontramos dois homens perdidos, mas eram turcos. Não falavam português nem espanhol, e apenas algumas palavras de inglês. A comunicação foi extremamente difícil, deixando todos nós frustrados na tentativa de oferecer alguma ajuda.

Uma característica normal na comunicação verbal é a necessidade de transmitir mensagens de forma compreensível. Quando se trata de textos escritos em outros idiomas, pensamos principalmente na tradução, um processo de passar o significado de palavras e frases de um idioma para outro. Em alguns casos, utilizamos a transliteração, onde uma palavra é preservada em outra língua, letra por letra. Essa prática é comum quando se trata de nomes e termos técnicos. Neste momento, estou usando o mouse do meu notebook. Alguns leitores deste artigo vão visualizar o conteúdo no seu smartphone enquanto tomam milk-shake no shopping.

Os livros da Bíblia foram escritos em hebraico e grego (com pequenos trechos em outros idiomas). Para compreender suas mensagens em nosso idioma, é necessária a tradução das línguas antigas. Estudiosos das línguas antigas usadas para escrever as Escrituras comunicam o sentido nas suas traduções. Algumas dessas versões são mais literais, e outras, mas dinâmicas, mas o objetivo principal de qualquer bom tradutor é transmitir a mensagem original para pessoas que não compreendem os idiomas de origem.

A prática de tradução dos textos sagrados tem suas raízes nos tempos bíblicos. O exemplo mais notável é uma tradução chamada de Septuaginta (normalmente representada pelo número 70 usando números romanos, LXX), uma obra importante realizada depois de ter sido terminado o Antigo Testamento e antes da vinda de Jesus. O texto das Escrituras dos judeus (nosso Antigo Testamento) foi traduzido do hebraico ao grego. Várias das citações do Antigo Testamento no Novo Testamento, inclusive trechos que falam o nome de Deus (Mateus 4:10; Atos 3:22; Tiago 5:11 e dezenas de outros), vêm dessa tradução. Esse fato responde às dúvidas sobre o uso de traduções. Se os próprios apóstolos usaram uma tradução para ensinar a palavra de Deus, nós certamente podemos fazer o mesmo!

A transliteração também foi usada em alguns casos, tanto nas traduções antigas como nas modernas. Por exemplo, a palavra “Amém” (que normalmente significa “que seja assim”) passou do hebraico para outros idiomas, inclusive o grego e o português. Outras palavras comuns, como batismo, igreja e sinagoga chegaram ao nosso idioma pelo processo de transliteração.

É impossível separar completamente as técnicas de tradução e interpretação. Em qualquer idioma, encontramos expressões que perderiam seu significado se fossem transmitidas letra por letra ou palavra por palavra. Nesses casos, tradutores escolhem entre a tradução literal e a interpretação da ideia. As versões mais dinâmicas exercem mais liberdade na interpretação do que as mais literais. O resultado é uma leitura mais fácil e natural, mas quem interpreta corre o risco de inserir ideias doutrinárias que não se encontram no original.

Mesmo quando optamos por traduções mais literais, ainda recorremos às explicações dadas por outras pessoas que têm estudado o significado de palavras e expressões que não conhecemos. Essas interpretações podem ser transmitidas em palestras, comentários ou artigos como este. No Antigo Testamento, sacerdotes e outros levitas foram especialmente encarregados com a responsabilidade de explicar o sentido da Palavra (Levítico 10:8-11; Esdras 7:10; Neemias 8:5-8). No Novo Testamento, evangelistas como Filipe ajudaram no mesmo trabalho de explicar as leituras (Atos 8:30-35). Pessoas fiéis que desejam realmente comunicar a mensagem das Escrituras mostrarão muito cuidado nesse serviço de dar explicações.

No nosso estudo, é importante entender que existem muitos desafios na transmissão do sentido dos textos originais. Por isso, o estudo das Escrituras inclui a comparação de mais de uma versão e a pesquisa para entender os motivos dos tradutores se encontrar diferenças significativas. A própria Bíblia ajuda-nos a compreender como abordar essas pesquisas e evitar tendências que prejudicam nosso estudo.

-por Dennis Allan


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