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Salmo 36: A Voz da Transgressão

O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus para refletir seu caráter, mas se corrompeu pela escolha egoísta de pecar contra seu Criador. Em consequência do pecado, o homem se distanciou do Senhor. Salmo 36, escrito por Davi e encaminhado ao mestre de canto, frisa o contraste entre a fidelidade e benignidade de Deus e a iniquidade e insolência do homem pecador.

No cabeçalho deste Salmo, como também no Salmo 18, Davi é identificado como servo do Senhor. Ao invés de se exaltar como ilustríssimo rei da nação de Israel, ele adota uma simples expressão de humilde submissão a Deus. Paulo adotou a mesma linguagem no início de algumas das suas epístolas, e João se identificou como servo do Senhor na introdução ao livro de Apocalipse. Talvez os casos mais interessantes do emprego dessa linguagem se encontram no início das epístolas de Tiago e Judas. É provável que essas epístolas fossem escritas pelos irmãos de Jesus (comparar Mateus 13:55), mas optaram pela humilde identificação de servos (escravos) de Jesus.

Esse Salmo pode ser dividido em três partes principais:

(1) A descrição da depravação do homem pecador (versos 1 a 4). A condição desse homem é apresentada como consequência da sua escolha de dar ouvidos à “voz da transgressão” que o persuade que pode pecar com impunidade. Essa voz sedutora fala as palavras suaves que agradam ao homem que prioriza prazer e autorrealização, tirando a sua atenção da mensagem do Senhor que exige sacrifício, temor e obediência.

(2) O louvor das qualidades de Deus, com destaque especial na sua benignidade (versos 5 a 9). As características que definem o Senhor são imensuráveis, como Davi mostra com as expressões de tamanho ou distância. A benignidade se estende até aos céus e a fidelidade até às nuvens (verso 5). A justiça tem a altura das montanhas, e os juízos, a profundidade de um abismo (verso 6). Mas Davi não apresenta essas qualidades divinas apenas como noções abstratas e fora do alcance do homem. Ele percebe que Deus interage com suas criaturas, dando proteção para homens e animais (versos 6 e 7). É pela bondade de Deus que eles comem, bebem e vivem (versos 8 e 9).

(3) O apelo à justiça de Deus (versos 10 a 12). A transgressão do homem é, obviamente, incompatível com a justiça e benignidade de Deus. O Senhor, necessariamente, faz distinção entre os ímpios e seus servos, e Davi demonstra sua vontade de ser identificado como um dos servos de Deus que recebe a proteção dos seus inimigos. Para fazer a separação entre essas duas categorias de homens, Davi inverte as descrições do primeiro verso do Salmo, onde falou do coração pecaminoso do homem que evita olhar para Deus. No verso 10, ele descreve aqueles que conhecem o Senhor e têm corações retos. Davi alinha-se com Deus e pede sua proteção dos insolentes e ímpios (verso 11). No final do Salmo, ele visualiza a derrota definitiva desses inimigos (verso 12).

Esse Salmo comunica uma mensagem prática e importante. O pecado procura nos seduzir, prometendo a liberdade de satisfazer os nossos próprios desejos sem consequências. No Novo Testamento, o apóstolo Pedro avisou sobre o mesmo perigo, até de cristãos serem seduzidos a voltar ao pecado. Ele explica a tática enganosa das pessoas que procuram leva-los à perdição: “porquanto, proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais, por suas libertinagens, aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro, prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor” (2 Pedro 2:18-19). Pedro acrescenta um comentário sobre o risco de abandonar o caminho de Cristo e perder tudo: “Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal” (2 Pedro 2:22).

Ouvimos vozes tentando nos chamar. Seremos seduzidos pela voz da transgressão, ou guiados pela palavra de Deus?

-por Dennis Allan


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