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Cultura X Religião: Um Aperto de Mãos Problemático

Autoridades suíças estão lutando com uma questão que parece para muitos ser insignificante ou até ridícula. Dois adolescentes muçulmanos recusam observar um costume suíço de apertar as mãos das suas professoras. Eles dizem que sua religião proíbe contato físico com pessoas do sexo oposto fora da própria família. O colégio em Therwil adaptou sua política para respeitar essa convicção religiosa, mas as autoridades superiores do departamento de educação local (órgão equivalente a uma delegacia de ensino no Brasil) reverteram a decisão e ameaçaram aplicar uma multa que seria equivalente a mais de R$17.000. A decisão foi justificada porque “o interesse público com respeito à igualdade entre homens e mulheres e a integração de estrangeiros pesa significantemente mais do que a liberdade de religião” (fonte: Jornal USA Today, 16/05/2016).

Não sou defensor das crenças e práticas dos seguidores do Alcorão, e não alego conhecimento de todas as questões legais envolvidas no caso citado. O mesmo jornal sugeriu a possibilidade de motivos políticos e possíveis ilegalidades na imigração da família destacada. As autoridades do país terão de resolver suas políticas, sejam boas ou más.

O que chamou minha atenção foi a justificativa da decisão, citada acima. O interesse público em defender um costume cultural e políticas governamentais supera a liberdade de religião. Ulrico Zwinglio, João Calvino e Guillaume Farel, os mais conhecidos reformadores religiosos na Suíça (do século 16), devem estar se revirando em seus túmulos!

Quero deixar alguns fatos claros. O costume em questão não ofende a minha fé. Embora eu reconheça diferenças de papeis definidas por Deus para homens e mulheres desde a Criação, também entendo a igualdade de valor e a unidade em Cristo (Gálatas 3:28). Mas, a reportagem do problema suíço não focalizou uma questão de desigualdade, e sim de contato. As Escrituras que servem como base da minha fé não proíbem todo contato de pessoas do sexo oposto, mas ensinam, sim, a importância de manter a pureza e evitar qualquer contato de natureza sensual, com a única exceção sendo a relação natural de homem e mulher no casamento (1 Coríntios 7:1-9). Não entendo um mero aperto de mãos como contato impuro, mas respeito qualquer um que, por sua convicção religiosa e desejo de manter a pureza, decida evitar tal contato.

 

O caso em Therwil é apenas mais um exemplo da erosão da liberdade de religião que pode ser constatada em vários países. Em um mundo cada vez mais secular, os direitos religiosos conquistados ao longo dos últimos séculos estão sendo lentamente apagados. Cidadãos enfrentam ameaças de punição quando procuram viver conforme sua própria consciência.

Por outro lado, entendo a preocupação de governos com possíveis influências subversivas (nesse caso, estão investigando a possibilidade da família dos alunos ter envolvimento com o Estado Islâmico, uma organização conhecida por sua violência contra pessoas de outras religiões). Não tenho nenhuma pretensão de ser capaz de solucionar as complexas polêmicas políticas. Como cidadão do Reino do Senhor Jesus (Efésios 2:19; Filipenses 3:17-21), não vivo preocupado com as decisões dos governos desse mundo. Respeito as pessoas em posições de autoridade (Romanos 13:1-7; 1 Pedro 2:11-17) e oro por elas para poder viver como cristão divulgando a mensagem de Jesus (1 Timóteo 2:1-6), mas não deposito a minha confiança nas instituições humanas: “Não há rei que se salve com o poder dos seus exércitos” (Salmo 33:16).

 

Há uma lição valiosa, porém, que ajuda em nossa busca espiritual. O mesmo tipo de conflito surge em outros ambientes. Entendo que governos civis podem ficar confusos quando direitos religiosos se chocam com outros interesses. Mas, no contexto religioso e na vida particular de qualquer pessoa que procura honrar Jesus, esses conflitos não devem ser tão complicados. Mesmo sob ameaças de punição ou morte, o servo do Senhor deve se manter firme e recusar fazer qualquer coisa que seja contrária à vontade de Deus. Olhemos para os exemplos de Daniel, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego (Daniel 1:8; 3:1-30; 6:1-28), Pedro e os outros apóstolos (Atos 5:27-29) e muitos outros que têm sofrido prisão, tortura, confisco de bens e até morte por causa da sua fé (Hebreus 11:35-38). No contexto de uma igreja, ou na vida particular de qualquer cristão, conflitos entre a fé em Cristo e a cultura ou a preferência política devem ser facilmente resolvidos: façamos a vontade de Deus, e não a dos homens.

-por Dennis Allan


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