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Escravos da CulturaEscravos da Cultura

Conflitos entre pessoas são comuns, e ninguém pode negar que diferenças de religiões e de tradições culturais estão no centro de muitos desses atritos, até em algumas das guerras mais feias da nossa época. Mesmo para pessoas que rejeitam a violência como maneira de lidar com suas diferenças, elas afetam suas vidas. Não temos como fugir da realidade, e qualquer pessoa de convicção discordará de outras pessoas de convicções. Cristãos, as pessoas que acreditam em Jesus e valorizam as Escrituras como a revelação divina aos seres humanos, discordam de muitas das tendências culturais e religiosas no mundo atual.

O parágrafo acima poderia ter sido escrito 1900 anos atrás, pois descreve uma realidade que existia entre os cristãos primitivos, como também nos dias de hoje. Não precisamos ser escravos da cultura, presos às ideias tradicionais ou populares. Consideremos alguns dos conflitos de tradições culturais e religiosas das primeiras décadas do cristianismo, pois entendimento desses fatos pode nos ajudar a manter a nossa perspectiva diante das realidades do século 21.

O Legalismo. Um dos principais conflitos e motivos de perseguição para os cristãos primitivos foi a diferença de convicções sobre o papel da Lei que Deus revelou aos israelitas 1.500 anos antes. Nenhum cristão negava a importância da Lei que Deus deu para Moisés no monte Sinai logo depois da saída dos hebreus da escravidão no Egito. Saulo de Tarso, melhor conhecido como o apóstolo Paulo, é um dos maiores representantes dos dois lados desse conflito. Nas primeiras referências a Saulo no Novo Testamento, ele era defensor da necessidade da obediência da Lei para a salvação e ativamente perseguia os cristãos que pregavam a salvação pela graça sem guardar as ordenanças daquela lei (a circuncisão sendo um dos pontos mais disputados). Depois de confrontar as evidências, Saulo mudou a sua convicção, foi convertido a Cristo, e dedicou o resto da sua vida à divulgação da mesma mensagem que ele rejeitava anteriormente (Gálatas 2:15-16). Sem nenhum ato de violência por parte dos cristãos, ele foi convertido.

A Libertinagem. Qualquer relato histórico equilibrado do mundo greco-romano inclui referências à libertinagem moral representada até na sua mitologia pelo deus Dionísio ou Baco. Os excessos na busca de prazer até pelos mais influentes membros da sociedade são bem documentados na história. O apóstolo Pedro condenou tais comportamentos, instruiu os cristãos a evitarem totalmente a libertinagem, e disse que Deus julgaria as pessoas que a praticavam: “Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias. Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão, os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos” (1 Pedro 4:3-5). Foi também o ensinamento unânime dos primeiros cristãos (1 Coríntios 6:9-11; Efésios 5:3-17; Colossenses 3:5-11; Tiago 1:27; 4:1-7; 1 João 2:15-17). Eles falaram claramente contra as práticas aceitas na sociedade, mas não usaram a força nem a violência contra aqueles que discordavam.

O Gnosticismo. A palavra grega gnosis significa conhecimento. Jesus, os apóstolos e outros cristãos primitivos incentivavam a busca do conhecimento da palavra de Deus (João 8:32; 1 Timóteo 2:4; Colossenses 3:10; Tito 1:1; 2 Pedro 3:18). A filosofia gnóstica que surgia no final do primeiro e começo do segundo século, elevou o conceito do conhecimento adquirido por outros meios acima da fé em Deus e da graça demonstrada em Jesus. Suas doutrinas negavam ensinamentos dos apóstolos sobre a natureza de Jesus, a santidade dos cristãos e a importância do amor. João, especialmente na sua primeira epístola, foi o apóstolo mais explícito no seu ensinamento contra tais noções, mostrando a harmonia entre o conhecimento verdadeiro e o amor obediente resultante.

A lista continua. A igreja primitiva enfrentava ambições egoístas, partidarismo e diversas doutrinas que contradiziam a mensagem revelada pelos apóstolos. Os cristãos daquela época não reagiam com violência, nem se calavam diante das ameaças de adversários e governantes (Atos 4:15-20,29; 5:29). Aceitavam conflito (Lucas 12:51; João 16:33; 17:14), defendiam suas crenças e aproveitavam suas oportunidades para pregar a mensagem de Jesus, “o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2:4).

-por Dennis Allan


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