
O Amor Avisa
Era um lugar lindo. Um cânion de 250 metros de profundidade com paredes de rochas escarpadas chamou a minha atenção. A minha família estava comigo, e decidimos parar e apreciar a bela paisagem. Quando descemos do carro, a centenas de metros do precipício, observamos as primeiras placas avisando do perigo. A minha mulher ficou muito atenta aos filhos, embora já adolescentes, porque entendeu o perigo de alguém cair e perder a vida. Continuamos andando, nos aproximando da borda do cânion, e observando várias outras placas avisando do perigo. Mesmo assim, a minha mulher acrescentou frequentes mensagens verbais de reforço, alertando sobre a importância de se cuidar.
O amor avisa do perigo. Enquanto as placas para o benefício do público geral podem representar uma noção de responsabilidade social ou legal, os avisos de uma mãe para seus próprios filhos refletem o amor e o desejo de poupá-los de terríveis sofrimentos. Qual mãe nunca soltou um grito de pânico quando percebeu um perigo iminente que ameaçava o bem-estar do seu filho? O amor avisa.
O maior perigo que enfrentamos é o nosso próprio pecado e suas consequências. Quando o homem desrespeita as orientações do seu Criador, ele erra o alvo determinado para seu próprio bem. As Escrituras usam palavras como pecado, iniquidade, transgressão, perversidade, desobediência e rebeldia para caracterizar esse comportamento autodestrutivo. De capa a capa, a Bíblia avisa sobre o perigo. O pecado separa o homem de Deus, a fonte da sua própria vida (Isaías 59:1-2). Em outros termos, o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23), não porque um Deus cruel quer matar suas criaturas, mas porque a criatura que rompe seus laços com o Criador se separa daquele que dá e sustenta a vida.
Alertar sobre o perigo do pecado é, na concepção de muitas pessoas, um ato chato de intrometer-se na vida dos outros. O próprio Senhor Jesus falou de situações nas quais não devemos insistir e continuar tentando resgatar alguém que prefere avançar no caminho que leva à sua própria destruição (o ponto das instruções dadas em Mateus 7:6; 10:14-15). Mas a rejeição e teimosia de alguns não devem ser motivos para desistir das tentativas de ajudar aos outros. Os principais mandamentos divinos são resumidos na palavra amor: amar Deus e amar o próximo (Mateus 22:37-39). Quando amamos o próximo e percebemos o perigo que enfrenta, alertamos. O amor avisa!
Um dos benefícios da convivência entre seguidores de Jesus é a ajuda mútua para vencer as batalhas contra tentações e pecado. No final de uma carta que falou muito sobre a batalha entre Espírito e carne, Paulo frisou a importância de correção e apoio mútuo: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado. Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:1-2). Devemos reconhecer, com humildade, a nossa própria fragilidade, e oferecer ajuda a outras pessoas que compartilham das mesmas vulnerabilidades. E quando precisamos de correção, devemos aceitá-la com a mesma humildade. “Ouve o conselho e recebe a instrução, para que sejas sábio nos teus dias por vir” (Provérbios 19:20). Em palavras mais diretas, “Quem ama a disciplina ama o conhecimento, mas o que aborrece a repreensão é estúpido” (Provérbios 12:1).
Tiago falou desse papel de corrigir o pecado de um irmão: “Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados” (Tiago 5:19-20). Pedro acrescenta um fato importante: é o amor que “cobre multidão de pecados” (1 Pedro 4:8). Pelo amor, uma pessoa avisa outra do perigo e procura resgatá-la do seu pecado, assim levando a cobrir os pecados. Cobrir não significa esconder, ignorar ou negar. Os pecados são encobertos quando Deus os perdoa: “Perdoaste a iniquidade de teu povo, encobriste os seus pecados todos” (Salmo 85:2). O amor daquele que avisa leva a pessoa ao arrependimento e à reconciliação com Deus, que perdoa os pecados e tira a barreira que separa essa pessoa do seu Criador.
O amor alerta sobre o pecado e suas consequências.
-por Dennis Allan
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