Estudos Bíblicos

Israel, Egito e a Páscoa

Hoje, a maioria das pessoas associa a comemoração da Páscoa com a ressurreição de Jesus, principalmente por dois motivos: (1) A crucificação e ressurreição de Jesus aconteceram no fim de semana da Páscoa judaica (Lucas 22:7), e (2) Jesus ficou conhecido como nosso Cordeiro pascal (1 Coríntios 5:7). A celebração dessa data para lembrar o sacrifício e a vitória de Jesus não vem da Bíblia. Cristãos primitivos lembravam o sacrifício em uma cerimônia simples semanal conhecida como a Ceia do Senhor (1 Coríntios 11:17-34; Atos 20:7).

A Páscoa não faz parte da adoração dos cristãos que seguem o padrão das Escrituras, mas ainda nos traz ensinamentos importantes. Duas mensagens, separadas por 700 anos e mais de 300 quilômetros, ensinam sobre a grandeza de Deus.

Quando Deus orientou os israelitas no Egito sobre a última das dez pragas e a iminente libertação da escravidão, ele deu ordens sobre o sacrifício que cada família faria e a necessidade de pintar as molduras das portas com sangue. As famílias obedientes seriam poupadas quando o Senhor passasse pela terra matando os primogênitos dos egípcios. Deus disse: “O sangue será um sinal para indicar as casas em que vocês se encontram. Quando eu vir o sangue, passarei por vocês, e não haverá entre vocês praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito” (Êxodo 12:13). Ele passaria por (ou sobre) as casas do seu povo, mas entraria nas casas dos seus opressores para castigar as famílias egípcias. Desse significado do verbo usado aqui vem a palavra inglesa para Páscoa, Passover, que significa literalmente passar por cima.

Deus salvou os israelitas dos egípcios quando passou por cima das casas do seu povo.

A mesma palavra hebraica se encontra oito vezes no Antigo Testamento, aparecendo apenas uma vez nos livros proféticos, traduzida “poupará” em Isaías 31:5: “Como uma ave paira sobre o seu ninho, assim o Senhor dos Exércitos defenderá Jerusalém; ele a defenderá e salvará, poupará e livrará.” 700 anos depois de Moisés, Deus usou Isaías para chamar Judá ao arrependimento. O Egito entrou na história de novo, mas em um papel diferente. Os governantes de Judá procuravam uma aliança de defesa com os egípcios. Deus viu qualquer pacto com outras nações como falta de confiança nele, e repreendeu o povo. Ele, e não o Egito, pouparia Judá. Ele não estaria livrando a nação da opressão do Egito, e sim dando livramento da tentação de achar soluções nos lugares errados.

-por Dennis Allan

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