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Os Salmos Messiânicos (1)
(Vários)

por L. A. Stauffer

Os poetas hebreus incluíam os salmistas que compuseram cânticos de Israel, contendo gritos de adversidade e tragédia, hinos de triunfo e vitória, e confissões de pecado e arrependimento. Eles cantaram louvores a Jeová, exaltaram a História da nação, invocaram a vingança de Deus contra os malfeitores, e clamaram pelo socorro do Senhor em tempos de angústia.

Mas, além das letras, da composição e execuções musicais, os salmistas recebiam discernimento da natureza, da vida e do papel do Messias que haveria de vir.  Estes poetas eram, às vezes, profetas que, sendo dirigidos pelo Espírito de Deus, contemplavam uma época ideal de domínio messiânico (Atos 1:16; 2:30).

"Messias" corresponde ao hebraico ou aramaico para "Cristo", que por sua vez se traduz do grego como "o ungido".  Alguma forma da palavra é usada várias vezes nos Salmos para descrever a natureza do futuro guia de Israel.  Os salmistas, no papel de profetas, retratam o futuro Messias tão vividamente como quaisquer outros escritores do Velho Testamento, com a possível exceção de Isaías.  Eles cantam sua eterna existência, linhagem e humanidade, vida de adversidade, e morte, ressurreição, coroação e domínio à direita de Deus.

Pré-existência

Dois salmistas aludem à eterna existência e divindade do futuro rei.  Davi abre o Salmo 110: "Disse o Senhor ao meu senhor:  Assenta-te à minha direita" (110:1).  Em confronto com os fariseus, Jesus, o próprio Messias, apela para este salmo para provar sua natureza eterna.  Ele é mais do que um descendente de Davi, porque neste Salmo Davi o chamou: "Senhor".  Como Jesus argumenta:  "Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho?" (Mateus 22:42-46).  Muito antes que ele se tornasse filho de Davi na carne, o Messias, como Deus, era o Senhor de Davi.  Ele é especialmente identificado como Deus pelos filhos de Coré, que cantam sobre sua unção por Jeová:  "O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre" (Salmo 45:6; Hebreus 1:8).

Encarnação

Entretanto o Ungido se tornou carne. Jeová, que ungiu e exaltou o príncipe que viria, tinha feito uma aliança com Davi:  "Para sempre estabelecerei a tua posteridade e firmarei o teu trono de geração em geração" e "um rebento da tua carne farei subir para o teu trono" (Salmo 89:3-4; 132:11; Atos 2:30).

"O Senhor", "Ó Deus" ­ o Messias ­ seria também o filho de Davi;  Ele habitaria temporariamente na carne, seria nascido de uma mulher, tornaria-se um participante de carne e sangue com os cidadãos do reino (veja João 1:14; Gálatas 4:4; Hebreus 2:14).

O Senhor de Davi iria tornar-se filho de Davi, nascido da tribo de Judá e da casa de Davi.  Quando ungiu Jesus para ser o Messias, Jeová cumpriu sua aliança com Davi para estabelecer sua semente e trono para sempre (veja Salmo 89:20, 29, 34-37; Mateus 1:1-17; Lucas 1:31-33).

Vida

Os salmistas também cantam a vida do Messias, uma vida de adversidade.  As nações se enfureceriam contra ele, uma descrição das provações diante de Herodes e Pilatos na qual o povo clamava por sua morte (Salmo 2:1-3; Atos 4:25-28).

Mesmo esta tragédia é excedida pela traição de um discípulo, um que o Messias tinha escolhido para ser um conservo, um que ele tinha trazido para seu seio, um que se reclinava à sua mesa.  Anos antes, um salmista afirma a traição nas palavras do próprio Ungido:  "Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar" (Salmo 41:9).  Jesus declara o cumprimento disto na "última ceia", quando ele ensopa um bocado com Judas, e o filho de Iscariotes se afasta da mesa e sai depressa no escuro, para vender seu Senhor por trinta peças de prata (veja João 13:18,26,27).

Morte

A máxima tragédia da vida, retratada pelo salmista, é o grito angustiado do Messias, quando abandonado por Deus:  "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?"  O Ungido de Deus vê-se como um verme e não homem; ele é ridicularizado quando o povo estende os beiços e balança suas cabeças; a angústia está próxima e ele não encontra ninguém para o socorrer (Salmo 22:1,6,7,11; veja Mateus 27:46). Abandonado e entregue aos homens perversos pela determinada resolução e presciência de Deus, o Messias é levado para o "pó da morte". Ele é cercado por fortes touros que abriram para ele suas bocas, como leão voraz; sua vida é derramada como água, seus ossos estão desconjuntados, seu coração derrete dentro dele, sua força se secou como um caco e sua língua adere a sua boca.  Seus inimigos furaram suas mãos e pés, repartiram suas vestes e lançaram sortes sobre sua túnica (veja Salmo 22:12-18; veja Mateus 27:35).

Entretanto, o Messias tem a visão do Deus que o abandonou sempre à sua direita; nele encontra segurança e se regozija porque sua alma não é deixada na morte e sua carne não vê corrupção.  Além do sofrimento e morte o ungido de Deus vive, reina, intercede pelo homem; retratos a serem vistos no próximo artigo.

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