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Os Salmos dos Degraus ou
das Subidas
(Salmos 120-134)
por David Posey
Os Salmos 120-134 formam um pequeno livreto, um saltério dentro do Saltério,
que poderia ser intitulado: "Não há nenhum lugar como o lar."
Mas o lar é onde o coração está, e o coração dos verdadeiros adoradores
está sempre no lar do Pai celestial.
Cada um destes Salmos tem semelhantemente o título de "Cântico de
romagem" ou "Cântico das Subidas," mas o significado de
"subidas" não é óbvio. Pode ser uma progressão gradual, ou
"subida," em cada um destes Salmos; ou, baseado numa nota do
Talmude, que os quinze "cânticos das subidas" correspondem aos quinze
degraus do Templo, a idéia pode ser de que cada um dos Salmos represente um
degrau elevando ao Tribunal dos Homens; ou ainda, poderiam ser cânticos sobre
"subir" do cativeiro da Babilônia para Jerusalém (veja Esdras 7:9).
Provavelmente, estes cânticos foram cantados por "peregrinos" subindo
para Jerusalém, para uma das festas.
Vem à lembrança o Salmo 84, quando os Filhos de Coré cantam:
"Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos!"
O salmista ali está longe da casa de Deus, com muitas saudades dos "átrios
do Senhor." Sua atitude é: "Bem-aventurado o homem
cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos
aplanados" (84:5).
Estes quinze Salmos amplificam o tema dos peregrinos saudosos dos pátios de
Deus. Há um desejo intenso por parte dos "sem lar" de estarem "na
Casa do Senhor" (134:1), porque é onde mora o Senhor (132:14).
Portanto, o salmista está alegre "quando me disseram: Vamos à Casa do
Senhor" (122:1). Mas, antes que pudessem permanecer na casa de Deus,
eles tinham que fazer uma viagem, uma viagem cheia de perigos e armadilhas.
Esta viagem ficava deprimente, às vezes: "A nossa alma está
saturada do escárnio dos que estão à sua vontade e do desprezo dos
soberbos" (123:4). Mas continuavam caminhando, sabendo que: "O
nosso socorro está em o nome do Senhor, criador do céu e da terra"
(124:8).
Cerca do ano 125 d.C., Aristides escreveu numa carta a um amigo, "Se
qualquer homem justo entre os cristãos passa deste mundo, eles se regozijam e
oferecem graças a Deus, e acompanham o seu corpo com cânticos de
agradecimento, como se ele estivesse partindo de um lugar para outro próximo."
Mas precisamos fazer peregrinação antes de ficarmos permanentemente na casa do
Senhor. Nós, também, precisamos acampar "em Meseque" e
habitar "nas tendas de Quedar"! (120:5). Ficamos desiludidos
com este mundo e repetimos as palavras daqueles que estão cansados dos lábios
mentirosos e da língua enganadora (120:2), fartos de morar tanto tempo com
aqueles que odeiam a paz (120:6), enjoados das atitudes arrogantes daqueles que
são demasiadamente orgulhosos para confiar em Deus (123:4); exaustos de "sendas
tortuosas" (125:5).
Nós, também estamos acostumados a perguntar: "De onde me virá o
socorro?" A resposta: "Do Senhor, que fez o céu e a
terra" (121:1-2). Tentações e provações são a sina dos
moradores da terra. Mas para aqueles cujos corações estão postos na
peregrinação, estas mudanças induzem-nos a concentrar nossa atenção
diretamente no Senhor que fez o céu e a terra. Assim, aguardamos o Senhor
e temos esperança no Senhor e em sua palavra (130:5, 6), e gozamos a vida
simples de um peregrino (131:13). Um espírito quieto e calmo prevalece,
porque, apesar do tumulto à nossa volta, Deus ainda está no céu. Então:
"Entremos na sua morada, adoremos ante estrado de seus pés"
(132:7).
Pagamos o preço por nos tornarmos estrangeiros na terra, mas podemos gozar
o preço porque sabemos que grandes cousas o Senhor tem feito; "por
isso, estamos alegres" (126:3). Semeamos em lágrimas aqui, mas colheremos
em alegria. "Quem sai andando e chorando, enquanto semeia,
voltará com júbilo, trazendo os seus feixes" (126:6). Nosso
propósito, aqui, é semear, às vezes em lágrimas. A colheita virá mais
tarde. Mas o saber que colheremos alegra-nos agora. Por isso mesmo
agora podemos saborear um pouco do que estaremos fazendo em toda a eternidade:
estar "na Casa do Senhor", erguer nossas "mãos para o
santuário", e bendizer ao Senhor (134:1-2).
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