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O Salmo de "Por quê?"
(Salmo 73)
por John M. Kilgore
"Com efeito, Deus é bom
para com Israel, para com os de coração limpo!"
(73:1) e "Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as
mãos na inocência. Pois de contínuo sou afligido, e cada manhã,
castigado" (73:13-14). Entre estas duas declarações de Asafe,
ambas introduzidas por "com efeito", encontra-se um caminho penoso,
ligando o vale da desilusão e da dúvida ao topo da montanha da confiança e da
certeza. A jornada foi necessária pela realidade do mundo de Asafe, onde
ele observava a prosperidade e a proteção dos ímpios (73:3) e as dores e aflições
dos justos (73:13-14), e perguntava "Por quê?" Por que um bom
Deus permite esta injustiça? É ele realmente bom para Israel, o puro de
coração? Para Asafe, esta não era meramente uma questão interessante
para ser debatida na academia, pois ele era aquele que sofria, até o ponto de
ser invejoso dos arrogantes ímpios (73:3) e de questionar o valor de manter
puro seu coração (73:13). Se Asafe ia manter sua fé na bondade de Deus,
ele tinha que ter uma resposta (73:2).
A interrogação a Deus é como uma espada de dois gumes. Ela pode cortar
com ambos os fios: um para a descrença e o outro para a fé. No
caso dos judeus com Jesus, suas perguntas marcavam sua descida para a cova do ódio
e do homicídio. Numa ocasião, Jesus até caracterizou o interrogatório deles
como indicação de uma geração má e adúltera (Mateus 12:39). Mas no
caso de Asafe, e de todos os discípulos verdadeiramente devotos, ele é
essencial para subir ao topo da confiança na bondade e justiça de Deus.
Perguntar a Deus "por quê" é arriscado, mas necessário.
A interrogação a Deus leva à destruição de nossa fé, quando nossas
perguntas vêm de nosso orgulho. Uma resistência a aceitar a evidência
que já nos foi dada por Deus e exigir mais implica em que a Deus falta evidência
verdadeiramente convincente. Se Deus ao menos nos desse evidência verossímil,
acreditaríamos. Este engano de nós mesmos, freqüentemente disfarçado
de intelectualismo e "mentalidade aberta" é, na realidade, a conseqüência
de uma vontade endurecida. Os escribas e fariseus, que já tinham
conversado sobre como poderiam destruí-lo (Mateus 12:14), continuavam pedindo
um sinal (Mateus 12:38). Esta charada de investigação honesta foi
exposta por Jesus como o que, de fato, era: corações autoritários e
teimosos ficando mais e mais duros. Quando Deus quer que creiamos no incrível,
ele nos dá evidência suficiente para assim fazer (Gideão e sua lã, Juízes
6:34-40). Rejeitar sua evidência e exigir mais é endurecer nossos corações
contra a fé.
A interrogação a Deus a partir de um elevado sentido de importância de nossas
circunstâncias físicas também vem do orgulho e também destruirá a fé.
Este raciocínio permite ao efêmero ter maior importância do que o eterno e
coloca nossa satisfação na terra no centro do universo, assim destronando
Deus. Para os homens, sentarem-se para julgamento da bondade de Deus,
especialmente do ponto de vista de nossa própria "felicidade" física,
é arrogância.
Asafe quase tropeçou (73:2), quando começou a invejar os arrogantes ricos.
Em essência, ele disse que Deus lhe era devedor. Sua pureza o exigia.
Certamente que Deus não pode esperar que o sirvamos a troco de nada (73:13).
É irônico que seja a arrogância que produz a inveja do arrogante.
Felizmente, Asafe mudou seu curso de interrogação e, no processo, recebeu uma
fé maior. Ele ilustra que interrogar a Deus com humilde vontade de
superar nossas dúvidas edifica a fé. "Eu creio! Ajuda-me
na minha falta de fé" (Marcos 9:24).
Quando a dor é usada como o megafone de Deus para chamar nossa atenção,
nossos "por quês?" podem produzir uma fé mais profunda, pois agora
estamos prontos para ouvir a Deus. Entramos no santuário de Deus para
sermos guiados por sua revelação.
Este tipo de interrogação nos capacita a ver de novo o Deus da História, o
que ele tem feito, e onde ele (História) está indo (73:15-17). Agora
podemos ver o fim a partir do princípio e saber o que subsistirá (73:18-20).
Ouvindo-o, podemos ver que, quando estamos amargurados intimamente, somos como
um animal ignorante sem sentimentos (73:21-22), mas quando estamos dentro do
alcance de sua mão, estamos destinados à glória (73:23-24). Este tipo
de "por quê?" nos levou ao Deus de nosso maior bem para fazer dele
nosso refúgio. Proclamaremos "todos os seus feitos"
(73:28).
Nosso Deus não é tão fraco que não possa enfrentar nossas perguntas, nem tão
fraco que precise acomodar nosso orgulho.
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