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Os Salmos de Libertação
(Salmo 31)
por Warren Berkley
Um dos nossos maiores benefícios no
estudo dos Salmos é que somos capazes de, através destes belos poemas,
aprender quanto Deus significava para Davi. Especialmente quando estudamos
a vida de Davi e então consultamos os Salmos para relacioná-los com suas
experiências da vida, os Salmos se tornam uma rica fonte cheia de verdades
construtivas e fortalecedoras sobre nosso Criador.
Por exemplo, Davi se achou freqüentemente em sofrimento. Por causa de seu
próprio pecado, ou como resultado de um malévolo inimigo, ele sofreu aflições
repetidamente. O modo como reagiu sob pressão se torna um bom estudo para
nós. E o testemunho de Salmos é que Davi estava predisposto a confiar em
Deus quando estava sob pressão. Esta é uma razão pela qual ele chamou
Deus sua rocha, sua cidadela, libertador e escudo (Salmo 18:2). Muitos dos
Salmos entram nesta categoria.
O Salmo 31 poderia ser rotulado um salmo de libertação. A provação de
Davi é descrita junto com sua reação.
A provação de Davi. Ele foi apanhado "no laço",
ou seja, na armadilha dos seus inimigos (31:4) e cercado pela idolatria (31:6).
Ele estava sofrendo aflição e angústia da alma (31:7) nas mãos de seus
inimigos (31:8). Ele estava sendo caluniado e conspiravam contra ele (31:13).
Ele disse: "Compadece-te de mim, Senhor, porque me sinto atribulado; de
tristeza os meus olhos se consomem, e a minha alma e o meu corpo. Gasta-se a
minha vida na tristeza, e os meus anos, em gemidos; debilita-se a minha força,
por causa da minha iniqüidade, e os meus ossos se consomem. Tornei-me opróbrio
para todos os meus adversários, espanto para os meus vizinhos e horror para os
meus conhecidos; os que me vêem na rua fogem de mim" (31:9-11).
A reação de Davi a esta provação foi procurar refúgio no senhor. "Em
ti, Senhor, me refugio; não seja eu jamais envergonhado; livra-me por tua justiça.
Inclina-me os ouvidos, livra-me depressa; sê o meu castelo forte, cidadela fortíssima
que me salve. Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; por causa do teu
nome, tu me conduzirás e me guiarás. Tirar-me-ás do laço que, às ocultas,
me armaram, pois tu és a minha fortaleza. Nas tuas mãos entrego o meu
espírito; tu me remiste, Senhor, Deus da verdade" (31:1-5). Por causa
de sua predisposição de confiança no Senhor, esta foi a reação de Davi:
pregar (31:23-24), louvar (31:19-21) e chorar ao Senhor seu Deus (31:22).
Quando nos encontramos no meio de uma provação desagradável, qual é
nossa reação? Voltamo-nos, quase impulsivamente, para algum recurso
mundano? Enganamo-nos pensando que temos dentro de nós a capacidade para
enfrentar e sermos corajosos (humanismo)? Ou nos aproximamos de Deus e
fazemos dele nosso refúgio? Quando em angústia, não podemos fazer nada
melhor do que confiar em Deus e olhar para seu semblante de amor e misericórdia.
Precisamos cultivar a mesma predisposição de confiança que observamos em
Davi.
Lutero disse que este Salmo "é falado na pessoa de Cristo e seus santos,
que são afligidos toda a sua vida, internamente pelo tremor e o alarme,
externamente pela perseguição, a calúnia e o desprezo, por amor da palavra de
Deus, e mesmo assim são livrados por Deus de todos eles e confortados."
Isto parece ter alguma base boa, desde que o Salvador crucificado usou palavras
que começam no versículo 5, no momento de sua morte (veja Lucas 23:46; também,
a messiânica interpretação do versículo 10 seria Cristo suportando os
pecados do mundo).
O Salmo 31 é um dos muitos salmos de libertação, escritos para nos levar a
uma união mais íntima com nosso Deus, para que possamos procurá-lo para nos
ajudar e nos segurar. Paul Earnhart, uma vez, observou a respeito dos
Salmos: "Muito filho de Deus têm repousado seu coração nas orações
daqueles antigos adoradores. Encontramos neles o eco de algum modo confortante
de nosso desespero angustiado e sabemos que não somos os primeiros filhos de
Deus a lutar a sós com temores. Nem os primeiros, nesse assunto, a conhecer uma
alegria toda absorvente" (veja ainda o Salmo 116).
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