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Os Salmos da
Palavra de Deus (2)
(Salmo 119)
por Earl Kimbrough
O Salmo 119 é talvez o mais habilidosamente concebido de
todos os salmos. Tem uma estrutura como nenhum outro. A palavra de Deus é seu
tema grandioso. Em estrofes uniformes, Davi tece suas meditações da palavra em
volta de oito, ou mais, sinônimos, dela. A maioria destes são repetidos, freqüentemente.
Este salmo, ainda que inexcedível, é uma extensão elaborada do hino mais
curto sobre a lei de Deus, por Davi, no Salmo 19:7-11. Mas tanto os seus sinônimos
para a palavra no Salmo 119 como seus comentários sobre as virtudes são de
especial interesse aqui. Oito dos seus sinônimos estão anotados abaixo.
"A lei do Senhor"
"Lei" principalmente indica orientação ou instrução. A
palavra, às vezes, se refere à lei dada por Moisés no Monte Sinai.
Contudo, aqui ela se refere à lei de Deus no sentido mais amplo de toda a
revelação, na qual a instrução e a orientação de Deus foram encontradas. O
Salmo começa com uma bênção prometida àqueles que andam na lei de Deus
(119:1). O ímpio abandona sua lei e olha para ela como inútil
(119:53,126), mas o justo ama-a e se compraz nela (119:77,97). O servo de
Deus ora: "Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as
maravilhas da tua lei" (119:18).
"Teus testemunhos"
Mais geral do que lei, "testemunhos" sugerem que a lei de
Deus é seu testemunho de sua vontade e pessoa. O uso de "testemunhos"
mostra que o salmista encarava a lei, não como um conjunto impessoal de legislação,
mas como as vibrantes declarações de Deus sobre si mesmo, seu pensamento e sua
relação como seu povo. Ele exprime a mesma devoção aos "testemunhos"
de Deus que ele tem para com a "lei" de Deus. A confiança
de Davi na palavra de Deus é tão segura que ele diz: "Também falarei
dos teus testemunhos na presença dos reis e não me envergonharei"
(119:46).
"Teus caminhos"
Os "caminhos" de Deus são suas regras de conduta
designadas, denotando especialmente a orientação que elas dão ao salmista
através do complexo curso da vida (Jeremias 6:16). O escritor suplica: "Desvia
os meus olhos para que não vejam a vaidade, e vivifica-me (preserva minha vida)
no teu caminho" (119:37).
"Teus preceitos"
A palavra "preceitos" é semelhante em significado a
estatutos e mandamentos; instruções dadas para orientar o comportamento. Os
preceitos de Deus devem ser "cumpridos à risca" (119:4).
E enquanto eles restringem o filho de Deus, eles também lhe permitem "andar
com largueza" (119:45). O pior dos mestres é o pecado, mas a
verdade nos liberta (João 8:32).
"Teus decretos"
Estes são decretos de Deus como Divino Legislador. Quatro palavras
(ou seus sinônimos) mostram repetidamente a devoção de Davi à palavra de
Deus sob seus vários conceitos: "ensinar", "amar",
"meditar" e "guardar". "Ensina-me
os teus preceitos" (119:12). "Terei prazer nos
teus decretos" (119:16). "Meditarei nos teus decretos"
(119:46). "Induzo o coração a guardar os teus
decretos" (119:112). A incomensurável reverência pela palavra
de Deus é lindamente expressada nas palavras: "Teus decretos são
motivo dos meus cânticos, na casa da minha peregrinação" (119:54).
"Teus mandamentos"
O caráter dos "mandamentos" de Deus é descrito no versículo
172: "Pois todos os teus mandamentos são justiça." Seus
mandamentos são justos e resultam em justiça.
"Teus juízos"
"Juízos" são pronunciamentos judiciais, que advertem contra
determinadas linhas de conduta. A palavra de Deus sublinha suas decisões
e punições contra aqueles que falham em se adaptar a sua palavra.
Considerando isto, o salmista diz: "Arrepia-se-me a carne com
temor de ti, e temo os teus juízos" (119:120).
"Tua palavra"
A "palavra" ("palavras") de Deus se refere
à lei como as declarações proferidas ou escritas do Todo-Poderoso. A
palavra de Deus é a revelação de sua vontade (veja 1 Coríntios 2:11-12).
A "palavra" é mais comumente usada para significar a revelação
de Deus que a maioria dos outros sinônimos, talvez por causa de aparente
simplicidade de compreensão.
A devoção de Davi à palavra de Deus, lindamente proclamada no Salmo 119, é
tanto mais admirável quando percebemos quão comparativamente pouco ele tinha
dessa palavra. Isto deveria envergonhar aqueles que, tendo a plena revelação
da vontade de Deus, negligenciam-na geralmente. Mas o prazer de ver a
palavra de Deus e o desejo de obedecê-la não são suficientes. Portanto,
no meio de seu louvor, o salmista suplica pelo divino auxílio para viver pela
sua palavra.
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