Os Salmos da Criação
(Salmos 8, 33)
por Dan Petty

Salmo 33:  Louvando a Deus como Criador e Soberano

Este hino triunfante abre com um chamado aos santos do Senhor para dar louvor a ele pela sua palavra e obra (33:1-4).  Eles devem usar todos os meios de expressão possíveis e adorá-lo com júbilo (33:3).  De tal adoração é digno alguém que é retratado por tais qualidades morais como, "fidelidade", "retidão", "justiça" e "bondade" (33:4-5).

Saber que tudo o que existe veio a ser criado do nada pela ordem de Deus é ser confrontado com a pura criação, e só por isso que Deus merece todo o louvor (Salmo 148:5; Hebreus 11:3).  Em linguagem figurada, o salmista descreve a obra criadora de Deus fazendo os oceanos, tão sem esforço como alguém encheria um jarro com água ou um depósito de água num "reservatório" (33:7; Gênesis 1:9-10).  Ele simplesmente "falou, e tudo se fez" (33:9).  Portanto, todos os habitantes da terra deveriam estar cheios de reverência e temor de sua poderosa força (33:8).

Deus é mais para sua criação do que seu Criador.  Ele também é o rei soberano, dominando todos os negócios dos homens.  Povos e nações e sua sabedoria ou servem os propósitos imutáveis de Deus ou acabam em nada (33:10-12; veja Isaías 44:25-28; 45:4-13).  Mas ele abençoa a nação que o serve.

Esta verdade é baseada no fato que Deus vê toda a atividade humana e, sendo o Criador dos homens, entende todos os planos e motivos humanos (33:13-15).  Tal percepção deveria lembrar-nos de que, como Deus é nosso Criador, ele também é aquele que julga até "os pensamentos e propósitos do coração" (Hebreus 4:12-13).

Nada pode salvar um homem ou uma nação, nem mesmo um poderoso exército ou grande força (33:16-17), fora de Deus.  Mas para aqueles que temem a Deus e confiam nele, ele é "nosso auxílio e escudo" (33:18-22), e louvamos nosso Criador como um Deus de benevolência.

Salmo 8:  O Que é o Homem?

"Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!"  Assim começa e termina o Salmo 8, o cântico de Davi em louvor a Jeová. Esta declaração de abertura e fechamento é o tema principal do salmo, e Davi vê a evidência da majestade de Deus manifestada em sua criação ­ tanto do universo como do homem. É uma verdade refletida por outros salmos de Davi (19:1), pelos escritores do Novo Testamento (Romanos 1:20), e por muitas pessoas ponderadas e prudentes que consideraram os céus e a terra a evidência do propósito, poder e sabedoria neles refletida (Jó 12:7-9; Jeremias 5:21-25).

A sabedoria e o poder de Deus são manifestados quando se observa a maravilha de um recém-nascido não menos do que quando se maravilha com a vastidão do espaço e as incontáveis estrelas (8:1-2).  Este paradoxo é a mensagem do salmo inteiro.  A primeira impressão sugeriria a pequenez e relativa insignificância do homem em comparação com os céus, a intrincada e artística obra dos "dedos" de Deus (8:3).  "Que é o homem, que dele te lembres?" (8:4). A pergunta é uma expressão de assombro: que Jeová, o criador de tal esplendor, se preocuparia com ele e o atenderia

Entretanto, a pergunta já aponta para sua resposta, pois qual outro ser em toda a criação de Deus tem o conhecimento até para fazer tal pergunta?  Na verdade, o homem não se encontra embaixo do resto da criação, mas acima dela.  Criado à imagem de Deus (Gênesis 1:26), o homem foi feito um pouco abaixo de Deus e, assim, é a coroa de glória da grande criação de Deus (8:5).

O "status" especial do homem entre todas as criaturas de Deus dá-lhe uma dignidade não igualada por qualquer outra criatura.  Deus colocou o homem nessa posição, e coroou-o com glória e honra (8:5). O Criador também dotou o homem com o direito de domínio sobre sua criação (Gênesis 1:26-28).  Assim o homem foi incumbido de uma responsabilidade de "dominar" tudo que foi colocado a seu cuidado (8:6-8).  No melhor dos casos, o homem nesta majestosa posição é representado no Novo Testamento como um tipo de Jesus, que em sua morte e ressurreição foi "coroado de glória e de honra" (Hebreus 2:9).

O domínio do homem sobre a natureza, contudo, maravilhoso como é, sempre fica em segundo lugar para seu chamado como servo e adorador de Deus.  O cumprimento adequado do papel de domínio do homem pode ser realizado somente quando ele reconhece sua total dependência do Criador (Atos 17:24-31).  Tal responsabilidade deveria levar, não ao orgulho, mas a um humilde reconhecimento da glória do Criador.  "Ó Senhor, nosso Senhor, quão magnífico em toda a terra é o teu nome" (8:9).


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