O Livro de Romanos  
por Dennis Allan
©2006

Introdução ao Livro de Romanos
Romanos 1:1-15 Compartilhando o Evangelho
Romanos 1:16-32 A Necessidade Universal
Romanos 2:1-16 O Justo Juízo de Deus
Romanos 2:17-29 A Culpa dos Judeus
Romanos 3:1-18 Os Judeus Têm Vantagem?
Romanos 3:19-31 Justo e Justificador
Romanos 4:1-25 A Justificação de Abraão
Romanos 5:1-21 Jesus Vive para Salvar  
Romanos 6:1-23 Ressuscitados com Cristo

Romanos 7:1-11 Libertados da Lei  
Romanos 7:12-25 O Homem Desventurado

Romanos 8:1-17 O Espírito X A Carne

Romanos 8:18-25 Sofrimento e Esperança
Romanos 8:26–39 Mais Que Vencedores!
Romanos 9:1-18 Deus: Fiel e Justo
Romanos 9:19-33 Os Vasos de Misericórdia
Romanos 10:1-21 Um Povo Rebelde
Romanos 11:1-16 A Rejeição de Israel
Romanos 11:17-36 Quebrados e Enxertados
Romanos 12:1-21 Sacrifícios Agradáveis
Romanos 13:1-14  A Dívida do Amor 
Romanos 14:1-23  Respeito entre Irmãos 
Romanos 15:1-21 A Prática do Amor
Romanos 15:22 - 16:27 Cooperando em Cristo


Introdução ao Livro de Romanos

O s argumentos apresentados por Paulo na carta aos Romanos são complexos. O estudo exige bastante atenção para entender o que ele disse, e não o que gostaríamos de ouvir. Estudando assim, recebemos a grande recompensa de fortalecer a nossa fé e aumentar a nossa apreciação pela graça de Deus. Este é o primeiro de uma série de artigos sobre Romanos. É um estudo prático, em que procuraremos entender os pontos principais de cada trecho, e faremos aplicações para ajudar no nosso dia-a-dia.

Circunstância do Livro
Romanos (1)

Paulo nos dá algumas informações sobre a circunstância da carta. Ele fala de planos para visitar Roma depois de terminar a sua viagem (1:10-15). Estava se preparando para levar as ofertas das igrejas da Macedônia e da Acaia aos santos necessitados em Jerusalém. Depois de visitar Jerusalém, queria iniciar outra viagem para a Espanha, parando algum tempo na Itália no caminho (15:22-33). Concluímos que Paulo teria escrito essa carta durante o tempo citado em Atos 20:2-3, quando permaneceu na Grécia por três meses.

A Mensagem aos Romanos

Romanos é um livro de ensinamento profundo e rico. Nela Paulo mostra o problema de todos os homens: “Não há justo, nem um sequer” (3:10); “...pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (3:23); “...o salário do pecado é a morte” (6:23); “...a morte passou a todos os homens, pois todos pecaram” (5:12).

Mas a mensagem é esperançosa, não pessimista. Paulo descreve o evangelho como “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (1:16). Pecadores são “justificados gratuitamente, por sua graça” (3:24). “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (5:8). “...o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (6:23).

A carta aos Romanos anima os santos nas suas batalhas diárias contra a tentação e outras provações: “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.... muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (5:9-10). “...muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de ... Jesus Cristo” (5:17).

Paulo afirma que todas as três pessoas divinas lutam para o nosso bem: “...o mesmo Espírito intercede por nós” (8:26-27). “...Cristo Jesus...também intercede por nós” (8:34). “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (8:31). A participação ativa de Deus em nossa salvação leva a conclusão vitoriosa: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (8:37).

Mesmo tratando de alguns fatos complexos e difíceis de serem compreendidos pelos leitores (até hoje), Paulo comunica sua confiança total na sabedoria de Deus: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos” (11:33).

Como é o costume nas cartas de Paulo, os últimos capítulos de Romanos oferecem diversas aplicações práticas dos princípios apresentados. Reconhecendo a grandeza da graça salvadora de Deus, devemos nos conduzir como servos fiéis, mostrando reverência para com o Senhor, e bondade para com os outros homens.


Compartilhando o Evangelho (Romanos 1:1-15)

Paulo descreve a sua relação a todos em termos do evangelho. Deus o separou para o evangelho (1) que é o poder divino para salvar os homens (16). Paulo se viu como devedor a todos, e queria compartilhar as boas novas com todas as classes de homens (14-15). Quando pensou nos irmãos romanos, ele queria anunciar o evangelho e ser edificado por eles (15,12).

Fatos Fundamentais

Para comunicar bem a rica mensagem do evangelho, foi necessário definir alguns fatos. Paulo introduz nos primeiros versículos de Romanos vários temas que serão explicados no decorrer do livro. Ciente das dúvidas e até das divisões entre cristãos da época sobre o valor do Velho Testamento, ele mostra que sua mensagem confirma, e não contradiz, as profecias antigas. O evangelho foi prometido anteriormente por Deus e fala a respeito de Jesus, o Filho de Deus.

Segundo a carne, Jesus foi descendente de Davi. Mas é também o Filho de Deus que se ressuscitou de entre os mortos, se tornando o Cristo (Messias no hebraico, aquele que veio para cumprir as profecias) e Senhor (com toda a autoridade sobre nós).

Paulo, como apóstolo, pregou por amor do nome de Jesus para mostrar aos gentios a necessidade da obediência por fé (5). Ironicamente, algumas pessoas hoje usam o livro de Romanos para defender doutrinas de salvação por fé sem nenhuma participação ativa (obras) do homem. Paulo deixa claro desde o início do livro que a fé exige a obediência.

Os santos em Roma foram chamados para pertencer a Jesus. Deus os amou, e os chamou para serem santos (6).

As Orações de Paulo

Este apóstolo falou das suas orações constantes em relação aos irmãos romanos (8-15). Agadecia a Deus pela fé desses discípulos, que se tornou conhecida em todo o mundo.

Paulo pedia que Deus permitisse sua visita a Roma (10). Este exemplo nos ensina uma lição importante sobre a oração. Paulo escreveu esta carta perto do final de sua terceira viagem, pouco antes de levar ofertas dos gentios aos irmãos necessitados em Jerusalém. Ele falou dos seus planos e da sua vontade de fazer outra viagem depois, passando por Roma e continuando até a Espanha (15:25-28). Naturalmente, ele orava a respeito desses planos. De fato, Paulo chegou a Roma aproximadamente três anos depois de enviar esta carta, mas não da maneira que ele imaginava. Ele foi preso em Jerusalém, ficou mais dois anos na prisão em Cesaréia, e chegou a Roma depois de uma viagem cheia de calamidades e perigos. Quando oramos, devemos lembrar que Deus sempre atende as orações dos fiéis, mas nem sempre da maneira que imaginamos!

Paulo também comunicou o motivo da visita que planejava: a edificação mútua (11-12). Quando ele fala de dar e receber, descreve bem a natureza da relação entre irmãos em Cristo (veja 1 Coríntios 12:14-27; Efésios 4:15-16; Hebreus 10:24-25).

Ele reafirmou o desejo que tinha durante muito tempo de fazer uma visita aos romanos, pois queria lhes anunciar o evangelho (13-15). Considerou-se devedor aos gregos e bárbaros (os não gregos, normalmente menosprezados pelas pessoas “cultas” da sociedade grega), mostrando que o mesmo evangelho serve para os “sábios” e os “ignorantes”.

A aplicação universal do evangelho é o tema que Paulo defenderá nos próximos capítulos.


A Necessidade Universal (Romanos 1:16-32)

Todos, sejam judeus ou gentios, precisam crer no evangelho de Jesus Cristo. É a tese enunicada por Paulo em Romanos 1:16 e defendida nos capítulos seguintes. “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.”

O Evangelho para Todos

Nesse versículo chave, encontramos vários pontos essenciais para compreender a carta aos Romanos e o propósito eterno de Deus para nossa salvação. Observe:

- O evangelho é o poder de Deus. A mensagem pregada por Paulo e outros, no primeiro século, não foi invenção do homem. Veio de Deus como o meio escolhido para salvar pecadores.

- A salvação é para aqueles que crêem. Embora o evangelho inclua mandamentos para serem obedecidos (2 Tessalonicenses 1:8; 1 Pedro 4:17), ele não é um sistema de justificação por obras de lei. O contraste que Paulo introduz aqui e explicará nos próximos capítulos é entre lei e . Nenhuma lei jamais salvou um pecador. A salvação vem pela fé.

- Para judeus e gentios. Deus trabalhou por meio da nação judaica para cumprir suas promessas, e a pregação do evangelho começou entre os descendentes de Abraão. Mas, o evangelho e a salvação que ele oferece são accessíveis a todos – judeus e gregos.

A Ira de Deus contra o Pecado

O resto do primeiro capítulo mostra o motivo de Deus em ficar irado com o pecado do homem. Note os pontos principais neste trecho:

Deus se revela. A vontade dele se revela na palavra das Escrituras, mas o caráter e o poder de Deus se revelam pelas obras da criação (17-20). Este fato traz a responsabilidade sobre todos de buscar a Deus, e deixa os desobedientes sem desculpa.

- Um erro leva a outros. Uma vez que o homem nega a existência de Deus ou perverte a verdade sobre a natureza do Criador, outros pecados brotam dessas raízes (21-25). Pessoas impressionadas com a sua própria inteligência e capacidade de raciocinar inventam deuses feitos à imagem de homens, ou até de animais. Assim, negando a santidade e a perfeição do Deus justo, justificam todo tipo de perversidade, incluindo relações homossexuais. Esses versículos mostram que falsas doutrinas sobre Deus andam de mãos dadas com os pecados da carne.

- Deus deixa os pecadores caminharem para sua própria punição. Deus não autoriza o pecado, mas deixa o homem praticá-lo, até piorando cada vez mais. A justiça nem sempre é imediata, mas os pecadores que não voltam para Deus receberão a merecida punição (26-27).

- Mentes corrompidas se entregam à morte. O primeiro passo foi desprezar o conhecimento de Deus. O destino é a morte. Os passos intermediários são vários. Nos versículos 29-31, Paulo cita vários exemplos das coisas inconvenientes que merecem a sentença de morte. Muitas pessoas consideram alguns desses pecados comuns e até aceitáveis, mas Deus disse que pessoas invejosas, avarentas ou desobedientes aos pais merecem a morte. Devemos pensar bem sobre a nossa conduta diante do Criador!

A resposta de Deus à necessidade de todos nós se encontra no evangelho.


O Justo Juízo de Deus (Romanos 2:1-16)

L endo as fortes palavras do final do capítulo 1, alguns cristãos – especialmente judeus – poderiam ser tentados a concordar com Paulo e condenar “aqueles pecadores” que praticam e aprovam coisas dignas de morte. Esses religiosos facilmente lamentariam o estado depravado dos outros, sem perceber que estavam no mesmo lamaçal do pecado. Nos capítulos 2 e 3, Paulo afirma que o problema do pecado é universal, atingindo igualmente judeus e gentios.

O Perigo de Auto-Justiça

É muito fácil enxergar e condenar as falhas dos outros. O homem que confia na sua própria justiça não reconhece a sua própria necessidade da graça de Deus (1-4). Durante o seu ministério na terra, Jesus batalhava contra a arrogância e auto-justiça de seitas como os fariseus (veja Mateus 23:27-28). Paulo, um ex-fariseu, agora luta contra o mesmo orgulho religioso de seus compatriotas.

A auto-justiça traz conseqüências gravíssimas. Quando a pessoa recusa a ajuda oferecida por Deus, não há outro remédio. Vai caminhando para a morte, incapaz de se livrar dos laços da iniqüidade. Tal pessoa acha algum conforto em ver os pecados maiores dos outros, e não reconhece que o Deus justo rejeitará todos que praticam a injustiça (5-11).

A Justiça de Deus

Ao mesmo tempo que Paulo tira as desculpas das pessoas que se julgam boas, ele oferece esperança. Deus oferece a glória, honra, incorruptibilidade e paz (7,10). Mais adiante explicará melhor as condições para receber essas bênçãos (veja 3:24; 4:16; 5:2; 6:14; 11:6; etc.). Por enquanto, ele simplesmente se refere à bondade, à longanimidade e à tolerância de Deus para com os arrependidos (4). A esta altura, ele enfatiza a igualdade de judeus e gentios. Os pecadores de qualquer nação serão condenados, e os justos de qualquer povo serão glorificados. Deus julgará cada um conforme os seus atos (6), e não mostra acepção de pessoas (11).

A Igualdade de Judeus e Gentios

Os judeus confiaram na lei que Deus lhes deu por intermédio de Moisés. Por terem recebido essa revelação especial, acharam-se superiores aos gentios. Mas possuir a lei não salva. Ser ouvinte da lei não salva. Para serem justificados, teriam de obedecer à lei. Paulo ainda mostrará que nenhum judeu obedeceu a lei perfeitamente. Aqui ele ousa dizer que um gentio que respeite os princípios de justiça, mesmo não tendo a lei escrita, seria aceito por Deus. Tal afirmação seria, para muitos judeus, praticamente blasfêmia! Para apreciar a importância e a necessidade do evangelho, é preciso primeiro descartar falsas bases de confiança. O homem que confia em sua própria justiça não será salvo. A pessoa que se acha segura por fazer parte do povo “escolhido” sofrerá uma grande decepção. Cada um será julgado – não por ser judeu ou gentio – mas de acordo com seu procedimento. O julgamento será feito por um Deus onisciente, usando como base o mesmo evangelho pregado por Paulo (16; João 12:47-48).

O Justo Juiz

Com Deus, não há acepção de pessoas. Pedro entendeu esse fato quando pregou, pela primeira vez, aos gentios (Atos 10:34). Aqui, Paulo reafirmou a mesma verdade quando falou da necessidade universal do evangelho (11). Deus é um juiz justo. Cabe ao homem se conformar com a vontade do Senhor.


A Culpa dos Judeus (Romanos 2:17-29)

Depois de mais de 1.500 anos de superioridade espiritual, os judeus não acharam fácil aceitar as palavras de Paulo. Eles eram iguais aos gentios? Igualmente culpados diante de Deus?

Os Judeus Não Têm Desculpa

Mesmo tendo a lei especial que Deus lhes deu, se mostram desobedientes. Paulo descreve a auto-justiça dos judeus, certamente a mesma confiança que ele tinha anteriormente quando era fariseu:

● Tem por sobrenome judeu (17)
● Repousa na lei (17)
● Gloria-se em Deus (17)
● Conhece a vontade de Deus (18)
● Aprova as coisas excelentes (18; compare 2:3 e 1:32)
● É instruído na lei (18)
● Considera-se guia dos cegos (19)
● Luz aos que estão nas trevas (19)
● Instrutor de ignorantes (20)
● Mestre de crianças (20)
● Tem a sabedoria e a verdade na lei (20)

Os judeus receberam e até ensinaram os princípios da lei. O problema foi de não praticar o que pregavam (21). Será que cometemos o mesmo erro? Ensinamos os outros que devem respeitar a palavra de Deus, mas somos, de fato, obedientes?

Paulo mostrou a culpa dos judeus que pregavam que não se deve furtar, mas furtavam (21); condenavam o adultério, mas o praticavam (22); abominavam os ídolos, mas roubavam os templos deles (22; veja a proibição em Deteuronômio 7:25-26, a citação em Josué 6:18 e a conseqüência da desobediência de Acã em Josué 7).

Judeu Carnal X Judeu Espiritual

Paulo define a diferença entre o judeu carnal e o judeu espiritual (25-29). Ele amplia o argumento de Jesus sobre a necessidade de agir como o povo de Deus. Enquanto os judeus geralmente confiavam muito na sua posição como descendentes de Abraão (João 8:33), a verdadeira descendência é determinada pela atitude e a conduta espiritual (João 8:39-40,47).

A circuncisão – a marca de distinção do judeu – teria valor somente acompanhada por obediência perfeita à lei (25).

O gentio que guarda a lei seria igual ao judeu (26), até capaz de julgar o judeu desobediente (27).

O verdadeiro judeu não é aquele que fez a circuncisão da carne, e sim aquele que fez a circuncisão do coração (28-29). Observe a série de contrastes aqui:

O Judeu Verdadeiro

O Judeu Falso

Um Judeu Interiormente

Um Judeu Exteriormente

Circuncisão do Coração

Circuncisão da Carne

Espírito

Letra

Louvor Procede de Deus

Louvor Procede dos Homens

Essa definição do judeu verdadeiro se torna importante no nosso estudo do resto do livro de Romanos. Sempre devemos prestar bem atenção para discernir o sentido de palavras como “judeu” e “israelita”.

Nós, hoje, devemos ser judeus verdadeiros!


Os Judeus Têm Vantagem? (Romanos 3:1-18)

Uma vez que Paulo mostrou que a atitude e a conduta de cada pessoa distingue entre o judeu verdadeiro e o falso, poderia concluir que os judeus, os descendentes naturais dos patriarcas, não gozaram nenhum benefício especial. Paulo negaria a posição favorecida dos israelitas no plano de Deus? Qual a vantagem dos judeus? Paulo faz praticamente a mesma pergunta duas vezes (versículos 1 e 9), e responde de dois pontos de vista diferente. Primeiro, ele fala sobre a vantagem que Deus deu aos judeus (1-8). Depois, ele olha da perspectiva da realidade do pecado (9-18). Qualquer vantagem que Deus deu foi desperdiçada quando os judeus pecaram.

A Vantagem Dada por Deus (1-8)

Ao revelar a sua vontade numa aliança especial, Deus deu aos judeus uma grande vantagem (2).

O problema dos judeus não veio da parte de Deus. A incredulidade deles trouxe a condenação (3-5). Independente da falta de fé por parte dos homens, Deus continua sendo fiel. Ele é verdadeiro, mesmo se todo homem for mentiroso. Quando reconhecemos o nosso pecado, exaltamos a justiça de Deus. Se há alguma falha na relação de Deus com os homens, a culpa certamente é dos homens. O final do versículo 4 vem da versão grega de Salmo 51:4, uma passagem que mostra que a confissão do pecado do homem glorifica a Deus e realça a santidade e a justiça dele (compare Josué 7:19-20).

Deus é justo em castigar os judeus (5-8). Foi fácil para os israelitas enxergar a injustiça dos gentios e concluir que aqueles pecadores merecessem o castigo. Reconhecer o seu próprio pecado foi muito mais difícil. Se Deus não aplicar a sua lei com justiça aos judeus, ele não teria direito de castigar os gentios (5-6). Entendendo que a santidade de Deus fica mais evidente quando comparada à injustiça do homem, alguém poderia tentar justificar o pecado para dar mais glória a Deus. Paulo rejeita tal raciocínio, dizendo que pessoas que pensam assim merecem o castigo (7-8).

O Pecado Deixou o Judeu sem Vantagem (9-18)

Paulo pergunta outra vez sobre a vantagem do judeu (9). Mesmo recebendo tratamento preferencial de Deus (3:2), o judeu não manteve a sua vantagem. Ele, como também o gentio, se entregou ao pecado.

Paulo cita vários versículos do Antigo Testamento para mostrar que o homem – ou melhor, todos os homens – se condena pelo pecado. Entre as citações são referências aos Salmos (14:1-3; 53:1-3; 5:9; 140:3; 10:7; 36:1) e ao livro de Isaías (59:7-8). Quando consideramos os contexto dessas citações, observamos que falam da insensatez de homens que negam a Deus, até imaginando que os seus atos pecaminosos não serão descobertos ou não receberão castigo.

Como os judeus, todos nós temos recebido vantagens imensas pela bondade de Deus. Ele enviou o seu Filho, e revelou a sua palavra para o benefício de todos os homens. Mas se nós nos enganarmos, ignorando os princípios de Deus ou achando que os nossos pecados não terão conseqüências, anularemos estas grandes bênçãos. Se continuarmos praticando pecados, imaginando que esses erros não trarão castigo, negamos a justiça de Deus e a verdade da palavra dele. “Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem...” (3:3-4).


Justo e Justificador (Romanos 3:19-31)

A justiça de Deus exige pagamento justo pelo pecado (e o salário do pecado é a morte – 6:23). Pelo amor, ele paga o preço, oferece perdão e se torna justificador dos pecadores.

O Que a Lei Faz? (19-20)

A lei não traz a salvação, pois ninguém consegue se justificar por obras de mérito. O que, então, a lei faz? Œ Ela cala a boca de todos os judeus;  Mostra que todo o mundo é culpável diante de Deus; Ž Traz pleno conhecimento do pecado, mas não resolve o problema. A lei pode ser comparada a um médico que diagnostica uma doença, mas não dá nenhum remédio.

Jesus Cristo e a Justiça de Deus (21-26)

A lei e os profetas olharam para a justiça de Deus, mas ela se manifestou sem lei. Mediante a fé em Cristo Jesus, todos que crêem têm acesso à justiça divina (21-22). E todos – judeus e gentios – precisam da ajuda do Senhor, pois todos pecaram (22-23). Paulo destaca a igualdade de judeus e gentios, mostrando que não há diferença:

  • Na culpa: Todos pecaram (23)

  • Na necessidade: Carecem da glória de Deus (23)

  • Na salvação pela graça: Sendo justificados gratuitamente (24)

  • Na salvação por Jesus: Mediante a redenção que há em Cristo Jesus (24)

A salvação em Jesus é maravilhosamente complicada. Deus ofereceu o sangue de Jesus como propiciação (algo que satisfaz a ira divina) pelo pecado (25; veja 1:18,27,32). Mas, para ser eficaz contra o pecado, o sangue de Jesus ainda depende da reação do homem: “mediante a fé” (25). A salvação se torna possível somente quando junta a graça e a fé (Efésios 2:8-9). Em Jesus, Deus manifestou a sua justiça (25). A tolerância não mostrou a justiça. Quando Deus deixou os pecados do homem sem castigo, ele estava segurando a sua justiça. Na morte de Jesus, ele mostrou a sua justiça pois seu Filho recebeu “a merecida punição” dos erros dos homens (veja 1:27).

Deus manifestou a sua justiça e, ao mesmo tempo, tornou-se justificador (26). Aqui encontramos uma das mais ricas expressões do caráter de Deus: “para ele mesmo ser justo e o justificador....” A santidade de Deus exige a justiça, e o amor dele oferece a justificação. Em Cristo Jesus, ele conseguiu conciliar os dois lados essenciais do seu caráter. Foi justo em insistir no pagamento de sangue. Torna-se justificador em oferecer o sacrifício de Jesus no lugar dos homens pecadores.

Orgulho Excluído (27-31)

O homem não tem direito de se gabar, pois não merece nada (27-28). Se Deus é tanto justo como justificador, o homem sem Deus não é nem um nem o outro. Nenhum homem se justifica pelas suas próprias obras. A justificação vem pela fé, independente das obras da leis. Ninguém se salva por obras de mérito em obediência perfeita à lei. O único meio da salvação é a fé em Jesus Cristo. Para ser agradável a Deus, esta fé tem de ser ativa e obediente (veja 1:5).

Paulo volta, mais uma vez, à igualdade de judeus e gentios (29-30). Se a lei não justifica, Deus não é o Deus somente dos judeus. Ele oferece a salvação a todos nos mesmos termos. Nem a lei nem a circuncisão justificará alguém. Deus justifica mediante a fé.

A fé anula a lei? Não! A lei é confirmada pela fé. A lei mostrou o problema, e a fé traz a solução!


A Justificação de Abraão (Romanos 4:1-25)

P aulo encerrou o capítulo 3 com a afirmação que a fé confirma e não anula a lei. Ele continua o seu argumento, citando o exemplo do pai do povo da aliança, Abraão. Todos os judeus respeitavam profundamente o pai de sua nação. Mostrando que Abraão foi justificado por fé, e não por obras de lei, Paulo reforça a sua defesa do evangelho entre os judeus.

Abraão justificado por fé (1-8)

Abraão foi justificado por obras de mérito, recebendo o salário justo por suas obras? Não! Deus aceitou a fé dele no lugar de perfeita justiça. Assim Abraão recebeu o favor (graça) de Deus, e não recebeu um salário devido por serviço prestado ao Senhor (1-4). Quando a pessoa confia em Deus, crendo que ele justifica o ímpio, Deus aceita a fé no lugar da justiça (5).

Davi, outro homem muito respeitado entre os judeus, entendeu que um homem abençoado é aquele que recebe o benefício da graça de Deus, o perdão dos seus pecados (6-8). Lembramos que Paulo citou vários salmos para mostrar a culpa do homem (3:10-18); agora cita o salmista para mostrar a dependência de todos na graça de Deus.

Gentios salvos pela fé (9-15)

O pai dos judeus foi justificado pela fé. Como, então, os gentios seriam justificados? Pela lei? Não! Eles também podem ser salvos pela fé.

A circuncisão não salva (9-12). Abraão recebeu a graça de Deus pela fé antes de ser circuncidado (veja Gênesis 12, onde recebeu as promessas, e Gênesis 17, onde recebeu a ordenança da circuncisão 24 anos depois). A circuncisão por si só não serve para nada diante de Deus. É necessária a obediência, andando “nas pisadas da fé que teve Abraão...antes de ser circuncidado” (12).

A lei não salva (13-15). Nem Abraão nem sua descendência receberam o favor de Deus mediante a lei. Se a herança pertencia exclusivamente aos da lei, a promessa e a fé seriam anuladas (compare Gálatas 3:16-18). A lei suscita a ira (15), trazendo conhecimento do pecado (3:20) e encerrando tudo sob o pecado (Gálatas 3:22). Veremos mais sobre isso a partir de 5:13.

Pai daqueles que crêem (16-25)

Abraão é o pai de todos que são da fé, e não apenas daqueles que receberam a lei (16-20). O mesmo Deus que levantou uma nação a um homem “amortecido” (19; veja Hebreus 11:12) poderá levantar uma nação santa de povos já considerados mortos pelos judeus. (O mesmo texto que traz a ordem original da circuncisão, também inclui a promessa ao velho Abraão que seria pai do filho da promessa, e que seria pai de muitas nações – Gênesis 17).

Abraão creu, mesmo nas promessas que pareciam impossíveis, porque confiou em Deus Todo-Poderoso (20-21). Deus aceitou a fé de Abraão como justiça (22).

O mesmo princípio aplica a todos que crêem nas promessas “impossíveis” de Deus, especificamente na ressurreição de Jesus Cristo (23-25). Ele foi: ➊ Entregue por causa das nossas transgressões. ➋ Ressuscitado por causa de nossa justificação.

As nossas transgressões causaram a morte de Jesus. Num sentido, a nossa justificação, feita pelo sacrifício dele, “causou” a sua ressurreição. Uma vez cumprida a sua missão, ele foi ressuscitado de entre os mortos, mostrando para todos a base da esperança dos crentes.


Jesus Vive para Salvar (Romanos 5:1-21)

No capítulo 5, Paulo destaca o poder de Jesus vivo para ajudar os discípulos perdoados, e apresenta uma série de pontos de contraste entre Adão e Jesus.

O Poder de Jesus Vivo (1-11)

O pecado nos separou de Deus. Agora o resultado da nossa justificação é a comunhão e paz com ele (1). Por intermédio de Jesus, temos a esperança da glória de Deus (2).

Também gloriamos nas coisas que nos levam à esperança: tribulações, perseverança e experiência (3-4). Se, pelo sofrimento da morte, Jesus chegou à glória, nós podemos encarar sofrimento em nossa vida com a mesma confiança ( Hebreus 12:1-3).

Temos convicção da esperança, porque ela se baseia em Deus (5-8):

● Deus derramou o seu amor (5)
● O Espírito Santo revelou este amor (5)
● Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores (6-8)
● Na morte de Jesus, o amor de Deus foi revelado (8). Que amor sobrenatural! Quando éramos pecadores, lutando contra a santidade e a bondade de Deus, Cristo morreu por nós.

Muito mais agora (9-11). Preste atenção nesses versículos. O ensinamento de Paulo aqui conforta e anima o servo de Deus. No passado, Cristo demonstrou seu poder para salvar os pecadores (inimigos) pela sua morte. No presente, ele demonstra ainda mais poder para salvar os justificados (reconciliados, amigos) pela sua vida. Paulo não vê a obra redentora de Cristo como apenas o sacrifício feito na cruz. Jesus vive e age ao nosso favor. Ele é nosso Advogado (1 João 2:1) e intercede por nós (8:34). Jesus morreu para nos salvar, e vive para nos salvar!

Adão e Jesus (12-21)

Vamos observar primeiro o conteúdo deste trecho, e depois fazer algumas observações sobre as distinções apresentadas.

Adão trouxe o pecado ao mundo, e o pecado trouxe a morte. Todos morrem, porque todos pecam (12).

O pecado já existia antes da Lei dada por intermédio de Moisés, provando que já havia lei governando todos os homens (13-14). A morte já reinou de Adão a Moisés, mostrando que Deus levou em conta o pecado naquela época. Mas, os pecados dos outros não eram o mesmo cometido por Adão. Ele violou uma lei (Gênesis 2:16-17); eles violaram outras.

Adão “prefigurava aquele que havia de vir” (14). Pelo ato único de violar uma lei especial, ele trouxe conseqüências sobre todos. Jesus, como Paulo mostrará nos versículos seguintes, por um ato único de obedecer o Pai, trouxe bênçãos para todos. Como a ofensa trouxe a morte a muitos, o sacrifício de Jesus trouxe a vida a muitos (15).

O dom é superior à ofensa. Uma ofensa causou o sofrimento de muitos. A graça responde a muitas ofensas e traz a justificação (16). Pela ofensa de Adão, a morte reinou sobre os homens. Pelo ato de Jesus, os homens reinam sobre a morte (17).

Participação de morte e de vida (18-19). Neste trecho, Paulo fala de dois sentidos de morte e dois sentidos de vida. Pelo pecado de Adão, a morte física passou a todos os homens. Pela ressurreição de Jesus, todos os homens serão ressuscitados (fisicamente – veja 1 Corínitos 15:20-22). Todos que participaram do pecado participam também da morte espiritual. E todos que participam da obediência de Cristo se tornam discípulos e participam também da vida espiritual.

A lei enfatiza o pecado, mas a graça é maior ainda (20). O pecado reinou na morte, mas a graça reina pela justiça (de Cristo) para a vida eterna (21). A graça e sua recompensa são superiores ao pecado e sua conseqüência!


Ressuscitados com Cristo (Romanos 6:1-23)

Se a abundância do pecado possibilitou a superabundância da graça (5:20), alguém poderia deduzir, por uma lógica destorcida, que Deus seria glorificado ainda mais pelo pecado do homem. Paulo responde a essa idéia no capítulo 6, mostrando que o propósito da graça é a libertação do pecado.

Ressuscitados com Cristo (1-7)

O servo de Cristo deve viver no pecado para que a graça se torne ainda mais abundante? (1) Absolutamente não! O discípulo de Cristo já morreu para o pecado (2).
O processo de morrer para o pecado é o mesmo que possibilita a vida em Cristo (3-6). Estes versículos são importantes para entender como Deus nos dá a vida, e como participamos da nossa própria salvação. Paulo usa a morte, o sepultamento
e a ressurreição de Cristo para explicar a nossa salvação. Jesus morreu, foi sepultado e depois ressurgiu para uma nova vida. Nós imitamos o exemplo dele. Morremos para o pecado, somos sepultados no batismo e ressuscitados para uma nova vida.

Neste texto, o Espírito Santo colocou o batismo entre o pecado e a vida em Cristo. O batismo não é obra de mérito pela qual a própria pessoa ganha a salvação. É obra de obediência pela qual recebemos o perdão dos pecados pela graça de Deus. Isso não nos surpreende, pois ele falou através do livro sobre a necessidade da obediência (1:5; 2:7-8; 6:16-17; 10:16; 15:18; 16:19,26). Outros textos mostram a importância do batismo para o perdão dos pecados (Atos 2:38; 22:16), para obter a salvação (Marcos 16:16; 1 Pedro 3:21) e para entrar em comunhão com Cristo (Gálatas 3:27).

Esse ensinamento sobre o batismo é importante, mas o argumento principal aqui visa a nova vida da pessoa já ressuscitada. Paulo escreve a cristãos, mostrando a importância de viver como pessoas resgatadas do pecado. O velho homem do pecado foi crucificado com Jesus (6). Deixamos a escravidão ao pecado quando recebemos a justificação (6-7).

A Vida em Cristo (8-11)

Participamos da vida espiritual em Cristo. Ele nos dá: 1. A esperança da vida eterna (8); 2. A vitória sobre a morte (9). 3. A comunhão com Deus (10-11).
O Pecado Não Domina (12-14)
Uma vez ressuscitados com Cristo, cabe a nós rejeitar o pecado. Na nova vida, não devemos deixar o pecado reinar (12). Não devemos nos oferecer ao pecado como servos da iniqüidade (13). O novo homem, ressusci-tado, deve ser servo de Deus (13).
O pecado não domina a pessoa que vive debaixo da graça, como dominava as pessoas que viviam sob a lei (14).

A Liberdade dos Servos (15-23)

A liberdade da lei não autoriza a libertinagem (15). Todos nós somos servos, ou do pecado ou da justiça (16-18). O servo do pecado é “livre” (não participa) da justiça e da vida. O servo da justiça é livre do pecado e da morte (veja versículos 20-23).
Da mesma maneira que dedicamos os nossos corpos ao pecado, no passado, devemos nos dedicar à justiça e à santificação em Cristo (19). O escravo do pecado se afasta da justiça (20). Os resultados são a vergonha e a morte (21,23).
O servo de Deus, porém, foi libertado do pecado (22). O caminho dele leva à santificação e à vida eterna (22-23).
O salário (merecido pelo homem) do pecado é a morte. O dom gratuito de Deus (não merecido pelo homem) é a vida eterna.
Esta vida vem somente por meio de Jesus Cristo (23). Paulo frisa, de novo, o ponto principal desses primeiros capítulos. Tanto judeu como grego depende de Cristo para a salvação. Sem Jesus, ninguém será salvo.


Libertados da Lei (Romanos 7:1-11)

Tanto o pecado como a lei são associados à morte (5:12,21; 6:14; 7:10-11; veja Gálatas 3:10). Por outro lado, a fé em Cristo leva à ressurreição e à vida (6:4,8,9,23). É somente em Cristo que morremos à lei e ao pecado para ter a vida.

Não Sujeitos à Lei (1-6)  

“De modo nenhum”: Esta resposta aparece sete vezes no livro (6:2,15; 7:7,13; 9:14; 11:1,11). É uma expressão forte que Paulo usa para evitar conclusões falsas por parte de seus leitores, e normalmente para introduzir uma nova fase do argumento.

Os mortos não são sujeitos à lei (1). Para ilustrar esse fato, Paulo introduz aqui a lei do casamento (2-4). A morte interrompe o laço de lei. As pessoas que já morreram em relação à lei não são mais obrigadas a guardá-la. No meio da ilustração, ele muda o sentido um pouco, mostrando que a pessoa viva (a viúva, neste caso) fica livre para ser ligada a outro (marido). Uma vez morta à lei, a pessoa pode ser ligada a Cristo, mas não pode continuar com a lei e com Cristo ao mesmo tempo.

Esta ilustração serve, também, para frisar a vontade de Deus para o casamento. O casamento é para a vida toda, e deve ser interrompido somente pela morte de um dos cônjuges. O outro (viúvo ou viúva) pode casar-se de novo sem pecar. Mas, se casar de novo enquanto o primeiro marido vive, torna-se adúltera. Neste trecho ele não trata da exceção dada por Jesus em Mateus 19:9. Podemos observar, também, que o laço de obrigação é com a lei conjugal (de Deus), e não somente com o cônjuge. Por isso, a pessoa divorciada geralmente ainda não tem autorização de Deus para casar de novo, e o segundo casamento se caracteriza como adultério (Lucas 16:18; Marcos 10:2-12; veja Marcos 6:17-18; Malaquias 2:14,16).

Antes de uma pessoa morrer para o pecado, o pecado produzia o fruto da morte (5). Depois de ser libertada do pecado e da lei, a mesma pessoa passa a servir a Deus (6). Vive na novidade de espírito (a fé, o evangelho, Cristo), não na caducidade da letra (a lei, o pecado, a morte).

Embora todos nós estivéssemos sujeitos ao pecado, somente os judeus estavam sujeitos à lei que Paulo cita aqui. Ele mostrará no próximo parágrafo a qual lei se refere.

A Lei ≠ Pecado (7-11)

Uma vez que a liberdade da lei é comparada à liberdade do pecado, alguém poderia concluir que são a mesma coisa. Paulo tira essa dúvida: “É a lei pecado? De modo nenhum!” (7). A lei não é pecado, mas ela torna o pecado conhecido. Paulo cita o exemplo de cobiça (7).

Qual lei? Alguns ensinam que alguma parte da lei dada no Monte Sinai continua em vigor hoje. Às vezes, sugerem uma distinção artificial entre a lei de Deus (“moral”) e a lei de Moisés (“cerimonial”), dizendo que esta foi removida enquanto aquela permanece. Paulo acabou de dizer que os judeus não estavam mais sujeitos “à lei” (6) e agora cita um dos mandamentos da mesma lei: “Não cobiçarás”. Este mandamento é um dos dez mandamentos (veja Êxodo 20:17), parte da suposta lei moral. Ainda é pecado cobiçar, mas não por causa da lei antiga. É condenada na Nova Aliança que nos guia (Efésios 5:3).

A lei traz a consciência do pecado (8-9) e é ligada à morte (10-11). Quem busca a vida terá que procurar em outro lugar, pois a lei não traz a salvação.


O Homem Desventurado (Romanos 7:12-25)

Paulo era pecador. A lei era contrária a ele e, porém, realmente santa e justa. O que é santo e justo é, necessariamente, bom. No resto deste capítulo, Paulo procura explicar a relação do pecador à lei, frisando claramente a necessidade de um Salvador.

A Lei é Boa (12-14)

Foi a lei em si que matou Paulo? Não! O pecado causou a sua morte (12-13). O pecado é maligno, enquanto a lei é boa. A lei é espiritual, mas o homem pecador é carnal (14).

A Lei X O Pecado (14-24)

Este trecho desafia o estudante. Paulo fala aqui sobre a sua situação na época que escreveu ou sobre a sua situação no passado, antes de ser salvo por Jesus? Considere:

1. Há uma batalha na vida do cristão, em que este peca e não faz tudo que quer em serviço a Deus (veja Gálatas 5:17; 1 João 1:8-10; Efésios 6:12). Se Paulo falasse aqui apenas desta batalha, daria para entender como a circunstância atual do cristão.

2. Mas Paulo não fala somente de batalha. Fala da escravidão, do domínio do pecado, do fracasso, etc. Estas palavras sugerem a situação dele antes de conhecer Cristo. Note os contrastes na tabela abaixo.

Concluímos, então, que Paulo refere-se, aqui, ao problema do homem pecador sem Cristo. Mesmo o homem que quer fazer o bem não tem força suficiente para vencer o pecado e guardar a lei. “Não há justo, nem um sequer” (3:10). O homem que procura se justificar pelos atos de mérito será vencido pelo pecado e consumido pela morte.

Qual a solução? O entendimento do problema do pecado, que Paulo conseguiu pela lei, leva o pecador ao grito desesperado: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (24)

A Única Resposta (25)

A resposta, a única resposta, a única resposta para qualquer pessoa (tanto judeus como gregos): “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” (25). Deixado sozinho, Paulo ainda serviria a Deus com a mente, mas não se livraria do pecado.

Mas ele não foi deixado sozinho. O capítulo 8 mostra como Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) ajuda o cristão a fazer a vontade de Deus.

Antes (sob o pecado/no regime da lei)

Agora (sob a graça de Cristo)

Sou carnal (7:14)


Vivíamos segundo a carne (7:5)

Não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito (8:4)

Os que estão na carne não agradam a Deus (8:8)

Se está na carne, não é de Cristo! (8:9)

Não somos constrangidos a viver segundo a carne, que leva à morte (8:12-13)

Nada disponhais para a carne (13:14)

Vendido à escravidão do pecado (7:14)

Outrora, escravos do pecado (6:17,20)

Escravidão da impureza (6:19)

Não somos escravos do pecado (6:6)

Libertados do pecado (6:18,22)

Servos da justiça (6:19)

O pecado habita em mim e controla as minhas ações (7:15-23)

O Espírito habita no cristão e o guia (8:9-15)


O Espírito X A Carne (Romanos 8:1-17)

No final do capítulo 7, Paulo disse que Jesus Cristo é a resposta à necessidade mais urgente do homem: a libertação da morte espiritual (7:24-25). O capítulo 8 afirma que Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) trabalha para a salvação dos fiéis. É um capítulo que consola todos que lutam contra o pecado no serviço ao Senhor.  

Livres em Cristo (1-4)  

Aqueles que estão em Cristo foram libertados de:

(a) Condenação (1)

(b) A lei do pecado (2)

(c) A lei da morte (2)  

Em Cristo, Deus fez o que a lei não podia fazer (3-4). Jesus veio na carne para fazer o que a lei não fez por causa da fraqueza da carne. Deus, através de Jesus, condenou o pecado. Assim ele cumpre o propósito da lei em nós. A lei era oposta ao pecado (condenou o pecado), mas não venceu o pecado. As pessoas sujeitas à lei ainda andavam na carne, sujeitas à morte. Em Jesus, Deus condenou e venceu o pecado. Aqueles que participam dessa vitória andam segundo o Espírito, não segundo à carne.  

Espír ito X Carne (5-17)  

Este trecho apresenta vários pontos de contraste entre a carne e o Espírito (estude a tabela abaixo).

Carne Espírito

Os que inclinam para a carne cogitam das coisas carnais (5)

Os que inclinam para o Espírito cogitam das coisas espirituais (5)

O pendor (inclinação ou tendência) da carne leva à morte (6)

O pendor do Espírito leva à vida e à paz (6)

Inimizade contra Deus (7)

Os fiéis estão no Espírito (9)

Não sujeito à lei de Deus (7) hhh
Não agrada a Deus (8) hhh
Não pertence a Cristo (9) Cristo habita nos fiéis (10)
Corpo morto por causa do pecado (10) O espírito é vida por causa da justiça (10)
hhhh

O Espírito de Deus ressuscitará o corpo daqueles em que ele habita (11)

Aqueles que vivem segundo a carne caminham para a morte (12)

Aqueles que, pelo Espírito, matam os feitos da carne, caminham para a vida (12)

hhh Os filhos são guiados pelo Espírito (13)
Aqueles que andam segundo a carnesão escravos, atemorizados (14)

Os filhos andam segundo o Espírito e gozam intimidade com Deus (14-16)

hhh

Os filhos de Deus são seus herdeiros, e serão glorificados com Cristo (17)


Sofrimento e Esperança (Romanos 8:18-25)

No versículo 17 (veja o artigo sobre Romanos 8:1-17 na edição anterior), Paulo falou do nosso sofrimento em relação ao sofrimento de Cristo, e também em relação à esperança da glória. Neste parágrafo, ele desenvolve este tema, confortando os discípulos com o conhecimento do poder ativo de Deus em nossas vidas. Apesar das angústias na vida presente, o servo do Senhor tem esperança e confiança da glória por vir. Considere os contrastes apresentados na tabela abaixo.

A Ardente Expectativa

A expressão "ardente expectativa" usada no versículo 19 vem de uma palavra grega que significa "olhar ou vigiar com a cabeça separada (ou com o pescoço estendido)", como uma pessoa olha em grande esperança para a chegada de alguém. Se a criação em geral aguarda com tanta expectativa a glória preparada por Deus, como nós devemos nos esforçar para alcançar a bênção da presença eterna do Senhor!


Mais Que Vencedores! (Romanos 8:26–39)

“Se Deus é por nós, quem   será contra nós?” (31). O homem precisa de livramento (7:24) que vem somente em Jesus Cristo (7:25). Uma vez resgatado da escravidão na carne, anda segundo o Espírito (8:1-4) como um filho e herdeiro de Deus (8:14-17). Ainda depois de receber a grande bênção da redenção, os filhos de Deus sofrem num mundo corrompido pelo pecado, esperando com paciência a libertação final (8:17-25).

Na situação atual do discípulo de Jesus, o que Deus faz para ajudar? Lembramos que ele faz “muito mais agora” para nos levar à salvação eterna (5:6-11). Estes últimos versículos de Romanos 8 nos asseguram que Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – continua ativo para nos proteger e nos salvar.

O Espírito Intercede por Nós (26-27)  

Há momentos em que não achamos as palavras para expressar os nossos sentimentos. Se acontece na comunicação entre seres humanos, muito mais quando o homem tenta comunicar com Deus. O Espírito vai além das palavras para comunicar a Deus o que nós não conseguimos. 

Deus Dá Tudo para Nos Salvar (28-33)  

Em momentos de angústia, é difícil ser otimista. Mas, o servo de Deus pode olhar para além das dificuldades atuais e confiar na sabedoria do Deus eterno que o ama. Desde a eternidade, ele trabalha para o nosso bem. E ele não mede esforço! Deu seu próprio Filho para nos salvar e obviamente não recusará qualquer outra coisa que seja necessária para a nossa salvação. O terrível acusador foi expulso da presença de Deus (Apocalipse 12:10), e ninguém consegue condenar os herdeiros de Deus.  

Jesus Também Intercede por Nós (34-39)  

Jesus morreu, ressuscitou-se e está à destra do Pai intercedendo por nós! Ele venceu os inimigos, até a própria morte. Sabendo do poder ilimitado de Jesus, “Quem nos separará do amor de Cristo?” (35). Mesmo na hora de ser entregue ao matadouro, o cristão tem a confiança da vitória. Nenhum sofrimento e nenhuma criatura podem nos separar do amor de Cristo.  

“Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (37).


Deus: Fiel e Justo (Romanos 9:1-18)

O capítulo 8 nos assegura do poder e do desejo de Deus de salvar o pecador. Como, então, seria possível algum israelita, alguém do povo escolhido, não ser salvo? Neste capítulo, Paulo mostra por que alguns descendentes (segundo a carne) de Abraão seriam perdidos.

Os Judeus Incrédulos (1-5)

A condição espiritual de alguns parentes de Paulo causou-lhe dor constante. Se fosse possível, ele até daria a sua própria alma para salvá-los (1-3). Mas não podemos tomar decisões por outros, nem obrigar alguém a ser salvo. Os parentes e compatriotas dele eram israelitas. Receberam todas as vantagens dadas por Deus aos judeus. Mesmo assim, não aceitaram a salvação em Cristo (4-5).

Deus Não Falhou (6-13)

O problema não é a palavra de Deus (6). O problema é que alguns israelitas não são israelitas! (7). Aqui Paulo faz a mesma distinção que encontramos em passagens como João 8:39-40,44, Romanos 2:28-29 e Gálatas 3:26-29. Israelitas verdadeiras são os descendentes espirituais (da promessa) de Abraão, e não os descendentes segundo a carne (7-8).

Deus escolheu os filhos da promessa. Escolheu Isaque e Jacó, assim rejeitando Esaú (9-13). Nenhum judeu reclamaria porque Deus escolheu um filho (Jacó) e rejeitou o outro (Esaú). Mas se ele escolher gentios e rejeitar judeus, alguns o acusariam de injustiça!

Deus É Justo (14-18)

Deus tem direito de mostrar misericórdia para qualquer um, conforme a sua própria vontade. Quando ele exerce esse direito, ele continua sendo justo (14-18). Ele não foi injusto por condenar os judeus incrédulos.

Estes versículos são facilmente distorcidos para ensinar que Deus simplesmente decidiu condenar alguns e salvar outros, e que a pessoa não pode fazer nada para efetuar a sua própria salvação. Ironicamente, o contexto argumenta ao contrário. Ao invés de defender um sistema diferenciado em que Deus salva e condena conforme seu próprio capricho, o argumento de Paulo é que ele salva judeus e gentios igualmente. O pecado do homem é culpa do homem (3:23), e a morte do homem é conseqüência do pecado (5:12). A justiça de Deus destruiria todos, se Jesus não tivesse se oferecido para aplacar a ira divina (3:26). Quando Deus mostra a sua misericórdia e salva todos que aceitam o evangelho, ele continua sendo justo. Deus é o mesmo e o evangelho é um só. A diferença se encontra na reação dos homens à mensagem de Deus.

Considere a injustiça dos próprios judeus. Se Paulo tivesse escrito um livro dizendo que os gentios seriam rejeitados como Ismael, Esaú ou o Faraó, os judaizantes não teriam nenhuma diferença com ele. Mas quando ele defendeu a salvação dos gentios nos mesmos termos dos judeus, ficaram totalmente revoltados!


Os Vasos de Misericórdia (Romanos 9:19-33)

A primeira parte deste capítulo mostra que Deus, sendo justo, pode mostrar misericórdia para qualquer homem – até para os gentios. Quando Deus, na sua misericórdia, oferecia algumas vantagens grandes aos judeus, eles não reclamaram. Agora que ele oferece bênçãos espirituais a todos – judeus e gentios – alguns podem distorcer o sentido da misericórdia e acusar Deus de injustiça. Neste trecho, Paulo responde a estas objeções.

Devemos lembrar do princípio já estabelecido nos primeiros capítulos do livro. Se for aplicar apenas a justiça de Deus, todos os homens seriam perdidos, pois todos pecaram (3:23) e o pecado leva à morte (6:23). Quando se trata de misericórdia, o pecador é poupado e não sofre a conseqüência de seu erro, pela bondade não merecida que Deus lhe oferece. Nem judeu nem gentio pode se justificar e satisfazer a justiça de Deus. Ambos dependem da graça, da misericórdia, demonstrada no sacrifício de Jesus, pelo qual Deus se mostra justo e justificador (3:25-26).

O Oleiro e os Vasos (19-29)

Aqui Paulo reconhece que alguém, na arrogância humana, poderia culpar Deus por exercer seu direito de mostrar misericórdia. Uma possível objeção: Se Deus aceita e rejeita quem ele quer, como ele pode condenar alguém? Não foi o próprio Deus que decidiu tudo? (19). Esta objeção não é tão diferente da doutrina, muito difundida hoje, da predestinação, que sugere que a salvação e a condenação dos homens dependem somente do capricho de Deus. Pessoas que defendem tais idéias precisam ler a repreensão dada aqui por Paulo.

Da mesma maneira que o oleiro decide que tipo de vaso fazer, Deus tem todo direito de definir quais pessoas ou grupos de pessoas receberão a sua misericórdia. Quando ele decidiu salvar os crentes (judeus e gentios) e condenar os descrentes (judeus e gentios), ele agiu dentro de sua soberania (20-21). Deus tem direito de determinar a hora para castigar os malfeitores, como também para salvar os fiéis (22-23).

Os cristãos, sejam judeus ou gentios, são aqueles que receberam a misericórdia dele (24). Deus fez, na salvação dos gentios, exatamente o que Oséias previu na sua profecia (25-26). Oséias jamais sugeriu a salvação sem obediência. Os que receberam a misericórdia de Deus foram os mesmos que se arrependeram e se converteram ao Senhor (Oséias 14:1-4). Nessas condições, Deus mostrou a sua misericórdia.

Quanto aos judeus, Deus salvou o restante que se converteu, e castigaria os outros, que o rejeitaram, exatamente como profetizou Isaías (27-29). Isaías 1:9, citado no versículo 29 aqui, mostra que a justiça de Deus teria destruído todos os judeus. Foram salvos pela graça. Quem depende da graça não pode se queixar da salvação dos outros!

Salvação pela Fé (30-33)

A conclusão: 

    - Os gentios não buscavam a salvação, mas alguns a alcançaram pela fé (30). 
    - Os judeus buscavam a salvação na lei, mas não a encontraram (31).

Por que? Porque a salvação não vem pelas obras da lei. Quando tentaram se salvar pela lei, rejeitaram a salvação em Cristo, a “pedra de tropeço” (32-33).


Um Povo Rebelde (Romanos 10:1-21)

Para os israelitas que procuravam ser justificados pela lei, a justiça ficou fora de seu alcance (9:31). Mas em Cristo, a justiça chega perto e pode ser alcançada pela fé. Paulo deseja a salvação dos israelitas, mas entende que é possível somente por meio de Jesus.

Zelo sem Entendimento (1-4) 
Paulo não negou a perdição daqueles que confiavam na lei, mas ele queria que todos fossem salvos (1).

Os israelitas mostraram zelo por Deus, mas não segundo o entendimento do plano do Senhor. Ao invés de aceitar a justiça de Deus, eles procuraram, em vão, estabelecer o seu próprio sistema
de justiça (2-3).

Essa descrição dos judeus se aplica bem a muitas pessoas religiosas hoje. Muitas pessoas zelosas ainda andam conforme doutrinas humanas. Da mesma maneira que os judeus precisavam abrir os seus corações para examinar as suas crenças, todos nós devemos ser abertos para aprender melhor e mudar as nossas convicções para fazer a vontade de Deus. Corações orgulhosos e mentes fechadas impedem a salvação de muitos.

Muitos judeus não compreenderam a relação de Cristo à lei. Jesus veio em cumprimento da lei, e apenas aqueles conduzidos a ele serão salvos (4).

A Única Salvação (5-15) 
Conforme a lei, aquele que praticar a justiça viveria, mas ninguém (exceto Jesus, é claro) alcançou a perfeição sob a lei. Deus enviou Cristo pela graça (5-8). 

A salvação não depende da obediência perfeita à lei, e sim da fé em Cristo (9-11). 

A ênfase neste contexto está na fé em Cristo, em contraste com a confiança na lei. Usar este trecho para criar um falso contraste entre a fé e a obediência a Cristo (batismo, etc.) é distorcer o sentido e esquecer do contexto.

A mesma mensagem salvadora que vale para os judeus também vale para os gentios (12-13). É questão da natureza de Deus. O mesmo Senhor bondoso oferece a salvação a todos. Homens iguais com pecados iguais merecem a mesma morte. O Senhor oferece um único meio para salvá-los: a fé em Cristo.

A compreensão da natureza universal do evangelho exige que ele seja pregado a todos (14-15). Os servos de Deus têm a responsabilidade de divulgar a boa nova.

A fé em Cristo (16-21)
Se o Criador de todos oferece um único meio de salvação igualmente a todos, podemos imaginar que todos seriam salvos? Não. Porque nem todos reagem ao evangelho do mesmo modo. Até o Velho Testamento é testemunha a esse respeito (16; veja as citações dos profetas, salmos e dos livros da Lei nos versículos seguintes).

A fé cresce somente quando a palavra é pregada, e a palavra que precisa ser pregada é a de Cristo (17). Todos ouvem a palavra de Deus através da criação (18; Salmo 19:4; Romanos 1:18-21).

Os israelitas não devem se admirar que Deus tenha oferecido a salvação aos gentios, pois ele falou disso por meio das profecias do Velho Testamento (19- 20). Deus não esqueceu Israel. Os israelitas se mostraram rebeldes e esqueceram de Deus (21).        


A Rejeição de Israel (Romanos 11:1-16)

Paulo continua a sua explicação da posição dos judeus diante de Deus.

O Remanescente (1-5)

Deus não rejeitou os judeus, porque um resto foi salvo. Os judeus não acharam Deus injusto quando rejeitou a maioria na época do profeta Elias, pois sabiam que os injustos não mereciam estar com Deus. Deus mostrou a sua bondade poupando 7.000 fiéis que não serviam aos ídolos. Aqueles que mostraram a sua fé foram poupados. Em Cristo, os judeus que acreditam em Cristo são salvos. A eleição não foi aleatória, um ato do capricho de Deus. Os eleitos são aqueles que aceitam a palavra de Deus.

A Eleição da Graça (5-10)

O remanescente alcançou a salvação pela graça (6). O ponto difícil para os judeus não foi a idéia de eleição em si, pois gozavam a posição de “eleitos” desde as promessas a Abraão e, mais ainda, desde a libertação do Egito. Eles tropeçaram em dois pontos: (a) Quem seria eleito (a inclusão de gentios em igualdade com judeus), e (b) Qual seria a base da eleição (graça X obras da lei).

Paulo divide os judeus em duas categorias (7): (a) A eleição e (b) Os endurecidos. Este contraste mostra que a eleição é conforme a resposta do homem, e não pelo capricho de Deus. Ele cita passagens do Velho Testamento para descrever os endurecidos (8-10): Deuteronômio 29:4 fala dos corações duros, mesmo depois de todas as provas que Deus lhes deu durante 40 anos no deserto; Salmo 69:22-23 fala das atitudes erradas daqueles que crucificaram o Messias. Deus não rejeitou Israel. Israel (com exceção do remanescente) rejeitou Deus.

A Esperança (11-16)

Ainda houve esperança pelos judeus que rejeitaram Jesus (11). Da mesma forma que Deus usou a lei para conduzir o homem à fé, ele usou a rejeição pelos judeus para conduzir muitos à salvação (11-12). Quando os judeus rejeitaram a palavra, a porta foi aberta aos gentios. Quando os gentios aceitaram o evangelho, os judeus sentiram ciúmes (11). Mas a história não terminou ali. Se a rejeição por parte dos judeus abriu uma oportunidade para os gentios, a volta dos judeus mostraria ainda mais a grandeza da graça de Deus (12). Paulo queria usar o exemplo da obediência dos gentios para incentivar a obediência de alguns judeus (13-14). Mesmo sendo apóstolo aos gentios, ele não esqueceu dos seus compatriotas (cf. 9:1-5).

A rejeição pelos judeus trouxe salvação ao mundo? Paulo se refere aqui (15) ao seu próprio ministério de levar a palavra aos gentios. Quando os judeus o rejeitaram, ele se dedicou à pregação aos gentios (cf. Atos 13:46-49; 28:24-29; Romanos 1:16). Como seria maravilhosa a salvação dos judeus (15-16). Duas ilustrações mostram que o povo ainda pode ser aceito: (a) A aceitação das primícias sugere a santificação da massa toda; (b) Se a raiz for santa, os ramos também seriam santos.

Quem são as primícias ou a raiz aqui? Quando consideramos o argumento maior de Paulo sobre a fé de Abraão (veja 4:1 em diante), parece provável que a raiz seja Abraão e os patriarcas. Ele foi justificado por fé. Qualquer outro judeu justificado por fé faria parte do ramo santificado. Novamente, o exemplo da fé de Abraão oferece esperança a todos!


Quebrados e Enxertados (Romanos 11:17-36)

Uma vez que Paulo defendeu a salvação dos gentios e mostrou que muitos judeus haviam rejeitado Cristo, há perigo de os gentios se acharem superiores aos judeus. Vamos ver os comentários de Paulo para prevenir a arrogância entre os crentes gentios.

Ramos Enxertados (17-24)

Alguns ramos (judeus) foram quebrados, e ramos bravos (gentios) foram enxertados na mesma oliveira (17). Os novos ramos não têm direito de se orgulhar, pois eles dependem da raiz, e não vice-versa (18). O fato de serem enxertados não sugere algum mérito dos gentios e não os coloca acima dos judeus (19). A diferença é questão de fé, não de mérito: alguns judeus foram quebrados por falta de fé e alguns gentios foram enxertados por causa de fé (20). Para ficar na oliveira, os gentios teriam que manter o seu temor de Deus. Ele não poupou os judeus incrédulos e rejeitará os gentios se eles se tornarem incrédulos (21).

Paulo frisa os dois lados do caráter de Deus (22): a severidade para com aqueles que caíram e a bondade para com os que crêem. Mas essa bondade é condicional. Qualquer noção da impossibilidade da apostasia cai aqui. Para alcançar a vida eterna, a pessoa tem de manter a sua fé ativa. Se voltar ao pecado, será cortada da fonte da vida.

E agora uma mensagem de esperança. Mesmo aqueles que já rejeitaram Jesus podem mudar e ainda receber a salvação (23). Se não permanecerem na incredulidade, os judeus ainda terão a salvação em Cristo! Uma aplicação: Deixe a porta aberta! Muitas vezes, sentimos frustrados quando ensinamos a palavra e a pessoa não se converte a Cristo. Mesmo depois de ensinar tudo que podemos, devemos deixar a porta aberta. Se a pessoa, futuramente, mudar de idéia, ainda pode alcançar a salvação.

Se Deus achou lugar para os ramos bravos na oliveira, certamente estaria disposto a enxertar de novo os ramos naturais que se arrependerem (24).

Israel Salvo (25-32)

Paulo ainda combate ao orgulho dos gentios, mostrando que a incredulidade dos judeus abriu a porta para eles (25). Assim, “todo o Israel será salvo” (26-27). Há muitas interpretações erradas desta frase, por falta de consideração do contexto. Paulo estaria dizendo aqui que todos os judeus carnais ainda serão salvos? O contexto prova que não. Ele já mostrou que Israel não é o povo carnal, e sim o povo espiritual (2:28-29; 9:6-8; compare Gálatas 3:29). A salvação de judeus seria possível somente através da fé deles, como mostram as citações do Velho Testamento (26-27; veja Isaías 59:20-21, que mostra a salvação daqueles que se convertem num contexto que demonstra a culpa dos judeus rebeldes). E os judeus carnais? São inimigos em termos do evangelho, pois o rejeitaram, mas ainda foi através deles que Deus cumpriu as promessas aos patriarcas (28-29). A salvação de judeus seria possível nos mesmos termos da salvação dos gentios: aqueles que deixarem a sua desobediência e confiarem na misericórdia de Deus serão salvos (30-32).

A Sabedoria Divina (33-36)

Tudo isso ainda é difícil de compreender? Devemos lembrar que vem de Deus, que é muito superior a nós (33-36). Leia Isaías 55:8-9; 40:13-14.


Sacrifícios Agradáveis (Romanos 12:1-21)

Judeus e gentios são salvos somente pela graça de Deus. Por isso, todos os remidos devem se entregar ao Senhor como sacrifícios vivos e agradáveis.

Transformados (1-2)

A misericórdia de Deus em salvar pecadores exige uma resposta de gratidão. O cristão deve se apresentar a Deus como sacrifício vivo. Não deve se conformar com o mundo, pois se transforma pela vontade de Deus.

Funções Diferentes (3-8)

Os membros de um corpo são diferentes, mas interligados para cooperar para o bem do organismo. Cada membro do corpo de Cristo é diferente, mas todos têm seus papéis para cumprir. Paulo cita exemplos de alguns dons daquela época e de outros permanentes, mas o ponto é o mesmo: cada um deve usar o que recebeu de Deus para lhe servir, e para servir aos outros membros do corpo.

Neste trecho encontramos um princípio importante sobre o nosso serviço. Não devemos agir com orgulho, nos achando melhores que os outros (3). O mesmo versículo mostra que devemos evitar o outro extremo, de pensar que somos incapazes de fazer algo importante. A abordagem certa é uma perspectiva realista e equilibrada: pense com moderação. Mesmo quando reconhecemos a habilidade de fazer alguma coisa, devemos lembrar que é dom que Deus nos deu!

Servir com Amor (9-21)

Este trecho é um dos mais práticos da carta aos Romanos. As orientações dadas aqui vêm como aplicação natural dos fatos doutrinários apresentados nos primeiros onze capítulos. Todos os discípulos de Cristo, judeus e gentios, devem as suas vidas à misericórdia de Deus. Devemos viver como servos gratos, dedicando-nos ao serviço humilde. Observemos algumas características desta atitude de servo:

O amor sincero –

    • Sem hipocrisia (9)
    • Cordial e humilde (10,16)
    • Ajudar aos necessitados (13)
    • Simpatia para com os outros (15)
    • Abençoar os inimigos (14,17-21)
    • Procurar viver em paz (18)

A justiça –

    • Detestar o mal (9)
    • Apegar-se ao bem (9)

O zelo –

    • Fervoroso, constante (11)
    • Servir ao Senhor (11)

A perseverança –

    • Regozijar-se na esperança (12)
    • Paciente (12)
    • Orar com perseverança (12)

Pelo amor e pelo sacrifício de Jesus, o nosso Deus misericordioso nos oferece a vida eterna com ele. Em gratidão, devemos nos oferecer como sacrifícios ao Senhor, e como servos humildes dedicados ao povo dele. Esta é “A boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (12:2).


A Dívida do Amor (Romanos 13:1-14)

O princípio dominante deste trecho é o amor. Paulo falou da impor-tância do amor antes de oferecer exemplos de como devemos nos portar (12:9-10) e voltará ao mesmo tema em 13:8-10. Jesus citou o amor nos dois grandes mandamentos, e Paulo o vê como a qualidade fundamental em todo o nosso serviço a Deus.

Sujeição ao Governo (1-7)

O cristão não procura a vingança (12:19-21), pois ela pertence a Deus. Mas ele emprega os governos para trazer a vingança divina contra os malfeitores.

Devemos ser submissos ao governo, pois Deus lhe deu seu poder (1; cf. Daniel 4:32; João 19:11). Resistir aos gover-nantes é desrespeitar a autoridade de Deus (2). O governo deve apoiar os que fazem bem e castigar os que fazem mal. Se fizermos o bem, não teremos motivo para temer (3-4; cf. 1 Pedro 2:13-17).

Paulo não afirmou que os governos sejam sempre bons. Ele identifica a função básica do governo e, mais ainda, a obrigação do cristão de ser submisso às autoridades. Mesmo quando escreveu esta carta, o império romano foi dominado por um dos piores líderes da história, Nero. Nessa situação, não coube aos cristãos se rebelar contra o governo. A vingança pertence a Deus!

O governo, com autorização divina, traz a espada para castigar os malfeitores. Surpreende algumas pessoas encontrar a pena de morte no contexto do amor do Novo Testamento. Lembremos:

Œ O Velho Testamento, também, ensi-nava o amor como a responsabilidade principal, e claramente incluía a pena de morte para os israelitas.

 Desde o início, Deus proibia que os homens matassem um ao outro, mas deu a pena de morte, executada pelos homens, como conseqüência do homi-cídio (Gênesis 9:6). Ele ligou a pena de morte à santidade da vida humana.

Ž A voz do sangue não vingado chega a Deus (Gênesis 4:10-11; Isaías 26:21).

 Mesmo no Novo Testamento, Paulo reconheceu o direito do governo de aplicar a pena de morte (Atos 25:11).  

Deus deu autoridade ao governo. Deve-mos ser obedientes, pagando impostos e respeitando as autoridades (5-7).

Amor ao Próximo (8-10)

O dever primordial do cristão é o amor, um fato fundamental para entender as aplicações dos próximos capítulos. Por exemplo, o amor fraternal exige consideração de irmãos fracos (cap. 14).

Toda a lei de Deus se resume no amor. Adultério, homicídio, furto, cobiça, etc., são atos contra outros que ferem o princípio de amor.

Revestidos do Senhor (11-14)

A vida do cristão deve ser vivida no contexto da eternidade. Cada um de nós está se aproximando ao nosso encontro com Deus. Não devemos brincar com o pecado, nem praticar as obras das trevas que o mundo faz. Jesus usou apelos bem parecidos com estes quando avisou os judeus do castigo iminente em Lucas 17:26-33. Quem vive despreocupado com a eternidade certamente não estará preparado para o seu encontro com o Senhor.


Respeito entre Irmãos (Romanos 14:1-23)

Neste capítulo, Paulo aplica o amor fraternal à convivência de irmãos, quando surgem diferenças.

Acolher os fracos (1-12)

Os que se julgam fortes devem acolher os fracos, mas não para discutir opiniões (1). As questões que Paulo trata aqui envolvem a consciência de irmãos que ainda não reconhecem determinadas liberdades em Cristo. Não são diver-gências sobre doutrinas reveladas por Deus. Não devemos usar este texto para justificar a cumplicidade no pecado, mas devemos ceder em questões de opinião para não ferir a consciência de um irmão mais fraco na fé.

A primeira aplicação: comer carne (2-4). Deus não proibia que o cristão comesse carne (embora proíba comer carne oferecida aos ídolos – Apocalipse 2:14), mas alguns tiveram dificuldade em aceitar esta liberdade. A decisão de comer carne ou não era uma questão particular.

A segunda aplicação: fazer distinção entre dias (5-6). É bem possível que alguns cristãos judeus ainda acharam melhor descansarem no sábado, ou talvez ainda comemoraram alguns dias de festas, possivelmente como feriados nacionais. Paulo ensinou os irmãos a tolerarem tais diferenças de consciência.

Nas instruções sobre tolerância, Paulo diz que devemos: ŒAceitar o débil (fraco), mas não para discutir opiniões (1). Devemos ensinar as doutrinas bíblicas, mas não devemos insistir em defender alguma liberdade não-essencial.  Em questões onde Deus não definiu uma única maneira de agir, respeitar as decisões dos outros (3). Ž Lembrar que o nosso irmão é, primeiramente, um servo de Deus e, como tal, será julgado por Deus (4,10-12).  Respeitar a nossa própria consciência e, acima de tudo, a vontade de Deus, porque pertencemos ao Senhor na vida e na morte (5-9,12).

Devemos evitar abusos desse trecho, tais como: Œ Irmãos teimosos recusarem estudar questões difíceis, alegando serem fracos na fé.  Aplicar esses princípios (onde há diversas opções lícitas) para tolerar doutrinas ou práticas que vão além da permissão de Deus. Ž Não tolerar diferenças em questões de liberdade pessoal.  Insistir em fazer as coisas “do nosso jeito” quando existem outras opções bíblicas.  Julgar os outros com base nas nossas opiniões.

Consciência e Fé (13-23)

Aqui, Paulo leva os mesmos princípios adiante, mostrando o perigo de agir de uma maneira que prejudique um irmão. Não devemos julgar os irmãos, nem devemos fazer com que um deles tropece (13). Mesmo em casos de coisas lícitas, devemos evitar ferir a consciência do irmão. Se insistir em usar todas as nossas liberdades, o nosso bem pode ser desprezado (14-16).

A ênfase no reino de Deus não é a liberdade de comer ou beber alguma coisa, e sim a de participar da justiça e alegria no Espírito Santo (17). Quando servimos a Deus, agradamos ao Senhor e aos homens (18). Desta maneira, promo-vemos a paz e a edificação (19). Se insistir-rmos em usar as nossas liberdades, sem considerar a consciência do irmão, estaría-mos destruindo a obra de Deus (20-21). É melhor abrir mão de algum privilégio do que fazer um irmão tropeçar.

É importantíssimo mantermos a nossa consciência limpa diante de Deus, nada fazendo na dúvida (22-23).


A Prática do Amor (Romanos 15:1-21)

A primeira parte do capítulo 15 continua com as instruções dos capítulos anteriores, mostrando a aplicação prática nas relações entre irmãos. Da mesma maneira que Cristo agiu para agradar a outros e não a si mesmo, nós devemos colocar outros acima de nós, assim demonstrando o verdadeiro amor fraternal.

Edificar o Próximo (1-6)

Os fortes devem suportar os fracos (1). Devem mostrar compaixão, compreensão, paciência e tolerância para com os irmãos que não entendem algumas das liberdades que temos em Cristo.

Quando se trata de edificação, devemos agir para agradar e ajudar o nosso próximo, colocando os interesses dele acima dos nossos (2).

Jesus deu o perfeito exemplo quando colocou os interesses dos homens pecadores acima de seus próprios (3).

Depois de citar a profecia de Salmo 69:9 no versículo 3, Paulo acrescenta um comentário sobre o valor do Velho Testamento. As Escrituras servem para nos ensinar e nos dar consolação e esperança (4).

Embora Paulo tenha mostrado que a Lei do Velho Testamento não salva, e não governa o homem hoje em dia, ele ainda defende a importância do estudo desta parte das Escrituras. Nós não procura-mos um padrão para a igreja no Velho Testamento, mas dele aprendemos muito sobre a importância da fé e obediência do homem, e sobre o caráter de Deus, incluindo a sua fidelidade em cumprir as suas promessas.

O exemplo de Jesus deve ser aplicado na prática em nossas vidas, para que possamos levantar uma voz para o glorificar (5-6; compare João 17:20-21).

Receber os Outros (7-13)

No Espírito de Cristo, quem recebeu pecadores e os fez santos, devemos receber uns aos outros (7). Jesus veio como “ministro da circuncisão” (dos judeus) para cumprir as promessas feitas aos patriarcas (8). Mas essas promessas incluíam a salvação dos gentios, também! (9-12). As citações aqui incluem passagens como Salmo 18:49; 2 Samuel 22:50; Deuteronômio 32:43; Salmo 117:1 e Isaías 11:10.

Paulo acrescenta uma oração pedindo gozo, paz e esperança para os irmãos romanos (13).

Admoestar com Amor (14-21)

Paulo expressa sua confiança na capacidade dos irmãos para admoestar uns aos outros, dizendo que eles demonstram: (a) bondade e (b) conhecimento para isso (14).

O conhecimento não é o suficiente para admoestar alguém! Precisamos de conhecimento junto com um espírito de bondade, realmente querendo o melhor para a pessoa corrigida!

Paulo explicou o motivo de falar com ousadia. Ele não queria deixar nada impedir o trabalho de Deus entre os gentios (15-16).

Paulo se gloriou em Cristo nas coisas de Deus (17-21). Foi Cristo que trabalhou, por intermédio de Paulo, entre os gentios (18). O Espírito Santo confirmou a sua mensagem pelos milagres que Paulo realizou (19). Ele levou a palavra a lugares onde o nome de Cristo, anteriormente, foi desconhecido (20-21).


Cooperando em Cristo (Romanos 15:22 - 16:27)

Nos primeiros 11 capítulos desta carta, Paulo apresentou argumentos doutrinários, mostrando a necessidade universal do evangelho. De 12:1 - 15:21, ele deu diversos ensinamentos práticos, destacando a importância do amor entre irmãos. Ele encerra o livro com comentários sobre seus planos e algumas saudações pessoais.

Planos de Viagens (15:22-29)

A divulgação do evangelho aos gentios em lugares novos impedia a desejada visita de Paulo a Roma (22). Ele achou que a visita seria possível num tempo próximo (23). Ele queria passar por Roma e ficar algum tempo antes de ir à Espanha, mas faria essa viagem depois de voltar para Jerusalém (24-25,28-29).

Paulo ia a Jerusalém levar a coleta oferecida pelos irmãos da Macedônia e da Acaia aos “pobres dentre os santos” naquela cidade (25-28; cf. Atos 24:17; 1 Coríntios 16:1-4; 2 Coríntios 8 e 9).

Ao invés de ter conflitos entre judeus e gentios, devem reconhecer a sua interdependência. Espiritualmente, os gentios deviam muito aos judeus. Materialmente, os judeus agora teriam uma dívida aos gentios.

Pedido de Oração (15:30-33)

Paulo pediu as orações dos romanos para que pudesse: (a) ser livre dos rebeldes na Judéia, (b) fazer seu serviço aos irmãos com uma boa aceitação e, depois, (c) chegar em alegria a Roma.

Saudações Finais (16:1-16)

No capítulo 16, Paulo comenta sobre vários cooperadores no trabalho do reino, incluindo citações de oito mulheres. Entre as pessoas citadas:

Ele pediu que os irmãos apoiassem Febe, que estava indo para Roma.

Priscila e Áqüila arriscaram a vida para proteger Paulo e abriam sua casa para as reuniões de uma igreja (3-5; veja Atos 18; 1 Coríntios 16:19; 2 Timóteo 4:19).

Andrônico (homem) e Júnias (mulher), parentes de Paulo, foram convertidos antes dele (7).

Trifena, Trifosa e Pérside: três mulheres que serviam ao Senhor (12).

Paulo acrescentou saudações de todas as igrejas de Cristo (16). Encontramos aqui um nome ou uma descrição? Alguns grupos religiosos citam este versículo para estabelecer um nome próprio para a igreja (a Igreja de Cristo). É uma descrição (as pessoas que pertencem a Cristo), mas nada no Novo Testamento apóia a prática de estabelecer um nome próprio e exclusivo para a igreja.

Cuidado: Perigo (16:17-20)

Paulo adverte os irmãos sobre o perigo de influências más. Mandou que notassem e se afastassem de pessoas que provocavam divisões contra a vontade de Deus (17). Tais pessoas são egoístas e induzem outros ao erro (18).

Paulo queria proteger os romanos, servos obedientes, enquanto esperavam a justiça de Deus contra Satanás (19-20).

Mais Saudações (16:21-23)

Nestes versículos, Paulo inclui saudações pessoais deTimóteo e outros companheiros.

Oração (16:24-27)

Oração de encerramento ao Deus eterno, que agira desde a eternidade para o benefício dos homens.


ESTUDOS BÍBLICOS     PESQUISAR NO SITE     MENSAGENS EM ÁUDIO    
MENSAGENS EM VÍDEO   
ESTUDOS TEXTUAIS    ANDANDO NA VERDADE  
O QUE ESTÁ ESCRITO?
  
O QUE A BIBLIA DIZ?

O Que Esta Escrito?
 
©1994, ©1995, ©1996, ©1997, ©1998, ©1999, ©2000, ©2001, ©2002, ©2003, ©2004, ©2005, ©2006, ©2007, ©2008, ©2009
 Redator: Dennis Allan, C.P. 60804, São Paulo, SP, 05786-970.

Andando na Verdade
©1999, ©2000, ©2001, ©2002, ©2003, ©2004, ©2005, ©2006, ©2007, ©2008
Redator: Dennis Allan, C.P. 60804, São Paulo, SP, 05786-970

Estudos Bíblicos
estudosdabiblia.net
©2014 Karl Hennecke, USA