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Linguagem e Contexto na Leitura da Bíblia

Meu neto de seis anos estava viajando conosco e se divertindo no banco traseiro do carro. Quando paramos, a mãe dele pediu para ele descer do carro para usar o banheiro. A resposta dele soou muito estranho: “Tudo bem, posso morrer agora”. O quê? Uma criança de seis anos falando de morrer somente porque a mãe pediu para descer do carro?

Contexto é fundamental para entender a linguagem empregada. No caso, meu neto estava jogando no tablet e o jogo dava “vidas” extras como incentivos. Ele tinha “vidas” suficientes que podia interromper o joguinho, até possivelmente “morrendo”, e ainda teria outras vidas par continuar depois de voltar para o carro. Não foi nada de pensamentos de suicídio, nem de achar o posto onde paramos perigoso demais. Foi um comentário inocente que fez sentido no seu contexto, mas que seria mal-entendido fora dele.

Da mesma maneira, pense no significado do contexto quando ouvimos a mãe de uma criança gritar: “Eu vou te matar”. Se ela tiver uma faca na mão e estiver encarando seu filho com muita raiva, teríamos motivo de ficar preocupados. Mas se tiver um chinelo na mão e estiver olhando para uma aranha na parede do banheiro, a nossa conclusão seria completamente diferente.

Precisamos mostrar o mesmo bom senso quando lemos a Bíblia. Um coletâneo de literatura escrito por 40 autores durante 1.500 anos em diversos países e culturas apresenta uma grande variedade de estilos e contextos. Na nossa leitura, é importante prestar atenção para não interpretar os textos de modo completamente errado. Consideremos alguns exemplos.

Provérbios são declarações gerais de verdade, um estilo didático utilizado em muitas culturas. Normalmente, as coisas acontecem conforme o provérbio, mas não são regras absolutas. Entre exemplos atuais estão estes: “Cachorro que muito ladra não morde” (Nunca?); “Panela velha é que faz comida boa” (Sempre?); “A ignorância é a mãe de todos os vícios” (Todos?). As exceções existem, mas os provérbios ainda ensinam verdades. Da mesma maneira, os provérbios na Bíblia oferecem orientações sobre a nossa conduta, mas não são afirmações de verdades absolutas. “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22:6). Normalmente, os filhos dos bons pais são bons, mas sempre acontece? Já conheceu alguma família onde os pais ensinaram bem, mas os filhos se mostraram rebeldes? Se fosse uma garantia absoluta, esse provérbio estaria negando o livre arbítrio dos filhos.

Jesus frequentemente usou linguagem figurada onde objetos comuns serviam para ensinar lições espirituais. Às vezes, ele explicou o sentido das suas parábolas. Em outros casos, ele achou que os ouvintes (ou leitores, no nosso caso) teriam condições de entender a mensagem no seu contexto. Quando ele disse: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem” (Mateus 7:6), ele não estava dando dicas sobre a criação de animais. Os cães e porcos representam pessoas que não apreciam o valor do evangelho. Quando Paulo falou da vinda de Jesus e disse “se, todavia, formos encontrados vestidos e não nus” (2 Coríntios 5:3), ele não estava ensinando as pessoas a dormirem de calça comprida e camisa social! Devemos estar sempre vestidos das boas obras que agradam a Deus e cobertos pela justiça do nosso Senhor Jesus.

Os livros mais complicados para a maioria das pessoas são aqueles que adotam o estilo apocalíptico. Partes de alguns livros do Antigo Testamento (Ezequiel, Daniel, Zacarias etc.) utilizam esse estilo, que foi muito comum na época de Jesus e os apóstolos. O livro mais conhecido desse tipo é o Apocalipse. Muitos erros gravíssimos são cometidos por pessoas que insistem em interpretações literais da linguagem apocalíptica. Os leitores originais, conhecendo o estilo da literatura, jamais entenderiam o livro dessa maneira. Aqueles que ensinam hoje que haverá exatamente 144.000 pessoas no céu, ou que terá um reino literal de 1.000 anos aqui na terra ou uma marca literal de 666 nas testas e nas mãos das pessoas cometem o erro fundamental de interpretar a linguagem sem entender o contexto e o estilo empregado.

Mostramos bom senso na comunicação do dia a dia. Não devemos nos esquecer do mesmo bom senso no estudo da Bíblia!

- por Dennis Allan


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