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Cristãos e as Guerras Culturais

Entendemos que guerras são conflitos, mas a expressão “guerras culturais”, muito usada na mídia, pode ser menos compreendida. Fortes diferenças de opiniões entre dois ou mais grupos em uma sociedade podem ser descritas por esse termo. Vamos ilustrar o conceito com alguns exemplos.

Um dos mais notáveis conflitos envolve a lei conhecida como Xaria ou Sharia. Alguns países de maioria muçulmana aplicam essa lei, baseada no Alcorão, como a lei civil. Outros praticam uma forma de dualismo, onde essa lei é aplicada aos muçulmanos e outras leis se aplicam a pessoas que não seguem essa religião. Conforme cresce a proporção de muçulmanos em países onde a maioria não segue essa religião, os casos de conflito entre opiniões aumentam. Muçulmanos no Brasil devem ter a liberdade de aplicar castigos determinados pelo Alcorão (pena de morte em casos de adultério, homossexualismo, narcotráfico, abandono da fé islâmica etc.), ou o governo deve proteger os “ofensores” com base na Constituição do país? Cidades francesas agiram de maneira certa ao proibir o uso de burquinis nas praias? Restaurantes operados por muçulmanos devem ser obrigados a servir carne de porco em eventos de pessoas de outras religiões?

Outros casos envolvem as crenças de outras religiões. Fotógrafos cristãos que consideram relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo pecaminosas devem ser punidos por recusar prestar serviços em um casamento gay? Padeiros judeus devem ser processados por recusarem fazer bolos para eventos neonazistas? Uma empresa deve ser forçada pelo governo a pagar pelos abortos dos seus funcionários, mesmo se os donos acreditam que o aborto seja um crime moral? Pessoas devem ser presas por afirmar publicamente que Jesus é o único salvador? Tribos indígenas que regularmente matam crianças deficientes ou até gêmeas devem ser protegidas pelo governo do país? Esses e muitos outros exemplos ilustram o desafio das guerras culturais em países onde há grande diversidade de crenças.

As respostas propostas em diversos países são bem diferentes. Alguns favorecem a imposição da vontade da maioria. Outros pregam a tolerância (alguns destes sendo extremamente intolerantes a pessoas que não se curvam às suas opiniões). Entre as respostas mais radicais estão ataques terroristas e declarações de guerras entre países.

Como as pessoas que procuram seguir a doutrina de Cristo devem se comportar diante desse cenário de guerras culturais? Vamos examinar alguns ensinamentos bíblicos que nos ajudarão.

É importante observar que a nossa situação hoje não é inédita. O ambiente no primeiro século, precisamente o contexto sociopolítico que Deus escolheu para o início da igreja de Cristo, foi bastante parecido com a situação atual. O livro de Atos mostra as mesmas tendências que observamos hoje. Alguns judeus, como Saulo de Tarso, favoreciam a pena de morte no caso de abandono da sua fé. Os povos pagãos, inclusive muitos romanos, reagiram violentamente contra a mensagem exclusiva de salvação em nome de Jesus. Jesus e seus seguidores foram vistos como subversivos, pessoas perigosas que ameaçavam o bem-estar da sociedade.

É notável o pacifismo dos primeiros discípulos de Cristo, que entenderam a proibição de Cristo de violência como meio de defesa do seu reino (João 18:36). Seguiram o exemplo de Jesus: “pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pedro 2:23). Pacifismo, porém, não significa submissão a ordens de silêncio. Quando autoridades tentaram silenciar os discípulos de Jesus, estes simplesmente se recusaram a obedecer (Atos 5:29). Aqui observamos o ponto fundamental da abordagem apropriada aos conflitos atuais. As “armas” usadas pelos seguidores de Cristo não são armas carnais, e sim espirituais (2 Coríntios 10:3-6). Como foi o caso dos apóstolos, a nossa arma principal é “a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6:17).

As guerras culturais continuarão, e podem até piorar. Em termos gerais, o mundo continuará desrespeitando a palavra de Deus (1 João 5:19). Cristãos podem ser ridicularizados, perseguidos e até mortos por sua fé, mas continuarão pregando a palavra do Senhor por amor aos outros (2 Timóteo 4:1-5) e orarão pelos outros, desejando a salvação eterna de todos (1 Timóteo 2:1-4). Os verdadeiros cristãos não vacilarão, pois acreditam nas palavras do apóstolo João: “Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1 João 5:5).

- por Dennis Allan


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