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Salmo 143: Não Entres em Juízo com o Teu Servo

Diante do Senhor, qual homem pode ficar em pé, confiante da sua própria justiça? O ensinamento bíblico deixa claro que somente o arrogante tolo faria isso, pois todos os homens humildes e sensatos reconhecem suas próprias falhas (Romanos 3:10,23; Salmo 53:3). Davi não era orgulhoso nem insensato, mas ele ainda tinha confiança da sua comunhão com Deus. O Salmo 143 apresenta, de maneira equilibrada, os temas da graça e da justiça do Senhor.

“Atende, SENHOR, a minha oração, dá ouvidos às minhas súplicas. Responde-me, segundo a tua fidelidade, segundo a tua justiça. Não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente” (versos 1 e 2). Em um sentido, Davi queria ser ouvido, mas não visto! Ele buscava o socorro divino diante das perseguições que o afligiam e desejava que Deus ouvisse as suas petições. Mas Davi sabia que, se Deus olhasse bem para a vida dele, encontraria falhas. Se Deus entrasse em juízo e Davi tivesse de se justificar por mérito, sua causa seria perdida.

“Pois o inimigo me tem perseguido a alma; tem arrojado por terra a minha vida; tem-me feito habitar na escuridão, como aqueles que morreram há muito. Por isso, dentro de mim esmorece o meu espírito, e o coração se vê turbado” (versos 3 e 4). Como vários dos Salmos de Davi, este se situa no contexto de perseguição. Ele não achou forças em si mesmo para aguentar a pressão, e assim buscou o socorro divino. Há situações na vida nas quais só Deus é capaz de consolar e oferecer refúgio.

“Lembro-me dos dias de outrora, penso em todos os teus feitos e considero nas obras das tuas mãos. A ti levanto as mãos; a minha alma anseia por ti, como terra sedenta” (versos 5 e 6). Esses versos apresentam um contraste importante com o verso 2. Quando o homem examina as obras de Deus, ele fica admirado e procura se aproximar do seu Criador (versos 5-6; Salmo 145:3). Mas quando Deus examina bem as obras dos homens, ele vê as suas impurezas e se afasta das suas criaturas (verso 2).

“Dá-te pressa, SENHOR, em responder-me; o espírito me desfalece; não me escondas a tua face, para que eu não me torne como os que baixam à cova” (verso 7). Davi expressa a urgência do seu pedido. Ele reconhece a fragilidade da vida diante do perigo iminente, e pede para Deus responder. É o mesmo tom que encontramos em Salmo 141:1.

“Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma. Livra-me, SENHOR, dos meus inimigos; pois em ti é que me refugio. Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano. Vivifica-me, SENHOR, por amor do teu nome; por amor da tua justiça, tira da tribulação a minha alma” (versos 8 a 11). Davi entendeu que a salvação vem exclusivamente de Deus pela graça divina. A resposta ao seu apelo não viria pelo merecimento de Davi, e sim pelo caráter de Deus: “por amor do teu nome; por amor da tua justiça”. Várias grandes orações na Bíblia se baseiam nas qualidades de Deus, e não nas dos homens (Êxodo 32:11-14; Daniel 9:4-19). Daniel, quase 500 anos depois de Davi, mostrou esse mesmo entendimento quando orou: “...porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias” (Daniel 9:18). Se Davi fizesse suas petições na base da sua própria justiça, não teria esperança de ser ouvido.

Qual, então, seria a diferença entre Davi e seus inimigos? Se todos os homens são pecadores, por que Deus julgaria a favor de Davi e contra seus perseguidores? Esses mesmos versos esclarecem o ponto. Apesar da sua inabilidade de fazer alguma obra de mérito para satisfazer o justo Deus, Davi entendeu a necessidade de buscar conhecimento e de viver conforme a vontade do Senhor. Ele pediu para Deus ensiná-lo para que ele pudesse andar no caminho definido pelo Senhor. A diferença entre Davi e seus inimigos está na reação de cada um ao Senhor. Davi procurou andar conforme a vontade do Senhor enquanto seus adversários se rebelaram contra seu Criador. Essa distinção é a base do último pedido nessa oração de Davi: “E, por tua misericórdia, dá cabo dos meus inimigos e destrói todos os que me atribulam a alma, pois eu sou teu servo” (verso 12).

Nenhum de nós merece o favor de Deus, mas se não buscarmos andar conforme a vontade do Senhor, não teremos fundamento para fazer súplicas a ele!

- por Dennis Allan


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