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A Proibição do Burquini na França

Policiais armados obrigam mulheres a tirar roupas ou sair das praias francesas. A história sobre a administração de multas e a expulsão de banhistas usando a roupa conhecida como burquini dominou manchetes de jornais nos últimos dias. A opinião pública mundial se mostra desfavorável a essas novas leis de várias cidades francesas. É mais um exemplo de conflitos entre a política de um governo e as liberdades religiosas dos seus cidadãos. 

Ao longo da história, líderes religiosos e civis têm procurado exigir a aderência de outros à sua fé. Nabucodonosor, rei da Babilônia 2.600 anos atrás, sentenciou à morte pessoas que não adoraram o ídolo que ele erigiu (Daniel 3). Dario, rei na Pérsia algumas décadas depois, decretou a mesma punição de pessoas que orassem a qualquer deus ao invés de exaltar o próprio rei (Daniel 6). Cristãos foram perseguidos primeiro por judeus e, depois, por romanos. Quando uma versão corrompida do cristianismo se tornou dominante, seus líderes usaram a violência contra pessoas que os resistiram. Começando em boa parte com mudanças na Europa e a emigração de europeus para outros continentes, muitos governos fizeram leis para defender a livre prática de religião. Outros países, por motivos religiosos ou políticos, têm negado ou limitado liberdades de expressão religiosa. As políticas francesas atuais parecem ser mais um exemplo disso, estabelecendo políticas que defendem a religião do secularismo.

Os atos violentos de alguns terroristas muçulmanos, supostamente na prática da sua fé, devem ser condenados e punidos pelos governos que protegem seus cidadãos. Mas o uso de uma roupa que cobre o corpo e até a cabeça, o caso do burquini, ameaça a segurança pública?

Parece que as autoridades francesas, e muitas outras pessoas, temem as expressões abertas de fé religiosa. Não é suficiente combater a violência, precisa também policiar e limitar a comunicação de ideias. E como entendem que roupas servem como meio de comunicação, decidiram começar a banir o uso de roupas com significados religiosos em lugares públicos. Não sou defensor da fé muçulmana, mas defendo a liberdade de expressão e discurso pacífico sobre crenças religiosas. Até onde vão tais políticas? Vão banir o uso da kipá e do talit por judeus ortodoxos? Monges e freiras católicos serão impedidos de andar na rua nos seus hábitos? Mulheres pentecostais serão banidos de praças se usarem saias e cabelos compridos? Vai criminalizar a raspagem da cabeça por monges budistas? Será proibida conversar sobre a religião nos ônibus e nas vias públicas? 

Considerada de uma perspectiva histórica, a censura de ideias religiosas não é novidade. E entendo que questões de segurança pública e de decência podem entrar em conflito com algumas expressões ou atos praticados por alguns religiosos. É difícil, porém, entender como uma mulher sentada na praia usando roupas que cobrem o corpo apresenta alguma ameaça à sociedade.

Não sou francês, então não participo de discussões políticas naquele país. Mas como cristão em um mundo hostil a qualquer convicção religiosa, como devo agir? Se governos dominados pelo secularismo tratarem a defesa pacífica de crenças religiosas como algum tipo de ameaça ao bem-estar da população, o que devo fazer? Nesses momentos, precisamos nos lembrar de algumas orientações bíblicas. Deus escolheu uma mensagem comunicada em palavras como sua maneira de oferecer a salvação ao mundo, e os seguidores de Jesus continuam proclamando essa mensagem como o apóstolo Paulo fez: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...” (Romanos 1:16). Os verdadeiros cristãos acreditam, afirmam e defendem o evangelho, mas recusam empregar armas e táticas carnais para avançar sua causa (2 Coríntios 10:3-6). Diante de ordens de censura, recusam se calar, porque “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29). Não esperam do governo apoio por suas convicções, mas oram a Deus desejando que as autoridades permitam uma vida tranquila e a liberdade de tentar levar outros ao conhecimento da palavra revelada por Deus (1 Timóteo 2:1-4). 

O mesmo ambiente que garante a liberdade de expressão na pregação do evangelho de Jesus permite a defesa de outras doutrinas e crenças por seus adeptos. É nesse contexto que poderemos manter diálogo, debater diferenças, apresentar argumentos e evidências e mostrar a razão da nossa esperança em Jesus Cristo (1 Pedro 3:15). Oremos pelas autoridades governamentais, que tenham a sabedoria para permitir a discussão aberta de assuntos espirituais.

-por Dennis Allan


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