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As Decisões de Uma Igreja sobre Casamentos “Inter-raciais”

Uma história verídica e relativamente recente serve para nos alertar sobre abordagens erradas a questões importantes.

Em 2011, uma pequena congregação da denominação conhecida como Free Will Baptist Church (Igreja Batista de Livre Arbítrio) provocou fortes reações e chamou a atenção da mídia. Na comunidade rural de Gulnare no estado de Kentucky, EUA, 15 pessoas votaram sobre uma questão de aceitar ou não, na sua igreja, casamentos “inter-raciais”.

Por uma margem de 9 a 6, a congregação decidiu rejeitar membros em casamentos “inter-raciais”. A decisão provocou uma polêmica dentro da congregação e na sua denominação, e apareceu como manchete em grandes jornais e reportagens de emissoras de televisão. Poucos dias depois, a igreja anulou a decisão.

Não faço parte dessa denominação, nem de qualquer outra (procuro ser apenas um cristão, sem me submeter a nenhuma organização religiosa humana), e não tenho motivo para defender nem atacar as decisões daquele grupo. Quero apenas usar o exemplo para ilustrar perigos comuns em decisões sobre assuntos espirituais.

A decisão original foi reflexo das preferências políticas de alguns e interpretações bíblicas equivocadas por parte de outros. Mesmo no século 21, há pessoas dominadas por preconceitos raciais que levam à discriminação em vários âmbitos. Mas, seria um exagero e distorção explicar a decisão como apenas a opinião majoritária em um pequeno grupo de pessoas socialmente atrasadas de uma região isolada. Outra influência na decisão foi um entendimento equivocado das Escrituras. Um dos erros foi ignorar o ensinamento do Novo Testamento sobre o assunto. Pedro ensinou que, na questão de discriminação racial, “Deus não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34). Paulo afirmou que Deus “de um só fez toda a raça humana” (Atos 17:26). A pequena igreja em Gulnare cometeu o mesmo erro que é repetido em púlpitos no mundo inteiro todos os dias. Voltaram ao Antigo Testamento e distorceram seu ensinamento. Na lei dada aos hebreus, Deus exigia uma separação espiritual e, por isso, proibiu casamentos entre os israelitas e pessoas de outras nações. Mas o ponto foi espiritual, e não uma distinção racial (Deuteronômio 7:3-5; Êxodo 34:10-17). Mesmo sob aquela lei, pessoas que se converteram para servir o mesmo Deus foram aceitas para o casamento (veja a história de Rute). O erro em Gulnare pode ser mais repugnante, mas vem da mesma raiz dos erros comuns das igrejas hoje que ignoram o Novo Testamento e distorcem o Antigo para justificar práticas e doutrinas sobre o dízimo, os sacerdotes, os modos de adoração etc.

O que levou a igreja a anular sua decisão? Não duvido da possibilidade de algumas pessoas serem persuadidas do seu erro por bons ensinamentos bíblicos, mostrando que o homem não deve rejeitar aqueles que Deus aceita. Mas, o principal ímpeto na mudança da decisão foi política e não espiritual. A opinião pública (correta neste caso, como já observamos pelos ensinamentos do Novo Testamento) pressionou a denominação e a congregação local, e a decisão foi mudada.

Um erro levou a outro. Uma decisão tomada pela preferência política de uma pequena população em um local isolado levou a outra decisão tomada por causa da preferência política de uma população maior. Seres humanos criaram doutrina, e seres humanos alteraram doutrina.

O problema maior com toda essa confusão é que homens se colocaram na posição de Deus. O Senhor nunca pediu para decisões doutrinárias serem tomadas por votações. Ele não autorizou a criação de denominações para resolver questões e exigir a conformidade das suas congregações. Toda a autoridade reside com Jesus Cristo (Mateus 28:18-20). A sua palavra é o único é último padrão de julgamento (João 12:48). Não temos direito de mudar nada que ele fala, mesmo se a opinião pública gritar de todos os cantos. É possível para todos os homens estarem errados, mas Deus nunca erra (Romanos 3:4,23).

Não cabe a nós decidir o que é certo e errado. Cabe a nós aprender e fazer o que Jesus mandou.

-por Dennis Allan


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