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O Princípio da Imparcialidade

Rui Barbosa, o famoso diplomata, advogado e jurista brasileiro do século 19, disse: “Saudade da justiça imparcial, exata, precisa. Que estava ao lado da direita, da esquerda, centro ou fundos. Porque o que faz a justiça é o ser justo. Tão simples e tão banal. Tão puro. Saudade da justiça pura, imaculada”. Ele defendeu a necessidade fundamental da imparcialidade para a justiça funcionar. Se as autoridades de justiça demonstrassem tendências de defender rico ou pobre, conservador ou liberal, baseadas nas pessoas ou suas ideologias e não nos fatos dos casos, estariam pervertendo a justiça.

O argumento de Barbosa reflete bem os princípios da justiça e da imparcialidade ensinados na Bíblia. No importante código civil revelado por Deus a Moisés quase 3.500 anos atrás, a imparcialidade foi um dos pilares da justiça: “Não seguirás a multidão para fazeres mal; nem deporás, numa demanda, inclinando-te para a maioria, para torcer o direito. Nem com o pobre serás parcial na sua demanda” (Êxodo 23:2-3). Alguns séculos depois, Josafá, rei de Judá, estabeleceu juízes nas principais cidades do país e lhes deu estas orientações: “Vede o que fazeis, porque não julgais da parte do homem, e sim da parte do SENHOR, e, no julgardes, ele está convosco. Agora, pois, seja o temor do SENHOR convosco; tomai cuidado e fazei-o, porque não há no SENHOR, nosso Deus, injustiça, nem parcialidade, nem aceita ele suborno” (2 Crônicas 19:6-7). Conforme Josafá, o padrão da imparcialidade no julgamento humano é o próprio Senhor. A sabedoria da imparcialidade foi frisada no livro de Provérbios: “Não é bom ser parcial com o perverso, para torcer o direito contra os justos” (Provérbios 18:5; compare 24:23 e 28:21).

No Novo Testamento, encontramos o mesmo ensinamento, também enraizado no caráter de Deus. O apóstolo Pedro citou a imparcialidade de Deus como motivo de oferecer a mensagem do evangelho a todos: “Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável” (Atos 10:34-35). O apóstolo Paulo instruiu seu cooperador, Timóteo, a lidar com denúncias de pecado entre cristãos de maneira justa: “Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade” (1 Timóteo 5:21). Tiago identificou a imparcialidade como uma das características que define a sabedoria divina: “A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento” (Tiago 3:17).

Enquanto desejamos a imparcialidade de Deus e dos seres humanos que exercem autoridade sobre nós, o mesmo princípio deve ser aplicado em nossas vidas. Deus vê o que a pessoa faz, e não a pessoa em si, ou seja, não importa como nasceu e sim, como age. Devemos fazer a mesma coisa em nosso procedimento para com os outros. Não devemos defender os mais bonitos e ricos e desprezar as pessoas que não têm essas “vantagens”. Não devemos discriminar contra alguém por causa da sua cor ou nacionalidade. Tais preconceitos são contra o princípio da imparcialidade.

Os pais devem tratar seus filhos sem parcialidade. Aqueles que sempre engrandecem e defendem um filho contra os outros criam problemas sérios para todos os membros da família.

No contexto religioso, devemos agir com imparcialidade. A mensagem do evangelho não é apenas para os ricos e cultos, deve ser pregada também aos pobres e iletrados. Conflitos entre irmãos em uma igreja devem ser resolvidos de maneira imparcial, não dando preferência para aqueles em posições de liderança, nem para as pessoas que contribuem mais financeiramente.

Na hora difícil de aplicar a disciplina e a correção, devemos ser imparciais. Não é certo corrigir o filho do outro e recusar corrigir seu próprio. Não é bom corrigir a pessoa considerada menos importante e deixar passar sem repreensão os erros dos líderes, mesmo aqueles que se escondem atrás da cortina de uma suposta unção divina (leia 1 Timóteo 5:19-21). Natã corrigiu um rei ungido por Deus (2 Samuel 12:1-15) e Paulo repreendeu, publicamente, Cefas, também conhecido como o apóstolo Pedro (Gálatas 2:11-14).

Ajamos com imparcialidade porque o Senhor, o justo Juiz, é imparcial!

-por Dennis Allan


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