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O Punho Divino

“As tendas dos tiranos gozam paz, e os que provocam a Deus estão seguros; têm o punho por seu deus” (Jó 12:6). Quando Jó relutava para entender seu sofrimento, ele fez esse comentário sobre a realidade do mundo. Milhares de anos depois, os poderosos do nosso mundo ainda têm seu punho por seu deus, e nisso cometem o erro mais grave possível: esquecem-se de Deus.

Da perspectiva humana, construída em base de milhares de anos da História, os poderosos dominam e devem ser temidos porque têm a força para defender sua posição. Os vencedores escrevem os registros das batalhas sem risco de contradição pelos adversários mortos. Os dominadores divulgam sua versão da história e silenciam seus opositores. Até se tornou ditado popular que a força faz o direito. No contexto sociopolítico, o poder é derivado de algumas fontes, muitas vezes de uma mistura de várias delas. Entre as fontes mais evidentes estão:

A Posição. Durante uma boa parte da História, a maioria dos países foi dominada por monarcas. Nesse sistema, quem nasce como filho de rei herda direitos, privilégios, poder e a possibilidade de se tornar rei. No sistema de castas mantido entre hindus, a posição social é praticamente fixa conforme a casta dos pais. Com sua base na doutrina da reencarnação, o efeito prático desse sistema é a conclusão de que aquele que nasce rico merece viver no luxo e quem nasce pobre ou com defeito físico não é digno de compaixão. “No pensamento de quem está seguro, há desprezo para o infortúnio, um empurrão para aquele cujos pés já vacilam” (Jó 12:5).

O Dinheiro. Discussões econômicas frequentemente usam a expressão "poder aquisitivo", e entendemos que o dinheiro serve para adquirir coisas, privilégios e poder. Em todos os sistemas políticos, o dinheiro pode servir como ferramenta para o bem ou como instrumento para o mal. Paulo escreveu: “Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida” (1 Timóteo 6:17-19). Por outro lado, a pessoa preguiçosa não merece sustento (2 Tessalonicenses 3:10), e a pessoa irresponsável na administração do seu dinheiro se submete à servidão (Provérbio 22:7). Ainda hoje, o dinheiro é visto como o caminho que leva à felicidade e ao poder. Paulo descreve a avareza como idolatria, mostrando que o dinheiro se torna um deus (Colossenses 3:5).

A Violência. Bandidos aterrorizam suas vítimas e seus subordinados para exercer poder. Líderes de países utilizam seu poder militar para controlar seus próprios sujeitos e estender seu domínio sobre outros países. Figuras históricas como Neco, Senaqueribe, Nabucodonosor, Alexandre e Napoleão serão sempre lembradas principalmente por suas conquistas militares. Foi sobre o poder do império babilônico que Deus disse: “...cujo poder é o seu deus” (Habacuque 1:11). Ele comparou a força militar daquela nação com uma rede de pescador que se tornou objeto de adoração (Habacuque 1:16).

O Apoio Popular. Com o crescimento do sistema democrático, o poder dos líderes se tornou mais dependente da aprovação do povo governado, e a opinião pública tem sido elevada à posição de autoridade. Muitos líderes democráticos seguem e manipulam as tendências políticas para declarar suas versões de verdades, acima de qualquer noção de verdade absoluta. Uma pessoa eleita pela maioria que consegue convencer senadores e deputados a aprovarem um projeto de lei se torna, aos seus olhos, onipotente e capaz de determinar certo e errado.

Todas essas fontes de poder humano se tornam deuses. O homem se engrandece na sua soberba e se acha independente e autônomo, recusando qualquer noção de uma autoridade superior e absoluta. Ele se esquece de Deus e adora seu próprio punho, sua própria rede, seu próprio poder.

Somos obrigados a seguir essa sabedoria humana e sua confiança em coisas passageiras? No mesmo capítulo citado acima, Jó responde: “Não! Com Deus está a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento” (Jó 12:13).

-por Dennis Allan


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