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Não Quero Ir para o Céu!

Eu estava ensinando um grupo de crianças sobre o batismo de Jesus quando uma delas perguntou sobre a volta de Cristo e o fim do mundo. Expliquei, em termos simples, o conceito da separação das pessoas no julgamento e frisei a esperança que temos de ir para o céu. De repente, um menino de cinco anos começou a chorar e declarou enfaticamente: “Eu não quero ir para o céu; quero ir para casa!”.

Conversando mais com o menino, deu para compreender bem o motivo da sua tristeza. Ele vive em um mundo concreto, e ainda não desenvolveu a capacidade de compreender bem ideias abstratas. Ele conhece sua casa, seus móveis e sua família. São coisas e pessoas tangíveis e reais. O céu, porém, é um lugar desconhecido e inacessível. Ele não acha conforto na ideia de subir para esse lugar, mas se sente seguro na sua própria casa com as pessoas que o amam e o protegem.

A reação dele fez perfeito sentido, vindo de uma criança de cinco anos.

Quando adultos, capazes de pensar em ideias abstratas e espirituais, agem da mesma forma, demonstram a imaturidade de uma perspectiva limitada que pode trazer graves consequências. O autor de Eclesiastes procurou conforto, segurança e felicidade nas coisas desta vida terrestre, e sua busca foi frustrada e fútil. Ele viu ciclos da natureza que se repetem sem avanços, obras realizadas e destruídas e alegria substituída por tribulações. A conclusão de sua busca filosófica é frisada na palavra “vaidade”, repetida mais de 30 vezes no livro. “Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol” (Eclesiastes 2:11).

O homem que escreveu Eclesiastes cresceu o suficiente para enxergar um vínculo entre a vida terrestre, cheia de vaidade e frustração, e o Criador Eterno. As alegrias e prazeres legítimos nesta vida vêm da mão de Deus (Eclesiastes 2:24-26). No final das contas, o que importa é viver a vida com essa perspectiva espiritual e eterna, reconhecendo o Criador e o lugar do homem diante dele. “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer” (Eclesiastes 12:1). Um livro que começa com a vaidade das coisas debaixo do sol termina com a eternidade daquele que criou o sol: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Eclesiastes 12:13-14).

Moisés falou dessa perspectiva eterna em outras palavras: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Salmo 90:12). O homem que desperdiça seus dias na busca de coisas inúteis e passageiras pode até encontrar prazer e alegria momentâneos, mas não demonstra a sabedoria de olhar para a eternidade. As premissas da filosofia hedonista foram refutadas por Jesus Cristo na parábola de um rico que achava segurança nos seus bens materiais. O homem disse: “Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te” (Lucas 12:19). Jesus continua seu ensinamento no versículo seguinte: “Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:20).

Para uma criança achar segurança nas coisas concretas conhecidas faz perfeito sentido. Mas um adulto que recusa enxergar sua necessidade espiritual e eterna desperdiça a sua vida. O compositor Asafe lutou para entender acontecimentos terrestres de uma perspectiva espiritual antes de chegar à conclusão que todos nós precisamos entender. No final da sua busca, ele olhou para Deus e disse: “Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória. Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Salmo 73:23-26).

-por Dennis Allan


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