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O Que Simeão Entendeu

Tudo o que sabemos de Simeão vem de onze versículos no evangelho segundo Lucas. Esse homem, evidentemente idoso, morava em Jerusalém e esperava a bênção de ver o cumprimento de importantes promessas do Antigo Testamento. Ele estava esperando no templo em Jerusalém quando José e Maria levaram o bebê Jesus para cumprir as exigências da Lei do Antigo Testamento. Ele tomou Jesus nos braços e orou ao Senhor com estas palavras:

“Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel” (Lucas 2:29-32).

Nessa oração, Simeão frisou dois fatos de grande importância.

Primeiro, ele entendeu que a vinda de Jesus ao mundo significava a vinda da salvação. Ver Jesus era o mesmo que ver a salvação divina. Quando adulto, Jesus descreveu sua missão nestes termos: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lucas 19:10). O apóstolo Paulo escreveu, alguns anos depois: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1 Timóteo 1:15). Outro autor acrescentou: “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25). Simeão olhou para Jesus e viu a salvação!

Segundo, ele entendeu que essa graça salvadora seria oferecida aos judeus e aos gentios (as nações, ou povos não judeus). Desde as promessas feitas aos patriarcas quase 2.000 anos antes de Jesus, os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó entendiam seu lugar especial nos planos de Deus. Israel era o povo escolhido e todos os outros eram apenas “as nações”, “os povos” ou “os gentios”. No geral, os judeus entendiam as profecias da salvação por meio de um Messias como promessas da libertação nacional. O Messias teria um papel em benefício do povo de Israel, os descendentes carnais dos patriarcas. Mas Simeão entendeu que essa salvação foi preparada diante de todos os povos e que serviria como luz para as outras nações, e não exclusivamente para os judeus. Para estudantes do Novo Testamento, a inclusão dos diversos povos no plano de Deus para a salvação não é novidade. Para os judeus do primeiro século, porém, era uma ideia nova e até revoltante. As palavras de Simeão refletem um conceito mais abrangente e correto das intenções divinas. Jesus veio para oferecer a luz da sua revelação, a mensagem da salvação, aos judeus e aos gentios.

Depois de orar ao Senhor, Simeão dirigiu algumas palavras a Maria, a mãe de Jesus: “Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações” (Lucas 2:34-35). Poderíamos imaginar que todos recepcionariam o Messias de braços abertos, ansiosos para receber a salvação que ele trouxe. Mas sua mensagem e sua própria vida seriam alvos de contradição. As pessoas que ele queria salvar seriam seus adversários. As reações das pessoas a Jesus revelariam os pensamentos dos corações.

Nas suas palavras para Maria, porém, Simeão tocou em mais uma realidade que faz parte da história de Jesus: a alma de Maria seria traspassada por uma espada. Nos trinta e poucos anos da vida terrestre de Jesus, sua mãe sofreria ao ver seu filho sujeito aos maus tratos dos homens que o rejeitariam. Nenhuma parte dessa história seria mais dolorosa do que o dia em que ela olhou para Jesus, pendurado em uma cruz no Calvário. No seu relato da crucificação, Lucas menciona as mulheres que “permaneceram a contemplar de longe estas coisas” (Lucas 23:49). João especificamente cita a presença de Maria, a mãe de Jesus, entre as pessoas que presenciaram de primeira mão o sofrimento do Salvador (João 19:25-27). Sem dúvida, o coração de Maria sofria uma facada terrível naquele dia, exatamente como Simeão profetizou.

Em poucas palavras, Simeão juntou fatos importantes do plano eterno de Deus que culminaria na morte de Jesus pelos nossos pecados. Ele viu a salvação!

-por Dennis Allan


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