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Quebrando Ciclos

Aprendemos muitos comportamentos dos nossos pais. Até os nossos pequenos gestos e escolhas de palavras frequentemente refletem a influência dos pais. Quando se trata de decisões morais e espirituais, os pais exercem muita influência. Se os pais forem pessoas tementes a Deus, os filhos têm mais probabilidade de imitar esse bom exemplo. E se forem pessoas egoístas e irreverentes, se torna muito fácil para os filhos seguirem o mesmo caminho.

Deus deu pais para as crianças porque precisam de alguém para as orientar e guiar. Pais fiéis instruem seus filhos. Abraão foi um dos maiores exemplos da fé na Bíblia. Foi tão dedicado e íntegro que Deus disse, antes desse homem se tornar pai: “Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito” (Gênesis 18:19). Alguns séculos depois, Deus disse aos israelitas: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (Deuteronômio 6:5-7). Outro autor frisou a mesma responsabilidade: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22:6). No Novo Testamento, Paulo escreveu: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 6:4). 

Essas instruções, porém, não sugerem um destino selado e imutável. O filho pode se rebelar contra o ensinamento dos pais. Bons pais podem ter um filho desobediente, e maus pais podem criar um filho que se torna bom. Deus mostrou ambas as possibilidades quando falou em Ezequiel de três gerações da mesma família para ilustrar a responsabilidade individual pelo pecado. Ele disse: “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:4). Nas ilustrações usadas para esclarecer esse ensinamento, os exemplos de atos bons e maus vêm da lei do Antigo Testamento, a aliança que governava os israelitas na época de Ezequiel. O ponto importante para nós, porém, é a conclusão que Deus revela sobre cada geração.

Na primeira geração, o homem é justo e obediente a Deus e, por isso, vive: “Sendo, pois, o homem justo e fazendo juízo e justiça . . . andando nos meus estatutos, guardando os meus juízos e procedendo retamente, o tal justo, certamente, viverá, diz o SENHOR Deus.” (Ezequiel 18:5,9). O primeiro homem citado foi fiel a Deus.

Na segunda geração, as atitudes foram totalmente diferentes. O filho do homem justo foi rebelde contra Deus. Ele fez todas as coisas erradas que seu pai fez, e não imitou as obras boas do pai. Devido ao seu pecado persistente, ele morre: “Se ele gerar um filho ladrão, derramador de sangue, que fizer a seu irmão qualquer destas coisas e não cumprir todos aqueles deveres, mas, antes, comer carne sacrificada nos altos, contaminar a mulher de seu próximo, oprimir ao pobre e necessitado, praticar roubos, não tornar o penhor, levantar os olhos para os ídolos, cometer abominação, emprestar com usura e receber juros, porventura, viverá? Não viverá. Todas estas abominações ele fez e será morto; o seu sangue será sobre ele” (Ezequiel 18:10-13). Esse segundo homem foi desobediente ao Senhor. Quebrou o ciclo da fidelidade do pai.

Na terceira geração, o filho desse rebelde quebra o ciclo da desobediência do pai e decide servir ao Senhor: “Eis que, se ele gerar um filho que veja todos os pecados que seu pai fez, e, vendo-os, não cometer coisas semelhantes . . . fizer os meus juízos e andar nos meus estatutos, o tal não morrerá pela iniquidade de seu pai; certamente, viverá” (Ezequiel 18:14,17). 

O que aprendemos? É possível quebrar ciclos! A bondade dos pais não garante a justiça dos filhos. Por outro lado, a maldade dos pais não é sentença imutável contra os filhos. Cada pessoa escolhe seu caminho. As influências dos pais podem ajudar ou dificultar, mas a decisão de viver na prática do bem ou do mal é uma escolha de cada um. E mesmo para quem já entrou no caminho errado há esperança, pois Deus ainda nos chama ao arrependimento: “Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? — diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva?” (Ezequiel 18:23). 

-por Dennis Allan