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Betel, Gilgal e Berseba

Simples expressões, especialmente palavras que identificam pessoas, lugares ou acontecimentos históricos, ganham significados especiais no contexto da História e do conhecimento cultural de qualquer povo. Muitas palavras evocam uma reação emocional que vai muito além do sentido da palavra em si. No contexto da História brasileira, palavras como Tiradentes, Canudos e Farrapos representam ideias maiores do que os locais ou personagens que identificam. Na História mais recente, poucos conseguem ouvir palavras como Senna ou Santa Maria sem pensar em tragédias que nunca serão apagadas da memória do povo. E quando se pensa no cenário internacional, termos como Waterloo, Pearl Harbor e World Trade Center (ou torres gêmeas) são carregadas de significado. Quando alguém emprega termos como esses em um comentário, poema ou letra de música, comunica muito mais do que o mero sentido das palavras.

Não é diferente quando lemos as Escrituras. Os autores dos livros da Bíblia usaram palavras – nomes de pessoas e lugares ou citações de acontecimentos históricos – para comunicar muito mais do que se passa nas palavras em si. Para ilustrar o ponto, e incentivar cada leitor a tomar tempo para entender termos desconhecidos, vamos considerar um versículo de palavras faladas por Deus 750 anos antes de Cristo: “Porém não busqueis a Betel, nem venhais a Gilgal, nem passeis a Berseba, porque Gilgal, certamente, será levada cativa, e Betel será desfeita em nada” (Amós 5:5).

Três locais foram mencionados aqui para comunicar uma mensagem importante e forte para a nação de Israel que, durante o reinado próspero de Jeroboão II, caminhava para o castigo divino.

Betel significa “casa de Deus”. Foi um local de significado especial para os servos de Deus desde a época dos Patriarcas. Abraão parou nesse local, conhecido anteriormente como Luz, quando chegou à terra de Canaã, e fez um altar para adorar a Deus perto de Betel (Gênesis 12:8). Ganhou significado maior por causa das visitas feitas por Jacó, o pai da nação israelita. Ele teve encontros com Deus nesse local na saída da terra e depois de voltar, 20 anos mais tarde (Gênesis 28:11-19; 35:1-15). Uns 700 anos depois de Jacó, Jeroboão, filho de Nebate, manchou para sempre o nome dessa cidade. O lugar conhecido como casa de Deus se tornou a sede da idolatria da nação rebelde (1 Reis 12:25-33). Oseias, contemporâneo de Amós, chamava a cidade de Bete-Áven (Oseias 4:15; 5:8; 10:5). Ao invés de ser a casa de Deus, passou a ser a casa da vaidade, a casa do nada!

Gilgal foi um lugar no vale do rio Jordão que representava alianças especiais entre Deus e seu povo escolhido de Israel. Foi o lugar do primeiro acampamento dos israelitas depois de atravessarem o rio Jordão, onde Deus tirou a vergonha da sua escravidão e impureza no Egito, e onde comemoraram a primeira páscoa na terra prometida (Josué 4 e 5). Seu significado literal é roda, ou rolar para longe, nome dado quando Deus removeu ou “rolou para longe” de Israel a vergonha do Egito (Josué 5:9). Gilgal foi um dos lugares que Samuel e Saul governavam Israel (1 Samuel 7:15-16; 13:4; 15:21). Como aconteceu com Betel, o significado de Gilgal foi corrompido por causa da persistência de Israel na idolatria. Passou a ser conhecido como local dedicado à idolatria (Amós 4:4; 5:5; Oseias 4:15; 9:15).

Berseba ficava no extremo sul do território de Israel (Judá depois da divisão do reino no século 10 a.C.). A palavra significa “o poço de sete” ou, talvez, “o poço do juramento”, por ser local onde Abraão fez um juramento e aliança de paz com Abimeleque (Gênesis 21:22-34). Outros descendentes de Abraão moraram no mesmo lugar. Mas a habitação de Abraão, o maior exemplo de fé do Antigo Testamento, se tornou, também, lugar de idolatria.

Com estas três palavras em Amós 5:5, Deus apresenta para Israel uma escolha importante. Ele diz para não buscar esses lugares e sua idolatria, pois devem buscar a Deus para viver. No versículo antes, ele diz: “Pois assim diz o SENHOR à casa de Israel: Buscai-me e vivei”, e no versículo depois, frisa novamente a escolha certa: “Buscai ao SENHOR e vivei” (Amós 5:4,6).

Nos dias de hoje, Betel, Gilgal e Berseba podem representar todo tipo de idolatria, religião falsa, materialismo, imoralidade e injustiça. E o apelo de Deus continua sendo o mesmo: “Buscai-me e vivei”!

-por Dennis Allan


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