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Sou Eu?

É muito difícil imaginar a montanha russa de emoções que os apóstolos sentiam durante a semana que terminou na crucificação do seu Mestre. Em alguns momentos, sentiram o gosto da vitória e a expectativa, embora fundamentada em entendimentos equivocados, de participar logo de um reino glorioso e admirado pelos homens. Em outras ocasiões, especialmente quando ouviam os comentários de Jesus sobre sua morte iminente, a tristeza se tornou profunda e quase insuportável.

Junto com suas emoções variadas, os atos e palavras dos homens escolhidos por Jesus revelam a sua confusão e a dificuldade de compreender o que acontecia. Naquela semana, mostraram suas ambições em almejar posições de destaque no reino, discutiam com Jesus sobre seus planos para sofrer em cumprimento da vontade do Pai, e prometeram fidelidade total e ousada.

Com certeza, um dos momentos mais difíceis aconteceu no início da ceia pascal, quando Jesus falou que um deles seria seu traidor. Mateus e Marcos registram um detalhe que os outros relatos do evangelho pulam, uma pergunta que levantaram em reação à palavra falada pelo Senhor: “E eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe, um após outro: Porventura, sou eu?” (Marcos 14:19).

Pais de crianças pequenas bem conhecem a tendência, característica da imaturidade, de responder a qualquer questionamento com a declaração: “Não fiz nada”. Os discípulos podem ter mostrado comportamento infantil em vários momentos, mas desta vez, a reação foi outra. Teria sido fácil apontar os dedos para os outros. Será que Simão, o Zelote, cujo apelido sugere envolvimento com um movimento político radical, não seria um provável candidato para traidor? Ou Levi, aquele que vivia cobrando impostos do seu próprio povo? Ou aquele que era diferente, cujo nome Iscariotes indica que provavelmente não vinha da Galileia como os outros?

Antes de levantar os olhos para suspeitar os seus colegas, os apóstolos ficaram tristes e fizeram uma pergunta difícil e introspectiva: “Porventura, sou eu?” Naquelas palavras, naquele momento, cada um reconheceu sua própria fraqueza. Diferente da confiança exagerada de Pedro pouco tempo depois (veja Marcos 14:29), a pergunta deles reflete dúvidas sobre seu próprio caráter e lealdade. Mesmo os onze que não estavam negociando para trair Jesus reconheciam que a tentação seria real. Décadas depois, Paulo diria: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1 Coríntios 10:12).

Uma das maiores falhas entre pessoas que se vêem como seguidores de Cristo é de focalizar os erros dos outros antes dos seus próprios. Os relatos daquela noite sugerem que os apóstolos olharam para si antes de olhar para os outros. É um bom exemplo que devemos imitar. Jesus ensinou contra o julgamento condenatório e hipócrita com estas palavras: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mateus 7:1-5).

Jesus não condena o discernimento nem a repreensão dos erros dos outros. Ele mesmo ensinou a necessidade de distinguir entre ovelhas e lobos (Mateus 7:15). Paulo ensinou a mesma responsabilidade: “julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal” (1 Tessalonicenses 5:21-22).

Mas, antes de apontar os erros dos outros, vamos refletir bem na aplicação do ensinamento do Senhor em nossa própria vida. Os apóstolos fizeram bem nisso, e devemos seguir seu bom exemplo!

–por Dennis Allan


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