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A Ajuda que Atrapalhou

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hebreus 11:1). Entendemos a fé nestes termos? Muitos dos comentários sobre a fé, nos dias de hoje, não passam de desejos egoístas de pessoas interesseiras. O que muitos consideram a fé em Deus nada mais é do que alguma confiança (válida ou não) de que Deus realizará a vontade da pessoa. Mas o ponto do autor de Hebreus não é de certeza de conquistar as coisas que nós esperamos, ou a convicção de realizar nossos sonhos. É a confiança de que Deus realmente cumprirá seus planos. A fé elogiada em Hebreus 11 é a fé que se entrega à vontade do Senhor com confiança nos seus planos. Não há nenhuma sugestão de egoísmo interesseiro nesse texto.

Entre os grandes modelos espirituais do Antigo Testamento, quando se trata da fé, nenhum recebe mais destaque bíblico do que Abraão. Seu nome aparece em 11 dos 27 livros do Novo Testamento, com a ênfase em vários trechos no excelente exemplo de fé deste patriarca. Ele mostrou a fé para deixar sua terra e seus parentes e seguir a orientação divina para chegar e habitar em uma outra terra. Passou 100 anos naquela terra sem receber a prometida herança, porque ainda acreditava que Deus daria a terra aos seus descendentes. Quando Deus deu a ordem inédita de sacrificar seu filho, o herdeiro pelo qual o Senhor cumpriria uma série de promessas, Abraão obedeceu. Deus segurou a mão dele e não permitiu que matasse Isaque e, depois, elogiou a fé de alguém capaz de acreditar na ressurreição do filho (Hebreus 11:17-19). Mesmo neste episódio, percebemos que não foi uma confiança egoísta. O pensamento não foi que Deus devolveria o filho para a felicidade de Abraão. Deus havia prometido bênçãos para todas as nações por meio de um descendente de Isaque. Assim, pensou Abraão, se Deus mandou matar o filho da promessa, ele vai ressuscitá-lo, pois ele vai cumprir suas promessas!

Houve momentos, porém, nos quais o próprio Abraão vacilou. Os episódios mais notáveis foram registrados em Gênesis 16. Deus havia dado três promessas importantes para Abraão (Gênesis 121-3). O cumprimento de todas as promessas dependia de Abraão ter descendentes. Anos passaram e ainda não nasceu nenhum filho. Abraão conversou com Deus e falou que um servo nascido na sua casa poderia ser o herdeiro. Deus disse que não, afirmando que o filho da promessa seria filho biológico do próprio Abraão (Gênesis 15:2-4).

Tempo passou. Abraão chegou a 85 anos de idade e sua mulher completou 75 anos. Mesmo numa época em que pessoas viviam mais ou menos o dobro do tempo médio nos dias atuais, este casal estava chegando ao fim do seu tempo de ter filhos. Sara teve uma ideia para “ajudar”: sugeriu que Abraão tomasse sua serva, Agar, como concubina, para que Deus cumprisse as promessas por meio de um filho de Abraão com Agar. Assim seria um filho biológico de Abraão e Deus poderia cumprir a sua palavra. Abraão aceitou a sugestão e teve um filho, Ismael, com Agar.

Tentaram ajudar o Senhor! Por não conseguirem enxergar os meios que Deus usaria para cumprir suas promessas, tentaram facilitar as coisas. Durante toda a infância de Ismael, Abraão imaginou que ele seria o herdeiro. Quando o menino já estava com 13 anos de idade, Abraão até pediu para Deus usá-lo para cumprir as suas promessas (Gênesis 18:17-18). Deus não precisou da ajuda de Abraão para fazer a sua obra. Recusou a sugestão humana e insistiu que o casal, Abraão e Sara (agora chegando a 100 e 90 anos, respectivamente), teriam um filho que seria usado para cumprir as grandes promessas.

Isaque nasceu, e as promessas foram cumpridas por meio dos descendentes deste filho da promessa. E os resultados daquela tentativa de ajudar o Senhor? A relação de Abraão com Agar e o nascimento de Ismael acabaram sendo motivos de conflitos entre Sara e Agar. Problemas continuaram entre essas duas famílias de Abraão durante gerações depois.

Acreditar que Deus fará as coisas do nosso jeito não é fé no Senhor. Imaginar que Deus precisa da nossa ajuda, usando os nossos recursos para ajeitar as coisas para que ele possa cumprir a sua palavra, também não é a fé que ele pede. A fé em Deus é viver e até morrer confiante e obediente, porque sabemos que ele é fiel e sempre cumpre a sua palavra.

–por Dennis Allan


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