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A Fé de José

Da perspectiva psicológica e sociológica, José teve uma infância complicada. Sua mãe morreu quando era criança pequena, e seu pai teve muita dificuldade em viver com esta perda. Os meio-irmãos de José o maltratavam e o pai acrescentou à tensão entre eles por mostrar uma forte preferência por José sobre os outros filhos.

O ódio dos irmãos por José foi tão grande que aproveitaram uma oportunidade para se livrarem dele. Aos 17 anos de idade, este jovem foi vendido pelos próprios irmãos e se tornou escravo no Egito. Numa tentativa de encerrar o caso, os irmãos convenceram seu pai que José estivesse morto. De fato, ele estava longe de casa em uma terra estranha, rejeitado e esquecido pela família.

Era comum, na época em que José vivia, pensar que “os deuses” exercessem poder limitado e local. Até muito tempo depois de José, os gregos e romanos criaram sistemas mitológicos nos quais os diversos “deuses” tiveram poderes limitados sobre determinados aspectos do universo. Jonas, um israelita que viveu quase mil anos depois de José, também imaginava que os poderes de Deus teriam limites geográficos, e tentou fugir da presença do Senhor! Diante destes fatos, a fé de José se torna ainda mais impressionante. Longe da terra prometida aos descendentes de seu bisavô, Abraão, no meio de um povo com seus próprios “deuses” e costumes religiosos, José não vacilou na sua confiança na existência e domínio de um só Deus.

Como escravo de Potifar, um oficial do governo egípcio, José se mostrou íntegro e foi rapidamente promovido à posição de administrador geral dos negócios de Potifar. A mulher de Potifar viu este jovem atraente trabalhando dia após dia, e tentou seduzi-lo. José resistia aos avanços da mulher, e tentou acabar com este problema de vez explicando seus motivos: “Ele, porém, recusou e disse à mulher do seu senhor: Tem-me por mordomo o meu senhor e não sabe do que há em casa, pois tudo o que tem me passou ele às minhas mãos. Ele não é maior do que eu nesta casa e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porque és sua mulher; como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gênesis 39:8-9). Esta postura de José oferece um exemplo importante em vários sentidos:

1) José acreditou na soberania universal do único Deus. Se ele cedesse à tentação, mesmo longe da terra dos descendentes de Abraão, pecaria contra Deus!

2) José acreditou num padrão absoluto e universal de moralidade. Adultério é adultério em qualquer lugar.

3) José não tentou justificar um pecado escondido. É bem possível que um pecado oculto, neste caso, teria levado a algumas vantagens para José devido ao favor da mulher do seu dono. E quem negaria que este pecado traria um prazer físico? Qual dano poderia resultar de um pecado escondido cometido por um jovem longe de casa, rejeitado pelos irmãos e considerado morto pelo pai? Se José cogitou alguma desculpa deste tipo, ele teve o caráter de descartar tais pensamentos e manter a sua integridade.

4) José respeitou o casamento como um pacto inviolável. Ele não tentou tratar o casamento de Potifar como algum arranjo insignificante entre duas pessoas que não conheciam o Senhor. O casamento nunca foi subordinado por Deus a alguma instituição religiosa, pois foi dado aos seres humanos pelo Criador, e deve ser respeitado por todos. Mesmo um casamento entre dois pagãos é um casamento digno de respeito.

5) Quando a tentadora não desistiu, José fugiu. Literalmente fugiu! Manter-se puro diante de Deus foi mais importante do que o emprego, a liberdade ou a própria vida, pois perdeu o emprego, foi preso, e certamente correu risco de morte por causa da sua fé.

José passou anos na prisão por um crime que não cometeu, mas devido à sua fé, este homem foi abençoado e usado por Deus para salvar a nação israelita. Vale a pena ser fiel!

–por Dennis Allan


 

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