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Um Discurso Duro

A popularidade de Jesus havia chegado ao auge. O povo seguia Jesus para ouvir seus ensinamentos, mas sua motivação maior foi o desejo de receber o benefício dos seus milagres. Ele curava doentes e alimentava milhares de ouvintes. Jesus se tornou tão popular que seus seguidores concluíram: “Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo” e, com este pensamento, tiveram intenção de fazer de Jesus seu rei (João 6:14-15).

De uma perspectiva política, seria fácil interpretar esta aceitação pelo povo como uma excelente oportunidade. Jesus veio para cumprir profecias do Antigo Testamento de reinar sobre o povo, e agora a multidão mostrou seu desejo de coroá-lo. Quando pensamos sobre a missão de Jesus, dada pelo Pai, percebemos que esta reação dos judeus poderia ser uma tentação. Seria um atalho ao reino que evitaria o sofrimento da cruz. O diabo já havia oferecido um atalho deste gênero (Mateus 4:8-9) e, mais tarde, Pedro considerou impensável o sofrimento de Jesus na cruz (Mateus 16:21-22). Se o povo já aceitaria Jesus como rei, porque sofrer a morte? Mas Jesus resistiu à tentação no deserto, repreendeu Pedro e, também neste caso, recusou cair na tentação apresentada pela multidão.

Se Jesus pensasse como muitos líderes religiosos da nossa época, a popularidade com a multidão teria sido prova da sua fidelidade. Muitos hoje citam números para justificar suas práticas: “se funciona e dá resultado, obviamente é porque Deus está abençoando a obra”. Multidões se mostram capazes de seguir enganadores e, frequentemente, seguem homens errados por motivos errados. Jesus não viu crescimento numérico como o objetivo principal, e não permitiu que sua popularidade fosse interpretada como prova de sucesso ou fidelidade.

Em João 6, aprendemos lições importantes da resposta de Jesus à multidão. Além de não permitir que o povo o tomasse para fazê-lo rei, Jesus respondeu com uma pregação desafiadora. Da mesma maneira que levou a mulher samaritana a deixar a água do poço para poder pensar na água que dá vida eterna (João 4), ele chamou a multidão a esquecer-se de pães e peixes para receber o pão da vida (João 6:22-59). Comer do pão da vida significa tornar-se participante da natureza de Jesus (veja 2 Pedro 1:4), ou seja, desenvolver o caráter do Senhor.

A noção de um rei capaz de curar os doentes e alimentar as multidões foi muito atraente, mas aceitar um “Senhor” que exigiria uma transformação total de vida e caráter era outra coisa! A mensagem de João 6 provocou uma reação muito forte que, por todas as medidas humanas, seria considerada negativa. A multidão se escandalizou e disse: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir” (João 6:60). A popularidade de Jesus despencou: “À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele” (João 6:66).

É triste observar que muitos dos supostos seguidores de Jesus nos dias de hoje não aprenderam a lição. As multidões querem Jesus como solução dos seus problemas terrestres. Querem que Jesus cure suas doenças e forneça alimentos e sustento. Muitos, hoje, vão além do materialismo egoísta daquela época e consideram Jesus uma fonte de abundância material. Muitos pregadores alimentam este egoísmo e usufruem os bens sacrificados por pessoas em busca das suas bênçãos.

Mas poucos querem o que Jesus realmente oferece: o privilégio de negar a si mesmo, tomar a cruz e morrer por ele (Marcos 8:34; Gálatas 2:19-20). Jesus não é o meio para a realização dos nossos desejos egoístas, é o Rei eterno que merece nossa adoração e obediência para sempre. Aqueles que se entregam de fato para honrar o Senhor recebem a promessa da vida eterna na presença do Senhor. O fato que nos motiva é o mesmo que motivou Pedro e os demais apóstolos. Pedro recusou abandonar Jesus e disse: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus” (João 6:68-69).

–por Dennis Allan


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