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O Livro de Filipenses
© Carl Ballard, 2000
1:1-26
Introdução
1:27-2:30 A Mente de Cristo
3:1-16
Não Confiar na Carne
3:17-4:9
Aplicando as Lições
4:10-23
Gratidão e Bênção
Filipenses 1:1-26
Introdução
Da prisão, Paulo escreve aos irmãos
filipenses um apelo emocionante e encorajador para serem unidos e constantes.
Saudação (1:1-2). Paulo não escreve aos seus amigos em Filipos de sua
posição como apóstolo, mas sim de sua posição ao lado deles, em jugo como
eles no serviço ao Senhor. Suas palavras são para todos os santos
em Cristo Jesus em Filipos -- frisando a importância deles serem unidos na
recepção da mensagem que ele está enviando-- mas com ênfase especial nos
bispos e diáconos da congregação, cujo trabalho é de ajudar em manter os irmãos
unidos e constantes no serviço do Senhor.
Ele lhes deseja graça e paz de Deus; onde essas coisas abundam, a unidade e
constância também abundarão.
A oração de Paulo (1:3-11). Paulo é sempre agradecido por
tudo que ele tem recebido do Senhor, e ele vê os irmãos em Filipos como mais
uma dádiva de Deus, porque o ajudaram desde o início de seu serviço de
evangelização. Ele tem saudades deles "na terna misericórdia de
Jesus Cristo" (1:8), mas, ao invés de orar pelo próprio desejo de
os ver de novo, ele ora pelo crescimento espiritual deles. Se eles crescerem em
amor, com conhecimento e discernimento, Paulo sabe que terá oportunidade de os
ver de novo após esta vida, que é mais importante que os ver outra vez
nesta vida. O desejo dele é que Deus seja glorificado pelo crescimento frutífero
dos irmãos em Filipos.
Pregando Cristo (1:12-18). Paulo não perdeu nenhuma oportunidade para
pregar Cristo; mesmo na cadeia, ele estava pregando aos perdidos. Outros, também,
estavam pregando. Alguns ficaram animados pelo exemplo de Paulo na prisão e se
esforçaram para pregar mais fora da prisão. Outros, talvez egoístas em querer
mostrar que o apóstolo não era o único capaz de ganhar almas, estavam
pregando zelosamente. Paulo não demonstrou o mesmo caráter daqueles com
atitudes erradas. Ele não sentiu inveja deles como eles esperavam. Antes, ele
louvou ao Senhor porque Cristo estava sendo pregado. O poder da salvação está
na palavra (veja Romanos 1:16); aqueles que procuram a salvação, vão
ouvir a palavra da verdade e a seguir, ao invés de seguir os homens que a
ensinam.
Vivendo em Cristo (1:19-26). Paulo conhece apenas duas opções: viver
como Cristo viveu, ou morrer como Cristo morreu (1:21). Essa é a chave para
entender a atitude de Paulo. Porque ele vive como Cristo viveu, ele não se
envergonha de estar preso. Sabe que será provado justo no dia do Senhor, assim
como Cristo foi provado justo pela ressurreição. Uma vez que ele vive como
Cristo, sabe que a morte será para ganhar a recompensa eterna com o Pai.
Portanto, o desejo sincero de Paulo é que Cristo seja magnificado no seu corpo,
e que sua vida encoraje os irmãos em Filipos. Ele preferiria morrer agora para
estar com Cristo. Mas, se a decisão fosse dele, ele escolheria ficar para trás
para continuar servindo, ainda na carne, aos seus irmãos, para o bem maior
deles e não para o próprio bem dele.
Perguntas para estudo pessoal:
Filipenses
1:27-2:30
A Mente de
Cristo
A importância da união (1:27
- 2:4). Filipos era uma colônia do Império
romano. Os cidadãos viviam como romanos, respeitando as leis de Roma e pagando
impostos a César. Eles gozavam da segu-rança e dos benefícios de serem cidadãos
romanos, ainda que vivessem a uma grande distância de Roma. Parte da força de
Roma era a união de suas colônias através do mundo antigo: todas elas estavam
se esforçando juntas pelo bem comum.
Semelhantemente, os cristãos filipenses eram uma "colônia" do céu.
Quando Paulo escreveu "vivei de um modo digno" (v. 27),
ele estava lhes dizendo para "viverem como cidadãos" de sua cidade
capital: o céu (veja 30:20). Um cidadão tem que manter um certo perfil. Como o
resto do mundo saberia que os filipenses eram romanos? Eles viviam como romanos.
Como o mundo saberia que eles eram cidadãos do céu? Eles teriam que viver como
santos: em união, amor e serviço. O Império Romano era forte, mas no fim
caiu. A unidade da cidadania cristã é parte de "um reino inabalável"
(veja Hebreus 12:28).
A mente de Cristo (2:5-11). Para os santos filipenses servirem bem uns aos
outros, deixando seus próprios desejos pelo bem comum de todos os santos, eles
teriam que aprender a ser desprendidos. Muitos reinos tinham caído por causa do
egoísmo e da ganância. Mas o reino do céu estava estabelecido no serviço
desinteressado aos outros. Jesus Cristo -- o próprio Rei -- veio como um servo
(vs. 6-7), e serviu a toda a humanidade vivendo sem pecado e morrendo numa cruz.
Se Jesus pode humilhar-se para descer do céu e servir os homens, estes podem
humilhar-se para descer de seu orgulho e servir os outros.
Realize sua salvação (2:12-16). A salvação é uma dádiva de Deus
(veja Romanos 6:23), mas exige uma resposta por parte dos homens para a
receberem. Essa resposta é obediência. Paulo encoraja-os a continuarem
obedecendo, justo como tinham feito quando ele estava com eles (v. 12). Ele
incita-os a obedecer "porque Deus é quem efetua em vós tanto
o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (v. 13).
Quando obedecemos a Deus fielmente, ele trabalha em nós para a salvação.
A obediência jubilosa e unida dos servos de Deus é "luz" num mundo
escuro onde as pessoas vivem com ira e disputa, servindo só a si mesmas.
Vários exemplos (2:17-30). Paulo conclui com três exemplos de serviço
desinteressado. Paulo estava feliz (vs. 17-18) por ser "oferecido por
libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé". Timóteo
(vs. 19-24) não era como os outros, que "buscam o que é seu próprio"
(v. 21), mas queria fazer as jornadas perigosas de ida e volta a Filipos
para servir a Paulo e seus irmãos. E Epafrodito (vs. 25-30), "por
causa da obra de Cristo chegou às portas da morte e se dispôs a dar a própria
vida". Que Deus ajude todos nós a sermos um exemplo de serviço
desinteressado.
Perguntas para estudo pessoal:
-
Qual
é a resposta de Deus para aqueles que se humilham? (vs. 9-11; veja ambém 1
Pedro 5:5-6).
-
As
denominações buscam "União na Diversidade Doutrinária" -- uma
tentativa para esquecer as diferenças entre "doutrinas" em favor da
"unidade a todo custo". Qual é a diferença entre essa união e a que
Paulo prega aqui? diferenças entre "doutrinas" em favor da unidade a
todo custo". Qual é a diferença entre essa união e a que Paulo prega
aqui?
- por Carl Ballard
Filipenses
3:1-16
Não
Confiar na Carne
"No Senhor" (3:1). A
chave à nossa alegria deve estar "no Senhor" (v. 1), e
não nas nossas próprias obras. Devemos estar buscando "em primeiro
lugar, o seu reino e a sua justiça" (Mateus 6:33). Por este
motivo, Paulo escreve aos filipenses mais uma vez "as mesmas
coisas" que já ouviram dele em Cristo. É nossa segurança no
evangelho que continuamos estudando as mesmas palavras do Senhor, ao invés de
criar novos e "melhores" credos. Tudo que precisamos para sermos fiéis
e piedosos já foi nos dado nas Escrituras (veja 2 Timóteo 3:16-17; 2 Pedro
1:3; Judas 3). Quando acrescentamos ou tiramos alguma coisa da vontade divina
revelada, mostramos que nossa confiança está em nós mesmos e na nossa
sabedoria e não na dele.
A verdadeira circuncisão (3:2-3). Alguns chegaram a filipos ensinando
coisas que não faziam parte do evangelho de Cristo. Falaram que os irmãos
precisavam se circuncidarem e cumprirem a Lei de Moisés. Paulo explica que a
circuncisão verdadeira é do espírito, e não da carne (veja
Colossenses 2:11-14). É Cristo quem circuncida nosso coração e espírito
quando, pela fé obediente, somos batizados nele. A falsa circuncisão tem ligação
com Abraão apenas pela descendência física, mas a verdadeira circuncisão
são aqueles que têm a fé de Abraão (veja Gálatas 3:7-14,26-29).
Considerando tudo como perda (3:4-11). Paulo mostra a futilidade de
confiar na carne, usando o exemplo da própria vida dele. Se alguém poderia
ter confiado na carne, seria Paulo. As coisas que ele conseguiu fazer, como
judeu, eram notáveis. Mas, para Paulo, nada disso importava. Ele não somente
considerava todas essas coisas perda, mas até as chamou de refugo. Até as
maiores coisas que um homem pode conseguir aqui nessa vida não são nada quando
comparadas com "a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus" (v.
8). Paulo considerava tudo refugo para não ser tentado confiar nas coisas que
ele tinha feito. Ele sabia que precisava se conformar com Cristo na sua morte
(v. 10-11). Se houver algo que ameaça nos impedir de participar da
ressurreição, precisamos considerar tal coisa refugo e jogá-la fora.
Prosseguindo para alcançar (3:12-16). Até o próprio apóstolo Paulo não
acreditou que uma vez que ele foi salvo, foi salvo para sempre. Enquanto ele era
confiante da sua salvação em Cristo, é óbvio que ele continuou cada dia a
fazer o que pôde para prosseguir na luta. Ele não quis perder "o prêmio
da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (v. 14). Se Paulo
tinha que batalhar todos os dias, todos os discípulos de Cristo precisam fazer
o mesmo. Utilizemos o que já aprendemos em Cristo para nos ajudar a prosseguir
cada dia para aprender mais de Cristo e de seu plano eterno para aqueles que o
amam!
Perguntas para reflexão:
-
No seu louvor, você faz
coisas que não fazem parte do evangelho de Cristo revelado nas
Escrituras, ou você está se esforçando para fazer "as mesmas
coisas" que Paulo escreveu para os irmãos do primeiro século?
-
Quais coisas que você tem
feito -- até educação e profissão-- ameaçam impedir a sua vida eterna
com Cristo? Mude e coloque o Senhor em primeiro lugar.
-
Você está prosseguindo para
alcançar quais alvos espirituais? Você está progredindo?
-por Carl Ballard
Filipenses
3:17-4:9
Aplicando as
Lições
Um contraste de caráter (3:17-
4:1). Paulo começa aplicando as lições
a si mesmo, como um exemplo aos irmãos. Ele os faz lembrar de sua caminhada
como cidadão do céu, cujo Deus é o Salvador, com poder para mudar nossos
humildes corpos terrestres em outros glorificados (3:21). Ele se contrasta com
outros que entraram no meio deles, aqueles que servem a seus próprios desejos e
paixões em vez da verdade e poder de Deus. Seu deus "do ventre" não
pode dar glória eterna aos seus seguidores, mas pode somente levá-los à
"perdição", que é a "glória" do ganho terrestre temporário
(3:19). É a esperança de glória celestial que fortalece os fiéis
quando os infiéis caem (4:1).
Responsabilidades individuais (4:2-3). A unificação do corpo de Cristo
começa num nível pessoal. A igreja se compõe de pessoas que vêm de uma
variedade de ambientes, com uma variedade de perso-nalidades e níveis de
maturidade. Certa-mente, aparecerão diferenças de opinião entre irmãos.
Mesmo o próprio Paulo tinha uma forte diferença de opinião com dois outros
discípulos (veja Atos 15:36-41). Mas, se estas diferenças espirituais forem
tais que afetem nossa unidade espiritual, elas precisam ser superadas. Nossa
tarefa é permanecer unidos para que possamos continuar a luta contra Satanás
(veja 1:27-28). Evódia e Síntique são instruídas a superar suas diferenças,
pensando "concordemente, no Senhor" (4:2). E, como o "fiel
companheiro de jugo" não nomeado (4: 3), aqueles que estão unidos
no Senhor deverão trabalhar duramente ajudando aqueles que estão lutando.
Alegria em Cristo (4:4-7). Não é fácil estar contente no sofrimento,
mas isto é o que o cristão é chamado freqüentemente a fazer. O cristão que
está lutando contra Satanás sofrerá nesta vida (veja 2 Timóteo 3:12). Mas
podemos regozijar-nos, não importa quão dura seja a situação, se
rego-zijamos "no Senhor". Se simplesmente nos mantivermos perto
do Senhor, em oração, e pelo nosso próprio comportamento moderado, até mesmo
no sofrimento poderemos conhecer a paz "que excede todo o
entendimento" (4:7). Paulo está escrevendo com experiência:
lembre-se, foi em Filipos que ele e Silas estavam alegremente cantando hinos a
Deus mesmo depois de terem sido espancados e atirados na prisão (veja Atos
16:19-25).
Como pensar (4:8-9). Tornar-se um cristão forte envolve uma mudança
completa de personalidade, do coração para fora. Para se comportar como um
cristão, precisa-se pensar como um cristão. O cristão precisa pensar
ativamente, e não passivamente. Paulo diz para deixar que esta coisa "ocupe
o vosso pensamento" (4:8). Uma mente ociosa acolherá todo
tipo de pensamentos, desde os bons até os maus; mas uma mente ativa trabalhará
para controlar-se, detendo-se no que é nobre e bom, deixando fora o que
corrompe. Jesus ensinou que, não somente nossos atos, mas nossos pensamentos
por trás deles serão julgados no dia final (veja Mateus 5:21-32).
Perguntas para reflexão:
-
Se unidade é estar "no
Senhor", o que isto sugere sobre a prática de ficar
tolerando diferenças doutrinárias de modo a preservar "a
unidade"? (4:2).
-
Quais coisas, na sua prática
diária, ameaçam sua capacidade de ocupar sua mente com o que é bom?
(4:8).
- por Carl Ballard
Filipenses
4:10-23
Gratidão e Bênção
Paulo começou sua carta agradecendo
a Deus pelos filipenses (1:3). Ele encerra com agradecimento pessoal aos
irmãos.
A vida contente (4:10-13). Ao receber ajuda dos filipenses, Paulo se
regozija grandemente "no Senhor" (4:10). Mesmo assim,
ele explica que seu contentamento vem, não das coisas que ele tem nesta vida,
mas em sua relação com o Senhor. O contentamento, nesta vida, é uma atitude aprendida
(4:11). Em todas as coisas que Paulo sofreu por amor do evangelho (veja 1:17;
3:4-11; 2 Coríntios 11:23-30), ele aprendeu a manter sua atenção em
Cristo (veja também 2 Coríntios 12:7-10). Se aprendemos a ter Cristo como o
foco de nossa vida, a nossa circunstância material perderá sua importância
(4:12-13).
O verdadeiro donativo (4:14-20). Ainda que Paulo não precisasse do
donativo deles para ficar contente, assim mesmo ele se regozijou em recebê-lo
porque eles participaram da aflição dele (4:14). Eles tinham ajudado a Paulo
desde o início, quando ele saiu de Filipos para ensinar em Tessalônica
(4:15-16; veja Atos 16:11-17:4 e 2 Coríntios 8:1-5). Agora que tinham
oportunidade de ajudá-lo novamente, isso significaria "fruto"
para crédito deles (4:17). Eles colheriam ricas recompensas do Pai (4:19). A dádiva
deles era um sacrifício pessoal, "como aroma suave, como sacrifício
aceitável e aprazível a Deus" (4:18). Não é o objeto do sacrifício
que dá a suave fragrância a Deus, mas o coração daquele que faz o sacrifício.
Os corações dos filipenses eram suaves para Deus, em seu abundante amor para
com Paulo.
Essa generosidade é o modelo para os cristãos de hoje. Eles não deram
esperando receber bênçãos em retribuição. Não deram porque era algo que
"a igreja" exigia. Eles deram com ânimo e de coração, sabendo que
sua dádiva estava indo para a divulgação do evangelho e que "Deus
ama a quem dá com alegria" (2 Coríntios 9:7).
Saudações e bênçãos (4:21-23). Nosso amor genuíno de uns pelos
outros e nosso cuidado com a unidade no corpo de Cristo devem compelir-nos a ver
uns aos outros assim como Cristo nos vê. Podemos saudar nossos irmão "em
Cristo Jesus", se há lutas entre nós? (veja 4:2-3). Temos que
humilhar-nos e abandonar nossas diferen-ças pessoais para ajudar uns aos outros
chegar ao céu. Isso é exatamente o que Jesus fez por nós (2:5-11).
Paulo envia saudações de todos os irmãos que estavam com ele (4:21-22). Os
filipen-ses haviam ajudado a levar o evangelho até aqueles da casa de César,
que se lembravam deles com amor. Em tudo isto, a graça do Senhor é óbvia.
Paulo começou sua carta desejando-lhes a graça do Senhor, e encerra-a com o
mesmo desejo (4:23). Onde abunda a graça do Senhor, haverá paz, unidade, e força
para superar as tentativas de Satanás a destruir os servos de Deus (veja 2 Coríntios
12:9-10).
Perguntas para mais
estudo:
-
Através de toda a sua carta
aos filipenses, Paulo estava agradecido por quais coisas? Pelo que você
é agradecido (Qual é o seu foco)?
-
Deus aceita todos os
sacrifícios? Como é possível fazer um sacrifício a Deus que não lhe
agrada? (Veja Isaías 1:11-14; Jeremias 7:21-23; Mateus 7:21-23;
15:7-9).
-
Se amamos a Deus, qual será
nossa atitude para com o povo por quem ele morreu para salvar?
- por Carl Ballard
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