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Espírito de Independência

Através da História, homens e mulheres tenderam a seguir e não a conduzir. Adão seguiu Eva; ela seguiu a serpente. Todos, desde então, têm seguido a trilha da desobediência. O número de pessoas que desejam pensar e agir independentemente, desafiando a maioria, tem sido sempre pequeno. Mas entre este pequeno número de pensadores independentes têm estado os grandes servos de Deus através da História. Homens como Noé, Abraão, Moisés, Elias, Paulo e, de modo proeminente, o próprio Jesus, não se preocuparam se eles se ajustavam à multidão ou não. Precisamos ter um espírito de independência para sermos servos fieis de Deus hoje em dia.

No Estudo

Precisamos querer estudar honestamente as Escrituras, aceitar e seguir o que elas dizem, sem nos importarmos com as conseqüências. Deus experimenta nossos corações pela nossa resposta a sua palavra; quem quer que queira fazer sua vontade pode entender o que ele escreveu (João 7:17). Mas é preciso coragem para aceitar e seguir conclusões impopulares. Em Neemias 8 Esdras passou tempo lendo com os guias do povo. Eles descobriram na lei procedimentos para a comemoração da festa dos tabernáculos, incluindo instruções para fazerem ranchos com ramos e viverem neles durante uma semana. Esta lei foi claramente declarada (Levítico 23:40), mas não tinha sido observada durante aproximadamente mil anos. O que faríamos se encontrássemos algo que o evangelho ordenou e nenhum de nós tivesse feito durante mil anos? Teríamos a convicção e o compromisso com a vontade de Deus para seguir o que ele tinha dito, mesmo contrariando o peso da tradição e da História? Esdras e o povo tiveram. Quando perceberam o que Deus queria, eles imediatamente fizeram circular uma proclamação dizendo que todos construíssem tendas com ramos para a semana da festa das cabanas. Há algo emocionante sobre a disposição que eles tiveram de seguir o que o Senhor disse sem se importarem com o precedente histórico, sem se importarem com o que eles e outros tinham feito no passado.

Este tipo de estudo independente exige que cada um estude por si mesmo, cuidadosa e atentamente. Como os crentes de Beréia, que examinavam as Escrituras todos os dias para verificar a mensagem de Paulo (Atos 17:11), nunca deveremos aceitar sem crítica a palavra de um pastor ou sacerdote. Precisamos querer ser diferentes, ser criticados, ser obedientes a cada palavra que Deus nos disse. Precisamos querer romper com a tradição e fazer as coisas de modo diferente do que nossos irmãos "sempre" fizeram. Certamente, um estudo cuidadoso é exigido antes de agir. Conclusões apressadas são freqüentemente incorretas. Mas não deveremos nunca hesitar em confiar no Senhor, e nunca ter medo de seguir a trilha que ele traça mesmo se ela conduzir a território não familiar. Ele está certo, mesmo se todos estiverem errados.

Nas Palavras

Vezes e mais vezes, os servos de Deus têm falado sozinhos a multidões de contrários. Josué e Calebe foram dois entre doze espiões enviados a verificar as defesas da terra de Canaã (veja Números 13-14). Os outros dez relataram que eles eram muito fracos para tomar a terra. Josué e Calebe contradisseram essa análise dizendo que com o auxílio de Deus eles seriam capazes de tomar a terra. A congregação inteira de 600.000 homens apoiou-os dez. Mas Josué e Calebe não recuaram. Eles insistiram que a força de Deus os capacitaria a tomar o território prometido. A falta de fé do povo fez com que peregrinassem durante 40 anos e morressem no deserto; Josué e Calebe foram os dois únicos dessa geração que tiveram permissão para residir na terra prometida. Outros têm querido falar e levantar-se. Micaías predisse exatamente o oposto de 400 profetas do rei (1 Reis 22:1-28). Elias desafiou ousadamente 450 profetas de Baal para uma disputa em público, para verificar de quem era o Deus verdadeiro (1 Reis 18). Estes eram homens destemidos, cheios de força e convicção.

Outros homens, contudo, têm-se recusado a falar independentemente. Nos dias de Jesus, houve aqueles que criam em Jesus mas se recusavam a confessá-lo publicamente porque tinham medo de que fossem expulsos da sinagoga (João 12:42-43) É muito duro ir contra a multidão. Queremos ser aceitos e respeitados. E ficamos freqüentemente intimidados pela ameaça de sermos repreendidos por um pastor ou expulsos de uma determinada igreja. Homens de fé têm sido freqüentemente expulsos de grupos religiosos (João 9; 3 João 9-10). Ainda que seja assustador falar sozinho, a chave é confiar em Deus. Quando cremos realmente, podemos arriscar a rejeição com confiança porque sabemos que a palavra de Cristo é verdadeira. Quão melhor teria sido ficar com Josué e Calebe do que com 600.000 rebeldes.

Nos Atos

Grandes homens de Deus têm sempre agido independentemente e desafiado a sociedade ao fazê-lo. Os maiores reis do Velho Testamento, homens como Ezequias e Josias opuseram-se às práticas religiosas suas contemporâneas quando seguiram o caminho do retorno à vontade de Deus. Jesus desafiou consistentemente o decoro e chocou os escribas e fariseus voltados para a tradição. Ele comeu sem lavar suas mãos, fez coisas no Sábado, falou com mulheres em público, omitiu seus rituais de jejum, comeu com prostitutas e pecadores, etc. O Senhor queria bem desafiar as instituições religiosas e romper com os costumes convencionais.

Deveremos ver Jesus, então, como um rebelde, querendo meramente afrontar o costume estabelecido? Realmente, não. Jesus seguiu muitas coisas ensinadas pelos grandes rabis. Ele ensinou respeito por Deus e pela sua palavra. Ele cria que a Escritura não deveria ser desobedecida, nem mesmo em seus menores pontos (Mateus 5:18; João 10:35). Ele seguiu as leis sobre sacrifício e sacerdócio, guardou os dias festivos, etc. Ele concordava em muitas coisas com os fariseus e os escribas (Materus 23:2-3) até mesmo quando ele deplorava a hipocrisia deles. Assim Jesus quebrou algumas tradições e guardou outras. Seu principal guia era a vontade do Pai. Aquelas práticas aceitas que coincidiam com a vontade do Pai ele guardava impecavelmente, e seus inimigos o sabiam (João 8:46). Mas ele nunca hesitou em desconsiderar leis e regulamentos escritos e impostos por homens (veja Mateus 15:1-4). Jesus confiava em seu Pai implicitamente. Ele não era nem rebelde nem conservador. Ele queria fazer exatamente aquilo que o Pai disse sem considerar sua popularidade. Nesse sentido ele era independente e confiante nessa independência. Ele conhecia a vontade de seu Pai e nenhuma vez duvidou de que estivesse certo em guardá-la.

Entre as Congregações

A Bíblia mostra um modelo de independência entre congregações. Em nossos dias, congregações se ajuntam para formar denominações e para ter organização de grupo e supervisão, identidade de grupo e projetos de grupo. Mas no Novo Testamento cada igreja tinha que ser supervisionada por anciãos cuja responsabilidade supervisora estava limitada à congregação a que pertenciam (Atos 20:28; 1 Pedro 5:1-3). Não havia organização hierárquica entre as igrejas no Novo Testamento. Elas não tinham nenhuma sorte de credo ou trabalho coletivo. Cada congregação era autônoma servindo ao Senhor independentemente. Em Apocalipse 2-3 cada igreja era distinta e não seguia nenhuma direção envolvendo uma coletividade de igrejas. Foi no segundo, terceiro e quarto séculos que igrejas começaram a se ajuntar e a estabelecer supervisores sobre grupos de igrejas, a exigir assinaturas em credos, etc. A maioria do desejo de padrões coletivos e estatutos foi para evitar falsas doutrinas. Ironicamente, as igrejas não perceberam que as próprias medidas que elas instituíram num esforço para evitar falsas doutrinas eram elas próprias realmente falsas.

Mesmo quando igrejas evitam um sistema rigidamente denominacional elas ainda podem facilmente reprimir a independência das igrejas. Freqüentemente se desenvolve uma mentalidade pela qual os membros são encorajados a serem leais aos ensinamentos de um grupo de igrejas. Certas posições doutrinárias são defendidas não tanto porque sejam bíblicas, mas porque representam o que certa ‘denominação’ ensina. Lealdade a um grupo ou partido de igrejas é promovida. Então igrejas se ajuntam promovendo projetos coletivos para fazer trabalhos que dão importância e proeminência ao grupo. Logo elas desejam impor uniformidade em todos os aspectos: um título uniforme para as congregações usarem, um procedimento uniforme de adoração, ensinamentos uniformes em cada simples minúcia. As igrejas que se recusam a participar são castigadas como contrárias e são consideradas heréticas. Manter a independência bíblica é herético somente para os hereges.

Manter a independência é um desafio porque requer coragem, convicção e força. É duro porque é preciso desafiar a oposição da denominação estabelecida. Mas o Senhor é confiável. Quando confiamos nele, e agimos de acordo com essa fé, não precisamos temer qualquer homem ou aliança de igrejas. A palavra de Deus dá ampla autorização para nós; sigamo-la sem importar quão esparsamente populosas sejam as trilhas através das quais ela conduz.

- por Gary Fisher
D96

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