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Vencendo o
Desânimo
Que contraste! Em 1 Reis 18, Elias era forte e corajoso.
Logo no próximo capítulo ele entrou em pânico e fugiu para salvar sua vida. O
que acontecia? O que enfraquecia este grande profeta e fazia com que ele
esquecesse seu dever? Era o desencorajamento que fazia Elias cair. Precisamos
tomar cuidado porque o desânimo pode incapacitar nossa vida espiritual também.
O contexto da vitória de Elias no capítulo 18 é impressionante. A idolatria,
especialmente a adoração de Baal, dominava o país de Israel. O rei e a rainha
desta nação, Acabe e Jezabel, eram totalmente corruptos. Neste ambiente
espiritual desanimador, a voz solitária de Elias soava em oposição. Ele lançou
um desafio aos falsos profetas para disputarem para ver quem era o Deus
verdadeiro. A competição seria simples: seriam preparados sacrifícios no
altar e o deus que respondesse com fogo do céu para queimar o animal seria o
vencedor. Os resultados foram inconfundíveis. Os idólatras clamaram a Baal
desde a manhã até o meio da tarde, mas não houve resposta. Em contraste,
Elias cavou uma valeta em volta do seu sacrifício, molhou o animal com doze
baldes de água até o ponto em que a valeta ficou cheia e então, calmamente
pediu ao Senhor que o consumisse. O fogo de Deus não somente queimou o boi, mas
também as pedras do altar, a água da valeta e até a terra em volta dele. Esta
demonstração dramática convenceu o pov, e os falsos profetas foram
executados.
Imediatamente após, Elias partiu para o palácio em Jezreel, onde Jezabel
mandou dizer que planejava matá-lo no dia seguinte. Desanimado, Elias fugiu.
Ele disse ao Senhor que queria morrer e então fugiu durante quarenta dias e
noites. O desânimo nem sempre é pecaminoso, mas leva ao pecado freqüentemente.
Neste caso, a depressão do profeta levou-o a esquecer seu posto de serviço,
fraquejar em sua fé em Deus e, finalmente, tornar-se egoísta. Ele se queixou
que era o único restante que servia ao Senhor fielmente. A vida de Elias, então,
oferece um modelo útil para estudar o desencorajamento, o que o causa e como
vencê-lo.
Causas
Ironicamente, um dos principais fatores que produziam o desânimo de Elias era a
grande vitória que ele conseguira no Monte Carmelo contra os falsos profetas.
Vitórias espirituais decisivas são momentos especialmente vulneráveis; somos
mais suscetíveis nesses momentos tanto ao orgulho como ao desencorajamento.
Neste caso, sem dúvida, Elias previu um reavivamento avassalador. Talvez ele
esperasse que Acabe e Jezabel de
algum modo conduzissem a nação inteira ao arrependimento. Assim, o desafio
continuado de Jezabel foi uma decepção. A mesma coisa pode acontecer conosco.
Quando as coisas vão bem, nossas expectativas são grandes. Então vem o revés,
e ficamos desencorajados.
Uma segunda coisa que causou a depressão de Elias foi seu fracasso em conseguir
os resultados desejados. Depois de anos de fidelidade ao Senhor e depois da
matança dos falsos profetas, nada tinha realmente mudado. Ou assim parecia. É
extremamente desanimador trabalhar, trabalhar, trabalhar e mesmo assim não ver
resultado positivo. Isto não é incomum. Noé, um pregador da justiça (2 Pedro
2:5), procurou salvar somente sua própria família. Jesus mesmo foi desprezado
e rejeitado (Isaías 53:3; João 1:11). Muitos dos mais diligentes servos de
Deus têm experimentado a frustração de ver os pequenos resultados de seu
labor. Quando vemos pouco ou nenhum fruto de nossas atividades no serviço do
Senhor, precisamos ser pacientes (Gálatas 6:9) e confiar em que a colheita virá
(1 Coríntios 15:58). Terceira coisa, Elias estava desanimado porque aqueles que
deveriam estar servindo o Senhor se esqueciam dele. Acabe e Jezabel deveriam ter
sido os guias espirituais daquela nação. A conduta deles era desmoralizante.
Para nós, poem ser os irmãos que nos desapontam. A oposição do mundo não
surpreende, mas quando vemos aqueles que declaram estar servindo o Senhor voltar
suas costas a ele, isto se torna mais do que podemos suportar. Isto não é um
problema novo. Josué e Calebe ficaram virtualmente sós (Números 14). Num
momento crítico em sua vida, Paulo foi abandonado por todos os irmãos (2 Timóteo
4:16). Precisamos continuar servindo a Deus, independente da resposta dos outros
(Habacuque 3:17-18).
Uma quarta causa do desencorajamento de Elias foi a comiseração de si mesmo.
Ele estava sentindo pena de si mesmo. Ele sentia que estava só, que todos os
outros tinham abandonado o Senhor. É difícil ficar deprimido quando se está
fixo na obra do Senhor, mas quando se está pensando principalmente em si mesmo,
o desânimo quase sempre acontece.
A culpa era uma causa final da depressão de Elias. Ele tinha abandonado sua
responsabilidade e agido sem a orientação de Deus. Ele sabia que estava errado
porque estava na defensiva quando o Senhor falou com ele. Precisava de perdão e
necessitava voltar ao seu posto de serviço. A culpa freqüentemente produz
depressão. Algumas vezes, quando estamos abatidos, não precisamos simplesmente
arranjar um modo de sentir melhor, mas precisamos de arrepender.
A pergunta de Deus
O Senhor veio a Elias duas vezes e perguntou: "Que fazes aqui,
Elias?" (1 Reis 19:9, 13). Aqui estava um homem bom e justo que
tinha caído. Como Deus lidaria com ele? Deus não ficou aborrecido ou desistiu
dele. Por outro lado, Deus também não o mimou. O Senhor desafiou-o
diretamente, ajudando-o a superar seu desânimo, e reassumir seu serviço fiel.
É encorajador perceber que Deus cuida de seus servos fracos e decaídos, e que
ele trabalha para encorajá-los e restaurá-los. É também bom ver o modelo do
Senhor quando procuramos ajudar a reerguer nossos irmãos quando se tornam
abatidos. Não devemos abandoná-los com desprezo, mas também não devemos só
tentar fazê-los se sentir melhor. Precisamos desafiá-los e ajudá-los a se
levantar novamente na obra do Senhor.
Curas
Quando o Senhor visitou Elias na montanha e perguntou o que ele estava fazendo
ali, Deus lhe disse para sair "e põe-te neste monte perante o
SENHOR." Deus mostrou a Elias um vento grande e forte que quebrou
as rochas da montanha em pedaços, depois revelou um terremoto e depois um fogo.
Cada um deles demonstrava o poder de Deus, algo que Elias precisava ver
urgentemente. Ele precisava de mais confiança no Senhor; precisava ver quem
estava ao seu lado. Mas, surpreendentemente, o Senhor não estava no vento, nem
no terremoto, nem no fogo. Por fim, Elias ouviu um sopro suave e ali estava o
Senhor! A lição parece ser que precisamos confiar no Senhor até mesmo quando
não vemos nada dramático. Deus pode trabalhar quieto, por meios pequenos e
aparentemente insignificantes. Precisamos deixar mais nas mãos de Deus e não
esperar que ele sempre opere de uma maneira dinâmica e impressionante. Elias
estava esperando um vento, um terremoto e um fogo, mas o Senhor estava num som
soprado suavemente. Em tempos de desencorajamento, confiemos no Senhor, esteja
ele agindo sensacionalmente ou imperceptivelmente.
Deus deu a Elias uma tarefa para cumprir. Ele lhe disse que ungisse Azael como
rei sobre a Síria e Jeú como rei de Israel, e Eliseu como seu próprio
sucessor. Elias precisava apressar-se; sua inatividade lhe havia dado
simplesmente mais tempo para se lamentar. Dificilmente, ficamos deprimidos
quando estamos ativos. Mas quando nos sentamos e remoemos um pensamento, então
ficamos desanimados.
Finalmente, o Senhor falou a Elias sobre os 7000 que jamais haviam se prostrado
diante de Baal. Elias não tinha percebido aqueles que eram os verdadeiros
servos do Senhor. Ele nunca tinha observado que não era realmente o único
restante. Quando estamos desencorajados, nossa tendência é pensar que tudo e
todos estão contra nós. Precisamos reconhecer as coisas boas como as más.
Conquanto nossa tendência possa ser nos retirarmos daqueles que nos elevariam,
os momentos de depressão são, muitas vezes, os próprios momentos em que
precisamos mais da amizade de nossos irmãos. Posso não estar com vontade de ir
à igreja, ou passar algum tempo com um irmão cristão, mas se eu fizer isso
vou me sentir reanimado.
Aplicação
Os cristãos ficam, às vezes, desanimados. Nesses momentos precisamos
voltar-nos para o Senhor e permitir que ele nos ajude a superar a depressão,
para que não nos enfraqueçamos e nos afastemos dele. E para nós, como para
Elias, as soluções são relativamente simples. Precisamos de mais confiança
no Senhor, até mesmo quando não o observamos operando de modos dramáticos.
Precisamos nos levantar e nos ocupar, deixando de pensar em nós mesmos. E
precisamos ver o bem à volta de nós e passar mais tempo com nossos irmãos.
- por Gary Fisher
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