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O que a Bíblia ensina sobre a Organização da
Igreja? (pdf)
A divisão e a confusão que existem no mundo religioso em nossos dias são
contrárias à oração de Jesus na noite anterior à sua morte (João
17:20-21). Há centenas de denominações ensinando e praticando coisas
diferentes. Sabemos que Deus não criou essa confusão. O modelo que ele dá na
Bíblia não é difícil de entender, nem impossível de praticar. O problema é
que séculos de “modificações”, “tradições” e “melhoramentos”
humanos anuviaram nossa visão da simplicidade do plano original revelado pelo
Espírito Santo no Novo Testamento. Em lugar nenhum isto é mais evidente do que
na diversidade dos planos de organização de igrejas. Neste artigo, quero
desafiar cada leitor a tentar deixar de lado tradições humanas e ideias pré-concebidas
para ver claramente a simplicidade do padrão do Novo Testamento de organização
de uma igreja. Tão certamente quanto os primitivos cristãos foram capazes de
organizarem-se em agrupamentos que funcionam, conhecidos como igrejas locais,
sinceros seguidores de Jesus podem fazer o mesmo hoje em dia. Mas como? Como em
todas as outras facetas da vida, precisamos por de lado nossas preferências,
opiniões e políticas, para humildemente estudar e aplicar o ensinamento das
Escrituras (Tiago 1:21-25).
O
Modelo de Organização de Igrejas Locais no Novo Testamento
Precisamos começar por um entendimento básico da ideia bíblica de uma igreja.
No Novo Testamento, uma igreja é simplesmente um grupo de cristãos que seguem
a Cristo. A palavra pode ser usada para falar de todos aqueles que servem ao
Senhor, não importa onde estejam (Hebreus 12:22-23). É frequentemente usada
para descrever grupos locais de discípulos que se encontram para adorarem, para
edificarem uns aos outros e para proclamarem o evangelho de Jesus. É neste
sentido que lemos sobre a igreja em Antioquia da Síria (Atos 13:1), sobre as
igrejas em Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia (Atos 14:21-23), sobre a
igreja em Éfeso (Atos 20:17), a igreja em Corinto (1 Coríntios 1:2; 2 Coríntios
1:1), as igrejas na região da Galácia (Gálatas 1:2) e a igreja dos
tessalonicenses (1 Tessalonicenses 1:1; 2 Tessalonicenses 1:1). É neste
ambiente de igrejas locais que encontramos homens escolhidos para supervisionar
e guiar. Os sistemas comuns de superestruturas de denominações, de ligas
internacionais de igrejas e de hierarquias que ligam e até governam milhares de
igrejas locais, são invenções dos homens. Não há modelo bíblico de tais
arranjos. No Novo Testamento, os cristãos serviam juntos em congregações
locais. Eles eram gratos pelos seus irmãos em outros lugares, mas não tentavam
criar algum laço de organização onde os cristãos de um lugar pudessem
dirigir ou governar o trabalho de discípulos de outro lugar. Veremos este
modelo mais claramente quando considerarmos o ensinamento específico sobre a
organização de uma igreja local.
Conforme se espalharam
pelo mundo, partindo de Jerusalém, cada cristão levou o evangelho a outras
pessoas. A semente (a palavra Lucas 8:11) foi plantada e produziu fruto (cristãos
Lucas 8:15; 1 Coríntios 3:7). Estes novos discípulos começaram a adorar e a
trabalhar juntos no serviço de Deus (Atos 2:44; 16:40). Em cada cidade onde
homens e mulheres obedeciam ao evangelho, as igrejas eram formadas (Atos
14:21-23). As igrejas se reuniam regularmente para participar da Ceia do Senhor
(Atos 20:7; 1 Coríntios 11:20-34), para servir a Deus e edificarem uns aos
outros (1 Coríntios 14:26; Hebreus 10:23-25). Os membros destas igrejas locais
contribuíam voluntariamente para a obra que Deus incumbiu à congregação (1
Coríntios 16:1-2; 2 Coríntios 9:7). A Supervisão da Igreja Local
Quando estas congregações
se formaram, eram grupos de recém-convertidos que tinham que crescer (1 Coríntios
3:1-2). Quando amadureciam, desenvolviam-se homens que satisfaziam às qualificações
exigidas por Deus para prover supervisão a essas congregações. Esses homens
eram selecionados para servirem como presbíteros (Atos 14:23). A Bíblia também
usa a palavra bispo para descrever os mesmos homens, e diz que o seu papel é
pastorear (Atos 20:17, 28; 1 Pedro 5:1-2). A distinção que muitos grupos
religiosos fazem entre pastores, bispos e presbíteros não é baseada na Bíblia.
Estes presbíteros serviam na igreja local para pastorear
“o rebanho de Deus”, no meio do qual estavam (1 Pedro 5:1-2). Sua
responsabilidade e autoridade para supervisionar não iam além do rebanho
local. Não há nenhuma base bíblica para presbíteros de um local
supervisionarem uma igreja em outro local. É também interessante e importante
observar que as passagens que falam de bispos, presbíteros ou pastores nunca
falam de apenas um servindo numa congregação. O modelo do Novo Testamento é
ter uma pluralidade de bispos numa igreja local (Filipenses 1:1). Deus não
autorizou nenhum homem a supervisionar sozinho uma igreja local.
Qualificações de Presbíteros/Pastores/Bispos
Duas
passagens indicam claramente as qualificações que um homem tem que possuir
para servir como bispo (1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-9). Nenhum homem que não
possua todas estas qualificações deverá ser selecionado para servir como
presbítero/pastor/bispo. Antes de selecionar seus pastores, os membros da
igreja local deverão estudar cuidadosamente estas listas para estarem certos de
que tenham dois ou mais homens verdadeiramente qualificados. Paulo falou de
qualificações familiares: esposo de uma só mulher, governa bem a própria
casa, tem filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são
insubordinados. Ele deu uma extensa lista de exigências espirituais e morais:
irrepreensível, temperante, domínio de si, sóbrio, modesto, hospitaleiro, tem
bom testemunho dos de fora, não dado ao vinho, não violento, cordato, inimigo
de contendas, não avarento, não arrogante, não irascível, amigo do bem,
justo, piedoso. Um bispo precisa também ter experiência e capacidade para
ensinar: apto para ensinar, não neófito, apegado à palavra fiel, que é
segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino
como para convencer os que o contradizem. É claro que Deus quer homens
espiritualmente maduros que se dedicarão aos seus irmãos para servir como
presbíteros. Este não é o trabalho dos jovens, dos novos convertidos, ou
homens que ainda não aprenderam a guiar suas próprias famílias, nem é papel
atribuído a mulheres. Estas qualificações não se adquirem recebendo diplomas
de cursos de seminários, mas dedicando-se ao serviço do Senhor.
Diáconos
são homens especialmente qualificados e escolhidos para servir sob a supervisão
dos presbíteros. Suas qualificações são encontradas em 1 Timóteo 3:8-12:
“Quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só
palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância,
conservando o mistério da fé com a consciência limpa. Também sejam estes
primeiramente experimentados; e se se mostrarem irrepreensíveis, exerçam o
diaconato . . . O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus
filhos e a própria casa.”
Evangelistas
ou pregadores são homens que proclamam as boas novas de Jesus Cristo. Eles não
têm papéis de autoridade ou supervisão na igreja. Eles servem o Senhor como
seus ministros e têm que ser completamente fiéis a sua palavra (2 Timóteo
4:1-5). A prática comum de chamar um pregador de “o pastor” e de lhe dar
autoridade para governar uma igreja não tem base nas Escrituras.
A Simplicidade do Plano de Deus
Numa
era quando muitas igrejas se assemelham a corporações multinacionais, o plano
de Deus de organização de igreja parece muito simples. Contudo, seguindo este
plano, qualquer grupo de crentes biblicamente batizados pode começar a adorar a
Deus e a trabalhar unido como uma igreja local. Não precisam de treinamento em
algum seminário. Não precisam de permissão de nenhuma diocese ou convenção.
Não precisam filiar-se a nenhuma denominação ou liga de igrejas. Não
precisam esperar que algum corpo eclesiástico lhes envie um padre ou pastor.
Eles precisam é de um inabalável respeito à Palavra de Deus, e uma determinação
a fazer tudo o que ele exige, e nada do que ele não autorizou. Que possamos
amar bastante a Deus para retornarmos ao seu modelo!
por Dennis Allan
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