O Sonho do Rei da Babilônia

Nabucodonosor era um dos grandes conquistadores da história antiga. Numa série de batalhas, ele venceu os assírios, o povo que dominara a Mesopotâmia durante os séculos anteriores. Defendeu-se contra os egípcios e estabeleceu as fronteiras de um império extenso e próspero. Conseguiu dominar a pequena mas importante terra que conhecemos hoje como a Palestina, uma região por onde passavam as principais rotas comerciais entre a Ásia e a África. Passou por Jerusalém em 605 a.C. e levou os jovens mais inteligentes e nobres para a Babilônia, onde seriam educados na sabedoria babilônica e teriam oportunidades de até participar do governo do império. Daniel foi um desses jovens.

Nabucodonosor ainda não respeitava o verdadeiro Deus. Talvez sentia-se superior ao Deus dos judeus, pois ele havia conquistado Judá e teria poder para destruir o templo (o que realmente fez menos de 20 anos depois). Confiava nos seus magos e adivinhadores para interpretar a história e predizer o futuro.

Deus achou importante ensinar algumas lições para Nabucodonosor. Entre elas foi uma revelação especial na forma de um sonho. Pegue a sua Bíblia e acompanhe a história no segundo capítulo do livro de Daniel.

Nabucodonosor teve um sonho (Daniel 2:1-13)

Uma noite, Nabucodonosor teve um sonho que o deixou perturbado. Ele confiava muito na sabedoria de seus conselheiros, e os chamou para explicar o sonho. Eles certamente tinham deixado Nabucodonosor e outros reis encantados com as suas supostas interpretações e predições sobre o futuro. Mas as suas interpretações e profecias não vinham de Deus, e estes conselheiros não conseguiram enganar o rei desta vez. Tentaram enganar o monarca para ganhar tempo, mas ele não cedeu. Para provar a veracidade de suas interpretações, os magos teriam que primeiro contar o conteúdo do sonho. Nenhum deles conseguiu, e bem sabiam por que. Esses adivinhadores admitiram: “Não há mortal sobre a terra que possa revelar o que o rei exige.... ninguém há que a possa revelar diante do rei, senão os deuses, e estes não moram com os homens” (2:10-11). O rei se irou e mandou matar todos os magos da terra. Ele não suportaria mais esses conselheiros enganadores.

Daniel aceita o desafio (Daniel 2:14-30)

Estes acontecimentos ocorreram, provavelmente, na mesma época que Daniel estava terminando seu treinamento para ser um dos sábios na Babilônia. Ele e alguns outros jovens judeus foram obrigados a passar por um curso especial de preparo para esta função. Uma vez que o nome dele se encontrara na lista dos sábios, os servos do rei saíram com ordens para matá-lo. Quando chegaram, Daniel perguntou o motivo, sabendo que não havia cometido nenhum crime. Os servos do rei explicaram o caso, e Daniel pediu um tempo para poder responder ao pedido do rei. Ele e seus companheiros judeus oraram a Deus, pedindo a revelação do sonho. Deus atendeu ao pedido deles, e revelou o sonho a Daniel. Os falsos profetas não receberam ajuda dos falsos deuses que adoravam, mas Daniel recebeu a ajuda do Deus verdadeiro que ele servia. Ele pediu uma oportunidade para falar com o rei.

Quando Daniel entrou na presença de Nabucodonosor, ele foi bem humilde. Explicou que a resposta não veio dele, e que nenhum homem seria capaz de revelar e interpretar o sonho por poderes próprios. Somente o Deus no céu, o único verdadeiro Deus, poderia revelar essas coisas aos homens. Aqui Daniel frisou a mensagem principal de seu livro. Independente dos feitos e das circunstâncias dos homens, há um soberano Deus. Nenhum homem pode se esconder dele, e nenhuma criatura tem direito de se exaltar diante do Senhor. Como Nabucodonosor precisava desta mensagem! Como nós precisamos da mesma!

Daniel revela o sonho do rei (Daniel 2:31-35)

O rei sonhou com uma grande estátua de quatro partes principais. A cabeça era de ouro, o peito e os braços, de prata e o ventre e os quadris, de bronze. As pernas de ferro se apoiaram em pés feitos de uma mistura de ferro e barro. De repente, uma grande pedra, cortada sem ninguém tocar nela, esmagou os pés da estátua, e então esmagou o resto da imagem. O que restou da estátua foi levado pelo vento, mas a pedra se tornou em uma montanha que encheu a terra toda.

Daniel revela o significado do sonho (Daniel 2:36-45)

A grande estátua do sonho do rei foi composta de quatro partes principais. Daniel as identifica como quatro reinos, começando com a própria Babilônia (a cabeça de ouro). Depois da Babilônia, teria uma sucessão de mais três reinos humanos. O próximo reino seria inferior à Babilônia, e foi representado pelo peito e os braços de prata. O terceiro seria maior, exercendo domínio “sobre toda a terra”. O mais forte dos quatro reinos seria o quatro, feito de ferro. Mas a mistura de barro mostra um reino dividido, com um lado frágil. Este reino seria esmiuçado pela grande pedra.

A parte mais importante da interpretação começa no versículo 44. A pedra representa o reino eterno de Deus. Ela não surge da terra; é cortada de um monte e desce para esmagar os reinos humanos. Diferente dos reinos dos homens que levantam e caem, este reino seria eterno e superior a qualquer império humano. Um detalhe que devemos observar é a profecia sobre a época na qual o reino de Deus seria estabelecido. Deus permitiu que Daniel olhasse para o futuro para afirmar que Deus ia fundar os seu reino “nos dias destes reis”, ou seja, durante o quarto império. Numa profecia feita 600 anos antes do nascimento de Jesus, Deus falou para os homens o tempo aproximado do estabelecimento do reino messiânico.

Os quatro reinos humanos do sonho

No momento da interpretação dada por Daniel, o rei não tinha como saber a identidade dos outros impérios envolvidos nesta profecia. Neste capítulo, Daniel identificou apenas o primeiro reino, o de Nabucodonosor. Nós, porém, temos três vantagens quando estudamos o texto hoje. Primeiro, temos o resto do livro de Daniel, em que mais dois dos reinos são identificados por nome. Segundo, temos a história mundial que confirma a identificação dos próximos impérios e mostra, também, o quarto reino. Terceiro, temos os relatos bíblicos, que mostram quando o Cristo veio para estabelecer o reino de Deus. Juntando essas informações, podemos identificar as quatro partes da estátua do sonho de Nabucodonosor.

A cabeça de ouro é a Babilônia, o reino do conquistador Nabucodonosor (Daniel 2:37-38). Para identificar os próximos dois, consideramos uma visão de Daniel no finalzinho do domínio babilônico, relatada no capítulo 8. Nesta visão, Deus lhe mostrou mais detalhes sobre os próximos dois reinos, e os identificou como a Média-Pérsia (8:20) e a Grécia (8:21). Ligando as duas profecias, percebemos que a parte de prata representa Média-Pérsia, o reino que venceu a Babilônia em 539 a.C., e que o bronze simboliza a Grécia, o império que conquistou um território enorme no quarto século a.C.

O único reino não identificado por nome em Daniel é o quarto. Sabemos da história humana que o reino de Alexandre o Grande se despedaçou depois da morte inesperada deste famoso conquistador. Diversas brigas entre os generais dele e seus descendentes preparou o campo para o surgimento do próximo império na região, o romano. Numa série de vitórias militares entre o terceiro e o primeiro séculos a.C., os romanos tomaram controle de todos os arredores do mar Mediterrâneo, assim dominando uma boa parte do comércio entre os três continentes da Ásia, África e Europa. Foi um reino forte, mas com dificuldades e fraquezas devidas às alianças frágeis forjadas entre líderes e países.

O reino de Deus

Durante o reino do imperador romano César Augusto, nasceu na cidade de Belém “o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2:1,11). Trinta anos depois, ele saiu pregando que o “reino dos céus” estava próximo, e que este reino chegaria com poder naquela geração (Marcos 9:1). Aconteceria exatamente como Daniel explicou para Nabucodonosor mais de 600 anos antes! “Nos dias destes reis [romanos], o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído...” (Daniel 2:44). O prometido reino de Jesus não seria igual aos reinos humanos, pois não é daqui (João 18:36).

Depois de sua morte e ressurreição, Jesus mandou que os apóstolos aguardassem em Jerusalém para iniciar o seu trabalho importante na expansão do reino (Atos 1:6-8). Com a vinda do Espírito Santo sobre eles em Atos 2, começaram a pregar a boa nova do reino de Cristo. Rapidamente, a palavra foi divulgada aos judeus e gentios, e o reino cresceu por todos os lados. Desde aquela época, pessoas obedientes à palavra de Cristo vêm sendo libertadas do império das trevas e transportadas para o reino do Filho de Deus (Colossenses 1:13). Os servos do Senhor recebem “um reino inabalável” (Hebreus 12:28). O reino de Cristo não é carnal, e as armas usadas por seus soldados não são carnais (2 Coríntios 10:3-6). O domínio de Jesus é universal e absoluto. Ele recebeu “toda a autoridade ... no céu e na terra” (Mateus 28:18-20). Jesus é “o Soberano dos reis da terra” (Apocalipse 1:5). O mundo inteiro será julgado por ele e, por este motivo, deve se arrepender e servi-lo (Atos 17:30-31).

Lições importantes

Entre as mensagens importantes deste estudo de Daniel 2 e seu cumprimento são: 1. Deus prevê o futuro porque ele é Deus e domina o universo (Isaías 44:6-8). 2. Deus decidiu o tempo certo para estabelecer o seu reino, e cumpriu a sua palavra. 3. O reino de Deus já foi estabelecido e existe hoje. 4. Nós temos acesso ao reino dos céus por intermédio de Jesus, nosso Salvador e Senhor. 5. Cristo julgará todos nós conforme a sua palavra. 6. Jesus Cristo é o Rei absoluto e eterno; devemos obedecê-lo!

– por Dennis Allan
D128

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