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Verdades 
E-x-a-g-e-r-a-d-a-s 

Vitaminas são essenciais para a saúde. Uma dieta equilibrada normalmente nos fornece quantidades suficientes delas, mas algumas pessoas tomam cápsulas para garantir a ingestão adequada de diversas vitaminas. Mas, você sabia que quantidades excessivas de algumas vitaminas podem prejudicar a saúde? Se tomar mais de cinco vezes a quantidade certa de vitamina A, pode perder cabelos, sofrer dor de cabeça, ter visão embaçada e até danificar o fígado. Se tomar dosagens muito altas de vitamina B-6, pode ter dificuldade em andar. É verdade que vitaminas são boas, até necessárias, mas se exagerar esta verdade, pode se prejudicar.

Exercício físico faz bem, mas a pessoa que vai além dos limites pode sofrer problemas nos músculos, nas juntas, no coração, etc.

A comida é essencial para a vida, mas se comer mais do que deve, engorda. É importante controlar o apetite e limitar o que come, mas se limitar demais, sofrerá de má nutrição ou problemas como anorexia e bulimia.

A verdade é importantíssima, mas verdades exageradas se tornam perigosas. Quando se trata da saúde espiritual e do estudo da palavra de Deus, também precisamos ter cuidado para não exagerar uma verdade ao ponto de contradizer outra. Estudo desequilibrado traz prejuízos espirituais. Vamos considerar alguns exemplos.

Exageros em Relação à Salvação

A Bíblia claramente mostra que a salvação vem pela graça de Deus: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Obtemos o perdão dos nossos pecados “...segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós...” (Efésios 1:7-8). Infelizmente, muitos enfatizam esta verdade ao ponto de excluir a obediência do homem, negando o ensinamento do evangelho sobre a necessidade do batismo para remissão dos pecados (Atos 2:38; 22:16; 1 Pedro 3:21). Na época da Reforma Protestante, Martinho Lutero corretamente criticou a ênfase demasiada em obras de mérito, a venda de indulgências, etc. Mas ele exagerou tanto a verdade da salvação pela graça que enfrentou um problema insolúvel quando encarou a carta de Tiago, que ensina que a fé sem obras é morta e inútil. Lutero chamou esta carta uma “epístola de palha” e disse que não era da qualidade das Escrituras. Uma verdade exagerada leva ao ponto de rejeitar um livro da Bíblia!

Mas, há perigos no outro lado da mesma questão. Algumas pessoas reconhecem que o batismo é necessário para a salvação mas exageram este fato tanto que negam a necessidade dos pré-requisitos dados por Deus. Precisa ser batizado para ser salvo? Jesus disse que sim (Marcos 16:16); mas é necessário crer (Marcos 16:16) e se arrepender (Atos 2:38) antes de ser batizado. As igrejas que praticam o batismo de recém-nascidos elevam o batismo acima da fé e do arrependimento, batizando crianças ainda incapazes de tomar suas próprias decisões.

Considere mais um exemplo de exageros em relação à salvação. Paulo ensina que a graça de Deus é muito maior do que o pecado do homem: “...onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5:20). Alguém poderia exagerar esta verdade, decidindo pecar mais e mais para receber mais graça de Deus. Paulo temia tal abuso quando perguntou: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?” E ele mesmo respondeu: “De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Romanos 6:1-2). Paulo não queria pregar uma verdade exagerada.

Exageros em Relação à Liberdade em Cristo

A verdade nos liberta (João 8:32). Deus nos libertou das trevas (Colossenses 1:13-14) e das ordenanças dos homens (Colossenses 2:20-22). Mas esta liberdade não é a libertinagem. Ainda estamos sujeitos a limitações impostas por Deus para o nosso bem. Algumas pessoas justificam sua rebeldia contra as “regras” de Deus citando textos como 1 Coríntios 6:12 e 10:23 – “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam”. Dizem que a liberdade em Cristo deixa a consciência de cada um como a autoridade máxima. Por não estudar bem o contexto dessas afirmações de Paulo, não percebem o seu tom de ironia. Os mesmos capítulos não deixam sombra de dúvida. Há diversas coisas absolutamente (veja 6:15) ilícitas na palavra de Jesus, incluíndo a prostituição (6:13-20) e a idolatria (10:14,21). Em Cristo, temos a liberdade, mas não a libertinagem (1 Pedro 4:1-5).

A liberdade exagerada tenta esquecer da servidão. Todos nós (ênfase em todos) somos servos (escravos). Decidimos servir a Deus ou servir ao diabo. “Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça?” (Romanos 6:16; veja 7:6). O que algumas pessoas oferecem como liberdade é, na verdade, a pior escravidão imaginável (leia com cuidado as palavras de 2 Pedro 2:17-22).

Exageros em Relação à Moda

Algumas igrejas têm listas de regras sobre vestimenta. Muitas proibem, por exemplo, que as mulheres usem calças compridas. Não é difícil entender como chegaram a fazer tais regras. Interpretações humanas de alguns textos, como Deuteronômio 22:5 (“A mulher não usará roupa de homem...”), levaram ao ponto de impor essas proibições. Mesmo quando todos reconhecem que calças compridas não são roupas exclusivamente masculinas (até o ponto que um homem usando certas calças seria considerado efeminado), as regras persistem.

Uma vez que entendemos que regras como essa são humanas e não bíblicas, enfrentamos alguns desafios. Algumas pessoas se acham livres de regras ao ponto de seguirem a moda mundana e adotarem costumes de roupas sensuais e indecentes. Paulo ensina as mulheres a se vestirem “em traje decente,...com modéstia e bom senso” (1 Timóteo 2:9). Certamente o comportamento e a vestimenta dos homens devem refletir as mesmas características de decência, modéstia e bom senso.

Roupas sensuais feitas para provocar pensamentos impuros nos outros não são adequadas para santas mulheres que esperam em Deus (1 Pedro 3:3-5). Mas até algumas mulheres cristãs se acham livres de regras e adotam a prática de usarem roupas indecentes. Qual o problema? Às vezes, pode ser a ingenuidade de uma pessoa que realmente não percebe o efeito de tal roupa. Nestes casos, cabe aos outros (especialmente os maridos, pais e irmãos) orientar as mulheres e moças sobre as suas roupas. As mulheres mais velhas, também, devem instruir as jovens a serem sensatas (Tito 2:3-5).

Mas nem todas as mulheres que usam roupas sensuais podem alegar ingenuidade. Muitas entendem bem o efeito de suas vestimentas, e sabem que provocam pensamentos impuros nos homens. Nestes casos, o problema é bem mais grave, pois as roupas indecentes manifestam um coração impuro e impiedoso. Ao invés de fazer regras sobre roupas, devemos trabalhar para purificar o coração (1 Pedro 3:4).

Exageros em Relação ao Uso do Nosso Dinheiro

Alguns anos atrás, escrevi um artigo sobre o dízimo, mostrando que esta lei fazia parte da antiga aliança. Afirmei (e ainda ensino) que as igrejas hoje que usam textos como Malaquias 3:10 para exigir os dízimos (10%) dos membros estão erradas. Hoje devemos ofertar com generosidade e com amor, conforme a nossa prosperidade, mas o Novo Testamento não estipula uma porcentagem exata para as nossas contribuições à igreja.

Infelizmente, algumas pessoas exageram esses fatos ao ponto de ignorar outros ensinamentos importantes sobre o uso do nosso dinheiro. Quando aprendem que o dízimo era exigência do Velho Testamento, sentem um grande alívio. Que bom, agora não preciso me sacrificar como antes! Pelo jeito de alguns, parece que pegaram as palavras de Paulo sobre a oferta – “... não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2 Coríntios 9:7) – e aplicaram assim: Agora estou muito alegre mesmo, porque posso jogar algumas moedinhas na coleta e ficar com quase todo o meu dinheiro para mim! Podem até reforçar o argumento, frisando a frase “não por necessidade”. Mas, o mesmo autor disse que ele deu ordens sobre a oferta (1 Coríntios 16:1). Será que Paulo se contradisse? Precisamos ler mais!

A oferta não é obrigatória, alguém replica, pois Paulo disse “Não vos falo na forma de mandamento...” (2 Coríntios 8:8). Mas quando destaca somente estas palavras sem completar o versículo, exagera uma verdade ao ponto de desequilíbrio. Neste caso, basta continuar a leitura: “Não vos falo na forma de mandamento, mas para provar, pela diligência de outros, a sinceridade do vosso amor; pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos” (2 Coríntios 8:8-9). Agora podemos evitar extremos errados. Paulo não queria simplesmente dá mandamentos ou fazer regras, como o dízimo do Velho Testamento. Ele queria mais dos coríntios. Ele queria o amor, o amor sincero, o amor sacrificial! Ele queria incentivar os cristãos a imitarem o exemplo do próprio Senhor Jesus Cristo! Ele deu apenas algumas moedinhas de toda a sua riqueza? Não. Ele se tornou pobre para salvar os pecadores.

Quando os discípulos de Cristo se mostram mesquinhos na questão da oferta, a solução não é voltar à antiga aliança para pegar regras emprestadas. A resposta é mais profunda, no próprio coração de cada um. A igreja do Senhor deve empregar o seu dinheiro exclusivamente para fazer o trabalho que Deus lhe deu. Ela cuida dos irmãos necessitados e se dedica à pregação do evangelho (Atos 4:34-35; 1 Coríntios 16:1-2; Filipenses 4:14-18). Quando amamos sinceramente, imitando o amor de Cristo, daremos livremente com a alegria de participar do trabalho de Deus.

Conclusão

A verdade é importante; é necessária. Mas vamos sempre procurar estudar cuidadosamente para chegar a conclusões equilibradas. Estudando assim com corações sinceros, seremos servos sérios e fiéis. Desta maneira, Deus será glorificado pelas nossas vidas.

– por Dennis Allan
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