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Apocalipse: Lição 4

Jesus no Meio dos Candeeiros (Apocalipse 1:9-20)

Quem é Jesus? Como devemos vê-lo? Muitas pessoas imaginam Jesus como um nenê indefeso numa manjedoura em Belém. Outras pensam na imagem de um moribundo sofrendo terrivelmente na cruz do Calvário, evidentemente derrotado pelas forças do mal. Certamente, Jesus nasceu. Sem qualquer dúvida, ele morreu numa cruz. Mas aquelas cenas representam episódios temporários, embora importantíssimos, e não o estado permanente do Cristo vitorioso. Que consolo daria aos cristãos perseguidos pensar numa criança pequena e fraca? Que conforto achariam na imagem de um líder morto?

A mensagem do Apocalipse deriva seu poder da pessoa que a revelou. O Cristo que cuida dos servos e garante a vitória sobre os perseguidores não é fraco, nem derrotado. Ele possui toda autoridade e fala com poder absoluto. Os cristãos da Ásia naquela época – como nós nos dias atuais – precisavam do consolo de um Senhor Todo-Poderoso. Acharam este conforto nas palavras de Jesus, o forte e vitorioso Rei dos reis.


João, na Ilha de Patmos, Ouviu uma Grande Voz (1:9-11)


1:9 –  "Eu, João, irmão vosso e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus."

João, irmão e companheiro na tribulação: Ao invés de destacar a sua posição de autoridade ou o seu privilégio de comunhão íntima com Jesus, o autor deste livro procura se identificar com os seus leitores e ouvintes. Ele se descreve como irmão deles, e companheiro no sofrimento que os fiéis sofriam. Nesta descrição, João frisa os mesmos fatos essenciais para a vitória dos ouvintes: passariam por tribulação como súditos do reino de Cristo, e venceriam com sua perseverança e confiança no Senhor Jesus.

Quando João se diz companheiro na tribulação, ele refere-se à sua própria circunstância. Ele se achou na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus. João não explica o sentido dessas palavras. Tradicionalmente, entende-se que João fosse banido à ilha de Patmos por causa da sua fé. No fim do terceiro século, Victorinus disse que João escreveu o Apocalipse em Patmos, para onde foi banido por Domiciano, imperador romano de 81 a 96 d.C. A questão da data do livro será considerada em outras lições. O local citado, Patmos, é uma pequena ilha no mar Egeu (perto de Éfeso), para onde os romanos exilavam alguns condenados.

1:10 – "Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz,como de trombeta,"

Mais importânte do que a sua circunstância física, João descreve a sua situação espiritual: Achei-me em espírito. As visões que ele revela não foram vistas com olhos humanos, e não eram meramente imaginações do próprio homem. Ele as reconhece como revelações vindas de Deus a um servo que se dedicou ao Senhor durante as longas décadas de sua vida.

No dia do Senhor: Esta expressão se refere, em várias outras passagens, aos dias em que Deus visitava o homem para castigar os malfeitores. Mas, o sentido mais provável aqui é o dia especialmente dedicado ao Senhor no louvor dos santos, no Novo Testamento. Já sabemos que o primeiro dia da semana, o dia que ganhou seu significado especial com a ressurreição de Jesus, se tornou o dia principal de adoração. Neste dia, os cristãos primitivos se reuniam para participar da Ceia do Senhor (Atos 20:7), e aproveitavam o mesmo dia para outros trabalhos importantes, como a coleta para ajudar os irmãos necessitados (1 Coríntios 16:2).

E ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta: João ainda não identifica a pessoa que falou, mas deixa bem claro que a voz foi forte e impressionante. Lembramo-nos especialmente
da aparição de Deus no monte Sinai (Êxodo 19:16-19; veja Apocalipse 4:5).

1:11 –  "dizendo: O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes,Filadélfia e Laodicéia."

O propósito da grande voz aqui foi ordenar a João o que fazer a respeito das coisas que ele veria (11). Ele deveria:
1.escrever em livro e 2. mandar às sete igrejas (Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia).


Jesus no Meio dos Candeeiros (1:12-16)


1:12 –  "Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro"

Vi sete candeeiros de ouro: Antes de enxergar a pessoa que falava com ele, João viu sete candeeiros (ou candelabros) de ouro. No Velho Testamento, eles mantinham aceso no tabernáculo o candelabro de ouro com sete lâmpadas, que servia para iluminação (Números 8:1-4; Êxodo 27:20; 35:14; 39:37; Levítico 24:2,4; 2 Crônicas 13:11; Hebreus 9:2). Na visão de Zacarias 4, encontramos um candelabro de sete lâmpadas. O texto mostra que o poder vem do Espírito de Deus por meio dos servos ungidos (Zacarias 4:6,14), e que os olhos de Deus percorrem a terra (Zacarias 4:10). Na visão de João, Jesus identifica os sete candeeiros, no versículo 20, como as sete igrejas.

1:13 –  "e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro."

E, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem:
A posição de Jesus no meio dos candeeiros sugere a sua comunhão íntima com o seu povo. Jesus anda no meio das igrejas, realmente fazendo seu tabernáculo entre os seus servos. Filho de homem, ou filho do homem, é uma expressão usada freqüentemente nas Escrituras para identificar os homens, simples seres humanos (Jó 25:6; 35:8; Salmo 144:3; Isaías 51:12; etc.). Tomou um significado especial no livro de Ezequiel, no qual Deus, repetidamente, usou esta expressão para identificar o profeta Ezequiel (veja 2:1-8; 4:16; etc. – a expressão aparece mais de 90 vezes só em Ezequiel). Daniel foi chamado de “filho do homem” (Daniel 8:17), mas ele viu numa visão “um como o Filho do Homem” que veio do céu, chegou ao Ancião de Dias, e recebeu o reino e o domínio eterno (Daniel 7:13-14). Assim, percebemos que, até o final do Antigo Testamento, a expressão ganhou dois outros sentidos mais específicos: identificou homens chamados para um papel especial de revelar a palavra de Deus e, mais ainda, identificou o eterno rei sobre o reino de Deus. Jesus tomou para si esta descrição, com toda a autoridade inerente nela: Mateus 8:20; 9:6; 10:23; 11:19; 12:8,32,40; etc. Todos os quatro relatos do evangelho empregam esta expressão com bastante freqüência para identificar Jesus. O evangelho de João, que nos interessa especialmente por ser do mesmo autor do Apocalipse, usa o termo para destacar as qualidades essenciais de Jesus Cristo: Ele veio do céu e voltaria para lá (3:13; 6:62); é o acesso ao céu (1:51); ele seria levantado para salvar (3:14); tem toda a autoridade (5:27); ele dá vida eterna (6:27,53); ele, sendo divino, se sacrificaria conforme a vontade do Pai (8:28); a morte dele serviria para a glória dele mesmo, e do Pai (12:23-24; 13:31). Lucas atualiza as nossas informações sobre o Filho do Homem quando diz que Estêvão o viu no céu, à destra do Pai (Atos 7:56). Quando João viu “um semelhante a filho de homem”, ele viu uma imagem até humana, mas com todas as características do poderoso Rei eterno e Salvador do mundo.

Vestes talares e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro: vestes que desciam até os calcanhares e uma cinta de ouro. Algumas pessoas acham nisso uma referência ao sacerdócio – veja Êxodo 28:39-40; Levítico 8:7 e comentários extrabíblicos (Josefo e Edersheim). Pelo menos, dá a idéia de um ofício de autoridade e poder.

1:14 – "A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo;"

A sua cabeça e cabelos eram brancos:
Possíveis significados incluem a idade (Isaías 46:4), eternidade, neste caso (Daniel 7:9), a pureza (Salmo 51:7; Isaías 1:18), a sabedoria e a honra (Levítico 19:32; Provérbios 16:31; 20:29). Obviamente, Jesus possui todas essas características.

Olhos como chama de fogo: Os olhos de Deus estão em todo lugar (Provérbios 15:3; Jeremias 32:19). São atentos aos seus servos (Salmo 33:18; 34:15), mas também vigiam as nações (Salmo 66:7). Os olhos do justo rei dissipam o mal (Provérbios 20:8). Todos estes temas se tornam fundamentais no Apocalipse. Este elemento específico, como algumas outras características desta visão do filho de homem, vem de Daniel 10:6. Os olhos de fogo penetram, vendo tudo que o homem faz, e julgam, castigando os ímpios e protegendo os fiéis.

1:15 – "os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas."

Os pés, semelhantes ao bronze polido:
Lembramo-nos dos pés dos seres viventes servindo a Deus na visão de Ezequiel (Ezequiel1:7) e do homem vestido de linho na visão de Daniel (Daniel 10:6). Freqüentemente, os profetas apresentam imagens de Deus ou de seus servos calcando aos pés os seus adversários (Isaías 41:2; Habacuque 3:12), e pés metálicos sugerem a força para esmagar os inimigos (Miquéias 4:13; Daniel 2:33,40-42; veja Romanos 16:20). 

Voz de muitas águas: Mais uma vez, voltamos à visão de Daniel (10:6). Veja, também, os comentários acima sobre a grande voz do versículo 10. Jesus fala com a voz de poder e autoridade.

1:16 – "Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força."

Tinha na mão direita sete estrelas:
identificadas, no versículo 20, como os anjos das sete igrejas, os mesmos que recebem as cartas nos capítulos 2 e 3. Quando pensamos na distância imensa entre as estrelas no céu, esta imagem sugere a enormidade de Jesus. Segurar as sete estrelas das igrejas na sua mão mostra seu poder para fazer com as igrejas como ele, na sua justiça, decidir.

Da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes: Certamente representa a palavra de Deus (Hebreus 4:12-13), destacando seu poder para julgar, castigar e destruir (19:15; Salmo 149:6-9; Isaías 11:4; Provérbios 5:4).

O seu rosto brilhava como o sol na sua força: Nada surpreendente aqui! Jesus como a luz do mundo é um dos temas espalhados pelo evangelho de João (1:4-9; 3:19-21; 8:12; 9:5; 12:35-36,46). Três dos apóstolos viram a glória resplandecente de Jesus no monte da transfiguração (Mateus 17:2), e Saulo de Tarso viu esta mesma glória numa luz “mais resplandecente que o sol” (Atos 26:13).


Jesus Orienta João sobre a sua Mensagem (1:17-20) 


Depois de olhar para a impressionante figura de Jesus, João reagiu como outros que tiveram encontros com Deus no passado. Ele caiu como morto, não sabendo o que esperar do Filho de Deus. As orientações dadas por Jesus explicam o motivo de escrever o livro do Apocalipse.

1:17 – "Quando o vi, caí a seus pés como morto. Porém ele pôs sobre mim a mão direita, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último"

Quando o vi, caí a seus pés como morto: Apesar de João ser um dos companheiros mais íntimos de Jesus durante o seu ministério terrestre, ele mostrou reverência absoluta para com o Cristo. Ele reage com respeito e temor diante de Jesus. Ele acabou de ver Jesus pronto para julgar, e caiu como morto. Compare a reação de Isaías a uma visão semelhante (Isaías 6:5). Como nós todos devemos reagir a Cristo? Não devemos nos prostrar diante dele com respeito absoluto?

Porém, ele pôs sobre mim a mão direita, dizendo: Não temas: Jesus não veio para condenar João, seu mensageiro escolhido. A mão estendida oferece conforto, e as palavras trazem alívio.

Eu sou o primeiro e o último: Jesus afirma a sua eternidade e divindade com a mesma força de expressão usada no versículo 8 (veja 2:8; 22:13). É uma afirmação de divindade usada por Isaías (41:4; 44:6-8; 48:12). A aplicação deste termo a Jesus é uma das muitas provas de sua divindade. Qualquer pessoa ou doutrina que negue que Jesus é Deus necessariamente o trata como um mentiroso, pois ele mesmo alegou ser divino.

1:18 – "e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno."

E aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos: Jesus vive eternamente, mas é o mesmo que esteve morto. A morte, sepultamento e ressurreição de Jesus são fatos fundamentais do evangelho (1 Coríntios 15:3-4). Ele morreu pelos nossos pecados, e vive para nos governar e ajudar. “Estive morto”, ele diz. A morte não segurou Jesus (Atos 2:24-32). Este fato é de grande importância ao cristão. Paulo argumenta que, se Jesus nos salvou dos pecados do passado pela sua morte, ele é capaz de fazer muito mais para nos preservar pela sua vida (Romanos 5:8-11). Que mensagem necessária para discípulos perseguidos. Jesus morreu, mas ele vive! Nós podemos morrer, até pela fé em Cristo, mas viveremos!

E tenho as chaves da morte e do inferno: Jesus não apenas “escapou” do sepulcro, ele venceu a morte e o inferno. Ele tem as chaves na mão. Ele não permitirá que seus servos sejam presos eternamente na morte. É uma mensagem de conforto e confiança para os fiéis (Hebreus 2:14-18; Colossenses 2:15; 1 João 3:8).

1:19 – "Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas."

Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas: O papel de João é de transmitir uma mensagem (1:1-2,11). Jesus falou para ele começar no início da revelação (as coisas que viste), continuar através da cena daquele momento (as que são) até as outras visões que seguiriam no livro (as que hão de acontecer). João fez exatamente isso, até descrevendo a responsabilidade que Jesus lhe deu naquele momento.

1:20 – "Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas."

O mistério das sete estrelas: Era um mistério, mas agora se tornou manifesto. Não podemos errar esta interpretação, porque Jesus claramente fala que as sete estrelas representam os anjos das sete igrejas. Alguns interpretam como “bispos” ou “pastores” das igrejas, mas o texto não apóia tal explicação. A palavra “anjo” quer dizer mensageiro, e pode se referir a mensageiros do céu (Mateus 24:36) ou a homens que servem como mensageiros (Lucas 7:24). O papel destes anjos era, obviamente, de transmitir a mensagem de Jesus às respectivas igrejas. A fonte da mensagem (Jesus) e o seu conteúdo (as cartas e o livro todo) são muito mais importantes do que os mensageiros usados para transmitir a revelação divina.

Os sete candeeiros: Os candeeiros, que devem transmitir a luz da presença de Deus, são as sete igrejas. A igreja, composta por santos, deve transmitir a luz de Deus no mundo (Mateus 5:14-16).

Conclusão

Que visão poderosa! Jesus, depois de sua grande vitória sobre a morte, volta numa revelação especial para confortar João e os cristãos de sua época. Mas, a mesma mensagem que consola os perseguidos na igreja primitiva serve para nos confortar, também. O mesmo Jesus continua brilhando como o sol, pronto para julgar os ímpios e calcar aos pés os rebeldes, enquanto garante aos fiéis a vitória sobre a morte.

-por Dennis Allan


Perguntas
1. Onde estava João quando recebeu esta revelação? Por que se encontrava naquele lugar?

2. Conforme as instruções da “grande voz”, o que João deveria fazer com a sua mensagem?

3. Os sete candeeiros representam o que?

4. Descreva a pessoa que estava no meio dos candeeiros.

5. O que entendemos pelas figuras desta visão:
    
    Os cabelos brancos?
    Os olhos de fogo?
    Os pés de bronze?
    A voz de muitas águas?
    A espada de dois gumes?

6. Por que João caiu?

7. Quem é o primeiro e o último?

8. Muitas pessoas negam a divindade de Jesus. Podemos concordar com elas? Explique.

9. Por que é importante saber que Jesus esteve morto mas está vivo?

10. Qual conforto traz saber que Jesus tem as chaves da morte e do inferno?

11. As sete estrelas representam quem?


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