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Apocalipse: Lição 20

A Sétima Trombeta (Apocalipse 11:14-19)

Chegamos à sétima trombeta com grandes expectativas. As primeiras seis já anunciaram flagelos severos, chegando até a morte da terça parte dos homens na sexta. As últimas três trombetas são chamadas de “ais”, sugerindo notícias de castigos mais fortes do que as primeiras quatro. Para aumentar mais ainda a nossa expectativa, o anjo que domina a terra e o mar jurou que o mistério de Deus, anunciado aos servos, os profetas, seria cumprido na sétima trombeta (10:6-7). Temos motivos para ficar ansiosos ao chegarmos à última trombeta.

A Sétima Trombeta (11:14-19)

11:14 – Passou o segundo ai. Eis que, sem demora, vem o terceiro ai.

Passou o segundo ai: A águia anunciou os três ais, que correspondem às últimas três trombetas (8:13). Já passaram dois dos ais (a quinta e a sexta trombetas).

Eis que, sem demora, vem o terceiro ai: O intervalo acabou. Voltamos às trombetas, prontos para a última das sete trombetas a tocar. Vem sem demora, como prometeu o anjo forte (10:6-7).

11:15 – O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos.

O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes: O último dos sete anjos (8:2) toca a sua trombeta. João ouve grandes vozes no céu, mas não identifica as pessoas que falam. Pela ligação entre estas vozes e os 24 anciãos no louvor que se segue (11:16), é possível que as vozes sejam dos quatro seres viventes. Em outras ocasiões, eles participaram da adoração junto com os 24 anciãos (4:8-11; 5:8,14; 7:11). Mas, não precisamos saber, pois já sabemos que todas as criaturas no céu adoram a Deus.

O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo: Vitória! Os inimigos perseguem, machucam e até matam os servos do Senhor, mas conseguem apenas vitórias transitórias e falsas (veja os comentários sobre as coroas dos gafanhotos em 9:7 e os sobre a vitória aparente sobre as duas testemunhas em 11:7-13). Pelo fato de este texto dizer que o reino “se tornou de nosso Senhor”, algumas pessoas ensinam que o reino estava (ou que ainda está) sob o domínio do diabo, e que Deus não mantinha controle dos reinos do mundo. Para evitar uma conclusão errada que diminua a posição do Todo-Poderoso, devemos observar alguns fatos importantes. O livro de Daniel ajudará, pois fala sobre o domínio de Deus no futuro e no presente. Nos dias de Nabucodonosor, rei da Babilônia, Deus revelou o futuro, falou de quatro reinos humanos, e disse que, “nos dias destes reis [os do quarto reino], o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre” (Daniel 2:44). Então, do ponto de vista de Daniel e Nabocodonosor, o reino de Deus seria estabelecido no período romano, e seria vitorioso sobre os reinos humanos. Um reino futuro, do ponto de vista deles. Quer dizer que Deus não dominava na época de Nabucodonosor, certo? Errado! Foi durante o reinado do mesmo rei que Deus humilhou o arrogante líder, para que este aprendesse “que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Daniel 4:17,25,32). Domínio atual, na época de Daniel e Nabucodonosor, mais de 600 anos antes de cumprir a profecia do reino eterno revelada em Daniel 2!

Quando chegamos ao Apocalipse, seria errado deduzir que Deus passou a dominar o reino do mundo somente quando a sétima trombeta tocou. A mensagem consistente do Novo Testamento, revelada já décadas antes do Apocalipse, é da posição atual de Jesus como Soberano Rei (Atos 2:30-36; cf. 1 Timóteo 1:17; 6:15-16; 1 Pedro 4:11). Judas incluiu o passado, o presente e o futuro quando falou da soberania de Deus (Judas 25). Desde a introdução desta profecia de João, Jesus já é “o Soberano dos reis da terra” (1:5). No intervalo antes da sétima trombeta, as duas testemunhas se achavam “em pé diante do Senhor da terra” (11:4). Esta trombeta, como vários outros trechos do Apocalipse, revela para nós de forma seqüencial fatos já estabelecidos. É uma apresentação dramática para o nosso benefício. Jamais devemos aceitar qualquer interpretação que tira o Senhor do seu trono. Deus (Pai e Filho) não precisou da sétima trombeta para se tornar Rei. Ele já é o Senhor de senhores e Rei dos reis, mas achou importante mostrar para nós, depois de todos os desafios à sua autoridade, a sua posição exaltada como Rei vitorioso.

E ele reinará pelos séculos dos séculos: Ele é o eterno rei (1:6; 5:13; Salmo 145:13; 1 Pedro 4:11; 5:11; Judas 25). Daniel profetizou que o reino de Deus subsistiria para sempre (Daniel 2:44).

11:16 – E os vinte e quatro anciãos que se encontram sentados no seu trono, diante de Deus, prostraram-se sobre o seu rosto e adoraram a Deus,

Os vinte e quatro anciãos: Como nas outras cenas de louvor no céu, os 24 anciãos, representando o povo de Deus, participam da adoração.

Prostraram-se sobre o seu rosto e adoraram a Deus: Mais uma vez, os anciãos se humilham diante de Deus para lhe dar o merecido louvor.

11:17 – dizendo: Graças te damos, Senhor Deus, Todo-Poderoso, que és e que eras, porque assumiste o teu grande poder e passaste a reinar.

Graças te damos: O louvor oferecido a Deus é baseado na gratidão dos anciãos (cf 4:9; 7:12). O motivo específico da gratidão, nesta ocasião, já será explicado.

Senhor Deus, Todo-Poderoso, que és e que eras: Deus é onipotente e eterno.

Porque assumiste o teu grande poder e passaste a reinar: Ele sempre tinha poder absoluto sobre todos. Em relação à circunstância dos servos que sofriam tanto na terra, ele assumiu o poder no sentido da vitória sobre os inimigos. Sempre reinou, mas passou a reinar de uma maneira mais evidente, não deixando os ímpios imunes na sua opressão dos fiéis. Ele cumpriu as profecias de Daniel 2:44 e 7:13-14. Ele veio sem demora para aliviar o sofrimento dos perseguidos, como prometeu à igreja em Filadélfia (3:11). Ele veio para cumprir suas promessas aos seus servos (22:7,12,20). Ele fez “abalar não só a terra, mas também o céu” e as coisas que não foram abaladas permaneceram (Hebreus 12:26-27).

11:18 – Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra.

Na verdade, as nações se enfureceram: Agora vem a explicação mais ampla do sentido em que Deus assumira o poder e o reino. De fato, as nações se levantaram contra o reino de Deus. Vários textos já profetizaram tais tentativas de vencer o reino de Deus. A linguagem empregada aqui vem de uma profecia feita por Davi 1.000 anos antes do nascimento de Jesus: “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido...” (Salmo 2:1-2).

Chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos: A ira de Deus chegou. Este fato nos ajuda na interpretação do resto do livro. Como o anjo prometeu, a sétima trombeta cumpre o mistério de Deus (10:7). O que vem pela frente é uma explicação mais ampla desta trombeta, incluindo o derramamento das sete taças da ira de Deus (capítulo 16). Mas esta trombeta resume o mistério como já cumprido. A ira já chegou. O resto do livro – o aparecimento dos grandes inimigos, as taças de ira, Armagedom, a queda da Babilônia e dos outros inimigos de Deus, a vitória e a exaltação dos santos – está tudo resumido e comprimido nesta trombeta. A ira já chegou.

O ponto aqui não é sobre a força do adversário, e sim sobre a soberania do Messias e o julgamento das nações: “Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião” (Salmo 2:6). O Pai fala para o Filho: “Pede-me, e eu te darei

as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro” (Salmo 2:8-9). É esta imagem do poder de Jesus que dá motivo de adoração no céu. Outras passagens do Antigo Testamento desenvolvem o mesmo tema. Deus restaura seu povo, Gogue lidera as nações na invasão de Israel, e Deus destrói os exércitos dos gentios (Ezequiel 37-38). Logo em seguida, encontramos a visão do templo glorificado e da cidade santa (Ezequiel 40-48). Joel profetizou sobre eventos ligados ao estabelecimento do reino messiânico (Joel 2:28-32; cf. Atos 2:16-21) e, logo em seguida, da oposição das nações e do julgamento delas por Deus no vale da Decisão levando à conclusão inevitável: “Sabereis, assim, que eu sou o SENHOR, vosso Deus, que habito em Sião, meu santo monte” (Joel 3:17).

A figura do julgamento nos lembra, também, de Daniel 7. Depois de receber domínio e o reino do Ancião de Dias, o Filho e seus santos servos enfrentam os reis da terra. Os santos são entregues nas mãos do inimigo “por um tempo, dois tempos e metade de um tempo” (Daniel 7:25; compare Apocalipse 11:2,9). “Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para o destruir e o consumir até ao fim. O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão” (Daniel 7:26-27). Baseado nestes trechos e nos acontecimentos até este momento no Apocalipse, parece que os mortos aqui são aqueles que estão mortos no pecado, mortos espiritualmente (cf. Efésios 2:1,5; 5:14; Colossenses 2:13), aqueles que não têm o “espírito de vida, vindo da parte de Deus” (11:11). O julgamento dos mortos é o julgamento das nações ímpias, dos opressores que se opuseram aos santos.

Para se dar o galardão aos teus servos: O julgamento dos opressores traz um benefício óbvio para os fiéis. Os servos recebem a recompensa pela sua fidelidade. Observemos as descrições dos fiéis aqui:

● Teus servos: A função principal de qualquer criatura é de servir ao Criador. Nós lhe devemos o nosso serviço mais ainda quando pensamos no valor da redenção que recebemos por meio dele. 

Os profetas: Servos fiéis que revelaram os planos de Deus, tanto para salvar os pecadores como para castigar os rebeldes. 

Os santos: Os santificados, purificados e justificados pelo sangue do Cordeiro. 

Os que temem o teu nome: Todo servo fiel respeita profundamente o Senhor, e age no nome dele. 

● Tanto aos pequenos como aos grandes: A promessa da recompensa é para todos os fiéis, dos maiores aos menores.

Para destruíres os que destroem a terra: A palavra traduzida “destruíres” e “destroem”, neste versículo, não significa a aniquilação. O significado principal da palavra grega é “corromper, mudar para pior”. Aqueles que corrompem a terra – os servos de Apoliom, o destruidor (9:11) – são corrompidos, arruinados, consumidos como por vermes ou traça (veja as definições no léxico de Strong).

Resumindo este versículo importante, chegou a hora determinada por Deus para:

1. Julgar os mortos (ímpios).

2. Dar a recompensa aos fiéis.

3. Arruinar aqueles que corrompem a terra.

Que vindicação e vitória! Que motivo de alegria e adoração no céu!

11:19 – Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no céu, e foi vista a arca da Aliança no seu santuário, e sobrevieram relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada.

Abriu-se, então, o santuário de Deus, que se acha no céu: Esta parte do livro começou no capítulo 4, quando o céu foi aberto e João subiu para descrever as coisas que ele viu. Termina com uma vista do santuário aberto no céu. Sabemos que o verdadeiro santuário é celestial, e que o tabernáculo e o templo eram meras cópias do real (Hebreus 9:1-2,11-12,23-24). A vitória de Jesus na morte rasgou o véu do templo (Marcos 15:38), mostrando que ele abriu o acesso ao Pai (Hebreus 10:20) e se tornou o único Mediador entre Deus e o homem (1 Timóteo 2:5; Hebreus 10:12). Ele intercede por nós como o nosso “Advogado junto ao Pai” (Romanos 8:34; 1 João 2:1).

Foi vista a arca da Aliança: Melhor, a arca da Aliança dele. Não é a arca da Aliança limitada dada aos judeus no Velho Testamento. Esta arca representa a presença de Deus na Aliança feita em Jesus, a aliança que traz remissão dos pecados pelo sangue dele (Mateus 26:28; veja Apocalipse 5:9; 7:14; 12:11).

E sobrevieram relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada: Mesmo neste momento da vista gloriosa do céu, não podemos esquecer da batalha travada contra os inimigos. Como esta trombeta resume tudo que vem pela frente, assim cumprindo o mistério de Deus anunciado aos profetas (10:7), há um elemento forte do poder de Deus para castigar e destruir. Mais uma vez, encontramos estes símbolos deste poder de Deus. A voz dele será ouvida e o poder dele demonstrado nas explicações mais detalhadas nos capítulos subseqüentes.

Conclusão

Depois de tanta expectativa, encontramos na sétima trombeta a visão da vitória. Enquanto claramente inclui elementos de castigo e destruição dos inimigos, a ênfase está, obviamente, na vitória do Senhor e dos seus santos. Deus fez o que prometeu. Os adversários fizeram o possível para destruir o reino dele, mas jamais conseguirão fazer isso. O vitorioso Senhor dos senhores julga e destrói os inimigos e salva e exalta os fiéis. Por isso, ele merece a adoração de todos os seus servos, começando com as vozes no céu.

É importante frisar o significado desta trombeta em relação ao resto do livro. Sete selos foram abertos, e o último revelou as sete trombetas. As sete trombetas nos levam até o fim, o cumprimento do mistério revelado por Deus aos profetas. Mas a sétima não termina aqui. Ela inclui o que vem depois, as explicações mais detalhadas no resto do livro. Deus dará a vitória aos santos e arruinará os inimigos. O resto do livro mostrará mais informações sobre as características destes inimigos, e a natureza da vitória de Deus e do povo santo.. “Graças te damos, Senhor Deus, Todo-Poderoso”!


Perguntas 

1.  A sétima trombeta é conhecida, também, como qual dos três ais? 

2. O versículo 15 prova que Deus não dominava o mundo nos tempos antigos? Explique a sua resposta. 

3. Quem se enfureceu contra o Senhor e o seu reino? 

4. Qual foi a resposta de Deus à fúria dos homens? 

5. Quais são os possíveis destinos dos homens julgados por Deus? 

6. O que significa “destruir” (versículo 18)?

7. Quais coisas celestiais foram vistas no versículo 19?


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