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O desejo de Deus
de nos manter salvos
"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito..."
(João 3:16). Ele "deseja que todos os homens sejam salvos"
(1 Timóteo 2:4). Ele retarda tanto a volta de Cristo por paciência, "não
querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento"
(2 Pedro 3:9). Ele assegurou a Israel há muito tempo de que ele não tinha
prazer na morte dos ímpios (Ezequiel 18:23,32).
Jesus ainda ensinou que poucos haveriam de encontrar o caminho estreito que
conduz à vida e que muitos seguiriam o caminho largo que leva à perdição
(Mateus 7:13-14). Apesar de Deus desejar a salvação de suas criaturas, muitos
serão perdidos eternamente. A razão é que a salvação é dada sob condição.
A vontade de Deus não é a única envolvida. Os seres humanos são criaturas de
livre vontade, e muitos deles recusam a salvação que Deus oferece.
Todas as Escrituras citadas acima para indicar a atitude de Deus para com os
perdidos mencionam a condição para a salvação: ela é que "todo
o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João
3:16). Os salvos são aqueles que chegam ao conhecimento da verdade (1 Timóteo
2:4). Se queremos evitar a perdição, temos que chegar ao arrependimento (2
Pedro 3:9). Os maus têm que se converter de seus caminhos para poder viver
(Ezequiel 18:23,32). Quando nos recusamos a satisfazer as condições da salvação,
não podemos ser salvos.
Muitos entendem a natureza condicional da aceitação original de uma pessoa por
Deus, mas pensam que, uma vez que a pessoa foi salva, ela não poderá mais,
posteriormente, abandonar a fé e se perder. Mas as Escrituras são claras neste
ponto: "manter-se salvo" é uma questão condicional tanto
quanto "conseguir ser salvo" de início.
Paulo escreveu em Efésios 2:8 sobre a salvação recebida pelos filhos de Deus:
"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé".
A salvação é pela graça. Esta é a parte de Deus, e ele a providenciou, em
abundância, para a salvação do homem. Mas a salvação depende da fé do
homem, ela é "mediante a fé". Se uma pessoa não
tiver fé, ela não será salva, a despeito das providências de Deus.
Muitas pessoas entendem este ponto. Mas temos que entender também que o cuidado
de Deus na proteção de seus filhos repousa na mesma base. Pedro escreveu a
respeito da proteção de seu povo por Deus em termos bem paralelos à
afirmação de Paulo sobre a salvação: "Sois guardados pelo poder
de Deus, mediante a fé, para salvação preparada para revelar-se no último
tempo" (1 Pedro 1:5).
Alguns perguntam se o poder de Deus falhará. Mas esta guarda depende da fé do
homem, como do poder de Deus. Ela é "pelo poder de Deus" mas é também
"mediante a fé". O poder de Deus não falhará, mas a fé do homem
pode faltar. Hebreus 3:12 é apenas uma das muitas passagens que avisam o
homem da possibilidade de uma pessoa perder sua fé. Ainda aqui, a guarda é
"mediante a fé", e sem a fé, não há guarda.
A pessoa que pode entender que a afirma-ção de Paulo "...pela graça
sois salvos, mediante a fé" condiciona a salvação à fé do
homem assim como à graça de Deus, não teria dificuldade em entender que a
afirmação de Pedro "sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé"
faz a guarda depender da fé do homem, tão bem como do poder de Deus.
Dois erros precisam ser evitados. Uma pessoa que ama o Senhor e está se esforçando
para agradá-lo, não precisa ficar temerosa pela sua salvação. Discípulos de
Cristo devem ser capazes de viver com o mesmo espírito triunfante que possuía
o apóstolo Paulo, o espírito que se regozija, que se gloria, confiante, que
ele manifesta em Romanos (especialmente 5:1-11 e 8:31-39). Se um cristão fiel
está sem este espírito, de algum modo ele deixou de entender a redenção que
está em Cristo. Ele deveria ser capaz de se regozijar e confiar no amor de
Deus. O livro de Romanos o ajudará a conseguir isso. Que bênção esse livro
será para sua vida se o cristão desejar viver com o livro de Romanos até que
ele compreenda sua mensagem!
Mas não podemos ser presunçosos sobre a graça de Deus. E quando nos tornamos
descuidados sobre como viver uma vida cristã, quando começamos a perder aquele
desejo intenso de agradar ao Senhor, quando negligenciamos a oração e as
Escrituras, então não é de Romanos que necessitamos, mas de Hebreus.
Precisamos deixar que as duras advertências deste livro nos sacudam e nos
livrem do espírito presunçoso e nos enviem correndo para o trono da graça.
Este livro nos alerta sobre o perigo real, o perigo que precisa ser levado muito
a sério: "Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de
vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo"
(Hebreus 3:12). Assim também Paulo: "Aquele, pois, que pensa
estar em pé veja que não caia" (1 Coríntios 10:12).
E ainda, enquanto tememos ser presunçosos, tenhamos confiança no amor de
Deus, confiando em que ". . . Deus é por nós . . ." (Romanos
8:31). Ele não está contra nós, só olhando e esperando para tirar-nos desta
vida no momento que estivermos menos preparados.
Deus não nos tem somente avisado da possibilidade de apostasia. Ele nos ama e não
quer que o esqueçamos e nos percamos. Por esta razão, ele providenciou todos
os meios necessários para nos unir cada vez mais a ele, garantindo nossa
segurança. Este livreto é sobre as providências de Deus para nos manter
salvos.
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