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Autoridade

Autoridade e a Igreja Católica
A Igreja Católica deriva a autoridade para suas práticas de duas fontes diferentes: A Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição.
   
É ensinado aos católicos que as Escrituras são a palavra de Deus e que milhares de anos atrás a palavra de Deus foi escrita sob a inspiração do Espírito Santo. Para compor os livros que compreendem o Velho e o Novo Testamentos, Deus escolheu certos homens que, ainda que usando suas próprias capacidades e estilo, escreveram o que ele queria que fosse comunicado, nada mais, nada menos. Essa palavra, a Bíblia, é significativa e sagrada.
   
A Bíblia, contudo, não é a única fonte de autoridade para os católicos. De acordo com o Catecismo da Igreja Católica (revisão de 1994), fé não é uma "religião do livro," mas antes uma religião da "Palavra" de Deus. Essa "não é uma palavra escrita e muda, mas encarnada e viva."
   
As Escrituras do primeiro século foram registradas e finalmente compiladas na Bíblia, mas os católicos crêem que a divina inspiração não parou quando os apóstolos e seus contemporâneos morreram. Eles crêem que a pregação dos apóstolos, que foi expressa de um modo especial na Bíblia, é também preservada numa linha contínua de sucessão até o fim do tempo. Esta revelação contínua é conhecida como a Tradição Sagrada.
   
Os católicos entendem que o Papa é inspirado e fala por Deus, nos dias atuais. Através dos séculos, vários Papas fizeram decretos em nome de Deus e esses decretos foram seguidos como parte da tradição da Igreja Católica. Alguns desses decretos de Papas foram revistos através dos anos porque o Papa atual é considerado como tendo a mais atualizada informação de Deus.

A Igreja Católica, portanto, não proclama receber sua certeza sobre as verdades reveladas somente das Escrituras. Tanto a Sagrada Escritura como a Sagrada Tradição precisam ser aceitas e honradas igualmente.

Autoridade e a Bíblia

Logo antes de sua ascensão ao céu, as Escrituras nos contam que Jesus disse, "Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo" (Mateus 28:18-20).
   
Na Epístola de Paulo aos Efésios, vemos um retrato claro da posição de Jesus a respeito da igreja:

"Que lhes ilumine os olhos da mente, para que compreendam a esperança para a qual ele os chamou; para que entendam como é rica e gloriosa a herança destinada ao seu povo; e compreendam o grandioso poder com que ele age em favor de nós que acreditamos conforme a sua força poderosa e eficaz. Ele a manifestou em Cristo, quando ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita no céu, muito acima de qualquer principado, autoridade, poder e soberania, e de qualquer outro nome que possa nomear, não só no presente, mas também no futuro. De fato, Deus colocou tudo debaixo dos pés de Cristo e o colocou acima de todas as coisas, como Cabeça da Igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que plenifica tudo em todas as coisas" (Efésios 1:18-23).
 
A Bíblia ensina que Jesus tem autoridade exclusiva sobre sua igreja. Não estando mais na terra, contudo, ele está presente na palavra de Deus.
   
A Bíblia confirma que a palavra de Deus tem autoridade na igreja. A segunda epístola de Paulo a Timóteo diz:
   
"Quanto aos maus e impostores, eles progredirão no mal, enganando e sendo enganados. Quanto a você, permaneça firme naquilo que aprendeu e aceitou como certo; você sabe de quem o aprendeu. Desde a infância você conhece as Sagradas Escrituras; elas têm o poder de lhe comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra" (2 Timóteo 3:13-16).
 
O termo "Sagrada Tradição" não é mencionado nas Escrituras. Contudo, há lugares onde "tradição" é mencionada. Em alguns lugares a tradição que está sendo seguida é condenada enquanto em outros é elogiada.
   
No evangelho de Marcos, vemos Jesus censurando os fariseus por seguirem a tradição, antes que a palavra de Deus:
   
"Os fariseus e os doutores da Lei perguntaram então a Jesus: 'Porque os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, pois comem pão sem lavar as mãos?' Jesus respondeu: 'Isaías profetizou bem sobre vocês, hipócritas, como está escrito: Este povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim. Não adianta nada eles me prestarem culto, porque ensinam preceitos humanos. Vocês abandonam o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens'. E Jesus acrescentou: 'Vocês são bastante espertos para deixar de lado o mandamento de Deus a fim de guardar as tradições de vocês" (Marcos 7:5-9, 13; veja também Mateus 15:2-9).
 
Em sua Epístola aos Colossenses, Paulo adverte:
   
"Cuidado para que ninguém escravize vocês através de filosofias enganosas e vãs, de acordo com tradições humanas, que se baseiam nos elementos do mundo, e não em Cristo. É em Cristo que habita, em forma corporal, toda a plenitude da divindade. Em Cristo vocês têm tudo de modo pleno. Ele é a cabeça de todo principado e de toda autoridade" (Colossenses 2:8-10).
 
Em duas circunstâncias vemos falar de tradições de modo positivo. Na segunda Epístola aos Tessalonicenses, Paulo, Silvano e Timóteo escrevem:
   
"Por isso, irmãos, fiquem firmes e mantenham as tradições que lhes ensinamos de viva voz ou por meio da nossa carta" (2 Tessalonicenses 2:15).
 
Paulo também aproveita a oportunidade para admoestar a igreja de Tessalônica:
   
"Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo ordenamos: fiquem longe de qualquer irmão que vive sem fazer nada e não segue a tradição que recebeu de nós" (2 Tessalonicenses 3:6).
 
A distinção entre a tradição que é positiva e a que é negativa é encontrada em sua fonte. Tradições que se originam dos humanos são condenadas, enquanto as tradições que se originam de Deus e são levadas através dos apóstolos e outros discípulos inspirados são aprovadas.

Resumo
Até este ponto temos visto que os ensinamentos e práticas da Igreja Católica diferem às vezes das práticas dos cristãos nas Escrituras. Algumas práticas católicas são encontradas na Bíblia; algumas não são nem mesmo mencionadas; outras parecem ser condenadas.
   
O fato que a Igreja Católica declara derivar sua autoridade igualmente da Sagrada Escritura e da Sagrada Tradição é responsável por esta divergência. Quaisquer práticas passadas, presentes ou futuras da Igreja Católica que não podem ser apoiadas pelas Escrituras podem ser explicadas seguindo-as até o Papa que lhes deu existência.
   
Para alguns, confiar tanto na Sagrada Escritura como na Sagrada Tradição como guias parece ser lógico e aceitável, mas se o Papa pode mudar as práticas autorizadas pela Sagrada Escritura, então a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição não podem ser iguais, como são declaradas. Quando o que o Papa decreta contradiz a palavra de Deus, antes que ser honrada, parece que aquela porção da Escritura é anulada.
   
Como foi mencionado antes, os católicos acreditam que Pedro foi o primeiro Papa. A Bíblia confirma que Pedro era inspirado, e dá exemplos dele e dos outros apóstolos distribuindo dons espirituais, tais como profecia, a outros discípulos. Os crentes que receberam os dons espirituais dos apóstolos foram capazes de operar milagres e profetizar exatamente como os apóstolos, contudo, aqueles crentes não podiam passar os dons espirituais que tinham recebido. Desde que somente os apóstolos foram capazes de distribuir dons espirituais (Atos 8:14-18), uma vez que os apóstolos morreram, como os futuros Papas receberam a capacidade de profetizar sobre assuntos relacionados com a igreja?
   
As Escrituras não fazem nenhuma menção a Pedro ser um Papa, nem mencionam nenhuma sucessão de liderança na igreja, além dos anciãos.
   
As Escrituras também não fornecem nenhuma evidência de que o dom espiritual da profecia continuaria através dos séculos. Em 1 Coríntios 13:8, é-nos dito que o dom da profecia terminaria.
   
Antes de sua morte, Jesus disse aos seus apóstolos que ele estaria deixando-os, mas que ele não os deixaria sós, "Quando vier o Espírito da Verdade, ele encaminhará vocês para toda a verdade, porque o Espírito não falará em seu próprio nome, mas dirá o que escutou e anunciará para vocês as coisas que vão acontecer. O Espírito da Verdade manifestará a minha glória, porque ele vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês. Tudo o que pertence ao Pai  é meu também. Por isso é que eu disse: O Espírito vai receber daquilo que é meu, e o interpretará para vocês" (João 16:13-15).
   
Se aos apóstolos fosse dada "toda" a verdade quando o Espírito Santo veio sobre eles logo depois da morte de Jesus, o que seria deixado para posterior revelação? Aceitar a crença da Igreja Católica que ela recebeu mais outras revelações da verdade através dos séculos tornaria falsa esta afirmação de Jesus Cristo.
   
No Velho Testamento, vemos diversos exemplos de profecia apontando para uma nova aliança e mais revelação. No Novo Testamento, a única mudança que vemos que contemplava o futuro é a segunda vinda do Senhor, que terminará o mundo. Desde que o Senhor preparou seu povo sob a velha aliança para a mudança que viria, se ele planejou que a revelação através de Cristo também fosse temporária, ou somente parcial, não nos teria ele também dito que esperássemos nova revelação no futuro?
   
Em sua epístola, Judas diz que a fé já havia sido completamente entregue:
   
"Amados, tendo um grande desejo de escrever-lhes a respeito da nossa salvação comum, fui obrigado a fazê-lo, a fim de encorajá-los a lutar pela fé que foi transmitida aos fiéis uma vez por todas" (Judas 3).
 
A Bíblia ensina que a palavra de Deus é para ser seguida e protegida contra aqueles que pudessem querer mudá-la. Ela não prediz nenhuma revelação posterior.
   
Os membros da igreja primitiva são descritos como "... perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações" (Atos 2:42). Através das epístolas vemos os apóstolos e outros escritores inspirados insistindo com os cristãos a que se firmassem na palavra de Deus e não seguissem ninguém que ensinasse algo diferente do que já tinha sido revelado por Deus através dos apóstolos e outros discípulos que compuseram o Novo Testamento. Por exemplo:
   
"Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho, pois o Espírito Santo os constituiu como guardiães, para apascentarem a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si com o sangue de seu próprio Filho. Eu sei: depois da minha partida aparecerão lobos vorazes no meio de vocês e não terão pena do rebanho. E do meio de vocês mesmos surgirão alguns falando coisas pervertidas, para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, fiquem vigiando..." (Atos 20:28-31).
 
"Maldito aquele que anunciar a vocês um evangelho diferente daquele que anunciamos, ainda que sejamos nós mesmos ou algum anjo do céu" (Gálatas 1:8).
 
"Vocês estavam correndo bem. Quem foi que colocou obstáculo para que vocês não obedeçam mais à verdade? Tal influência não vem daquele que chama vocês. Um pouco de fermento basta para levedar toda a massa! Confio no Senhor que vocês estão de acordo com isso. Aquele, porém, que os perturba sofrerá condenação, seja quem for" (Gálatas 5:7-10).
 
"Entretanto, qualquer que seja o ponto a que chegamos, caminhemos na mesma direção. Irmãos, sejam meus imitadores e observem os que vivem de acordo com o modelo que vocês têm em nós" (Filipenses 3:16-17).
   
"Se vocês morreram com Cristo para os elementos do mundo, porque se submetem a normas, como se ainda estivessem sujeitos ao mundo, normas como estas:  'Não pegue, não prove, não toque'? Todas essas coisas se desgastam pelo uso. E essas proibições são preceitos e doutrinas de homens. Tais regras de piedade, humildade e severidade com o corpo têm ares de sabedoria, mas na verdade não têm nenhum valor, a não ser a satisfação da carne. Se vocês foram ressuscitados com Cristo, procurem as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus"
(Colossenses 2:20 - 3:1).

"Por isso, irmãos, fiquem firmes e mantenham as tradições que lhes ensinamos de viva voz ou por meio da nossa carta" (2 Tessalonicenses 2:15).
 
"O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns renegarão a fé, para dar atenção a espíritos sedutores e a doutrinas demoníacas. Serão seduzidos por homens hipócritas e mentirosos, que têm a própria consciência como que marcada a ferro quente. Eles proibirão o casamento, exigirão abstinência de certos alimentos, embora Deus tenha criado essas coisas para serem recebidas com ação de graças por aqueles que têm fé e conhecem a verdade....Ensinando essas coisas aos irmãos, você se comportará como bom servidor de Jesus Cristo, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que você tem seguido" (1 Timóteo 4:1-3,6).
 
"Pois quem ensina coisas diferentes, que não concordam com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensinamento conforme a piedade, é cego e não entende nada..." (1 Timóteo 6:3-4).
 
"Pois vai chegar o tempo em que não se suportará mais a doutrina; pelo contrário, com a comichão de ouvir alguma coisa, os homens se rodearão de mestres a seu bel prazer. Desviarão seus ouvidos da verdade e os orientarão para as fábulas" (2 Timóteo 4:3-4).
 
"Por isso, devemos levar mais a sério a mensagem que ouvimos, se não quisermos perder o rumo. De fato, se a palavra transmitida por meio dos anjos se mostrou válida, e toda a transgressão e desobediência recebeu um justo castigo, como poderemos nós escapar do castigo, se não dermos atenção a uma salvação tão grande? De fato, depois de ter sido promulgada no início pelo Senhor, essa mesma salvação foi confirmada no meio de nós por aqueles que a tinham ouvido; e Deus apoiava o testemunho deles, mediante sinais, prodígios e milagres de todo tipo e dons do Espírito Santo, distribuídos conforme a sua própria vontade" (Hebreus 2:1-4).
 
"Lembrem-se dos dirigentes que ensinaram a vocês a Palavra de Deus. Imitem a fé que eles tinham, tendo presente como eles morreram. Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje, e será sempre o mesmo. Não se deixem levar por nenhum tipo de doutrinas estranhas..." (Hebreus 13:7-9).
 
Para mais exemplos de admoestação a não aceitar novos ensinamentos, veja também: Romanos 16:17-18; 1 Coríntios 4:17; 15:1-2; Filipenses 4:9; Colossenses 1;22-23; 1 Tessalonicenses 5:21; 1 Timóteo 4:16; 2 Timóteo 1:13-14; 2:2; 3:13-14: Tito 1:10-14; 2:1; 2 Pedro 2:1-3, 21; 3:16-17; 1 João 2:24; 2 João 8-11; Apocalipse 22:18-19.
   
A Igreja Católica é capaz de explicar sua variação das Escrituras por sua adesão à Sagrada Tradição, mas as próprias Escrituras que eles declaram honrar parece condenarem a prática de seguir a Sagrada Tradição.


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