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Os Sacramentos
Definições
O catecismo católico define sacramento
como um sinal exterior instituído por Cristo para produzir uma graça
interna. A Igreja Católica administra sete sacramentos e os discutiremos na
ordem em que uma pessoa normalmente os receberia:
Batismo
Batismo é um sacramento que a maioria
dos católicos recebe logo após o nascimento. Aos católicos é ensinado que
este sacramento lava o pecado, pelo derramamento de água sobre a cabeça do
batizando e a invocação do nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É
neste ponto que a pessoa recebe graça, torna-se filho de Deus, herdeiro do céu,
e membro da Igreja Católica. Os católicos crêem que este batismo remove o
pecado original herdado de Adão e Eva e, no caso de um adulto ser batizado,
remove também os pecados cometidos por esse indivíduo.
A maioria dos batismos católicos ocorre como parte de uma cerimônia formal,
dirigida por um padre. Quando uma criança nasce, os pais escolhem um homem e
uma mulher para serem padrinhos da criança. Essas pessoas concordam em ajudar
os pais no treinamento espiritual da criança e, na eventualidade de morte dos
pais, eles concordam em criar a criança como um católico fiel. Os pais também
escolhem um nome de santo para a criança. Além da água derramada sobre a cabeça
da criança, o padre também coloca sal na boca da criança para representar
purificação e preservação. Outros atos tradicionais incluem ungir com crisma
e óleo, segurando uma vela acesa, e a profissão de fé, que é dita pelos pais
e padrinhos da criança.
Em certas instâncias, o sacramento do batismo é ministrado de modo diferente.
Numa emergência médica, qualquer pessoa leiga pode efetuar um batismo. Também,
parece que algumas paróquias conduzem a cerimônia de modo diferente. Poucos
anos atrás, meu cunhado decidiu tornar-se católico, e foi imerso, em vez de
receber água derramada sobre sua cabeça. Nos Estados Unidos, certas regiões
diferem no modo como praticam a doutrina da Igreja Católica.
Confissão
O sacramento da Confissão é também chamado Penitência. Este sacramento é
como um católico recebe perdão por aqueles pecados que ele tiver cometido
depois do Batismo. A confissão compreende três aspectos: ì contrição ou
tristeza pelos pecados cometidos; í confissão voluntária desses pecados a um
sacerdote e î Penitência que envolve certas preces ou outros atos determinados
pelo sacerdote, com a intenção de fazer expiação a Deus.
Santa Comunhão
O sacramento da Santa Comunhão também é conhecido como Santa Eucaristia.
Ensinaram-me que o sacramento da Comunhão era a parte mais significativa da
celebração da Missa. Dá-se ênfase ao sacrifício que Cristo fez por sua
igreja e os católicos acreditam que recebem graça quando recebem o corpo e o
sangue de Jesus Cristo na aparência de pão e vinho. Transubstanciação é
o termo usado para descrever a mudança do pão e do vinho no verdadeiro corpo e
sangue de Cristo. Este sacramento comemora a união do povo de Deus com seu
Salvador. Na maioria das paróquias, é prática comum ministrar somente o corpo
de Cristo na comunhão. O sangue de Cristo é ministrado muito raramente e
somente em dias santos especiais.
Crisma
Aos doze anos de idade ou mais, o católico
recebe o sacramento do Crisma ou Confirmação, que é ministrado usualmente por
um bispo. O recipiente do sacramento escolhe um nome de santo e um fiel católico
como padrinho. O bispo concede graça ao recipiente ungindo-o com crisma na
testa e batendo-lhe levemente no rosto. O propósito deste sacramento é reforçar
a fé da pessoa.
Ordens Sacras
Ordens Sacras é o sacramento pelo qual padres e bispos são ordenados. Homens
que freqüentaram o seminário recebem o poder do sacerdócio e lhes é
conferida graça que os capacita a praticar as responsabilidades de oficiar a
Missa, conduzir as paróquias da Igreja Católica, e outros deveres especiais.
Matrimônio
O sacramento do Matrimônio é dado a um homem e uma mulher quando são unidos
como esposo e esposa e a graça é recebida por eles para cumprirem
obedientemente as responsabilidades que esta nova relação cria. Na maioria dos
casos um padre oficia a cerimônia de casamento, contudo, com permissão
especial, um católico pode ser casado por um ministro de outra denominação.
Unção dos Enfermos
O sacramento da Unção dos Enfermos é ministrado àqueles católicos que estão
em perigo de morte. O propósito do sacramento é restaurar a saúde da pessoa e
absolver o indivíduo de qualquer pecado remanescente. Ele também serve como
preparação para a morte. Um padre ora e unge a pessoa doente com azeite que
foi benzido por um bispo. O sacramento também é conhecido como Extrema Unção,
Últimos Ritos ou Última Bênção. Este é o único sacramento que nunca
recebi nem testemunhei, por isso me refiro ao Dicionário Enciclopédido da
Nova Bíblia Americana, publicado pelos editores da Bíblia Católica, para
mais explicação. A bênção é dada a uma pessoa que está morrendo e que
tenha feito um Ato de Contrição e que tenha confessado o Nome Santo. É usada
a fórmula do Papa Benedito XIV; a bênção não pode ser dada a um moribundo
que foi excomungado, a um impenitente, ou quem quer que esteja morrendo em
pecados mortais.
Sacramentos e a Bíblia
A Igreja Católica ensina que a Bíblia é a Palavra de Deus, portanto, eu
gostaria de examinar o que a Bíblia tem a dizer sobre os sacramentos que são
praticados pela Igreja Católica. A palavra sacramento não aparece na Bíblia,
contudo, há lugares nas Escrituras onde vemos atos ou mandamentos que são
semelhantes a alguns dos sacramentos. A seguir, vai uma comparação e
contraste:
Batismo
A palavra batismo, ou uma forma desta
palavra, aparece 96 vezes na Bíblia e o ato do batismo é referido em uns
poucos outros lugares, ainda que não pelo nome. Todas estas referências
ocorrem no Novo Testamento.
Em comparação, algo do que a Igreja Católica ensina sobre batismo é
confirmado pela Bíblia. O batismo foi ordenado por Cristo como parte do modo de
fazer discípulos. É um batismo nas águas e seu propósito é para a remissão
de pecado. É neste ponto do batismo que uma pessoa obtém salvação e se torna
membro da igreja de Cristo. (Veja Mateus 28:19; Marcos 16:16; Atos 2:38,41; Gálatas
3:26,27; e 1 Pedro 3:20,21.)
Em contraste, há várias coisas sobre o batismo católico que não são
encontradas nas Escrituras. Estes aspectos são: o batismo de recém-nascidos, o
conceito de pecado original e o ato da aspersão, em vez da imersão.
Todas as ocasiões de batismo relatadas nas Escrituras envolvem adultos. De modo
a ser batizada, cada pessoa tinha que confessar sua fé que Jesus é o Filho de
Deus e arrepender-se de seus pecados. Não há exemplos de crianças pequenas
sendo batizadas porque elas são incapazes desses dois atos.
A Bíblia não ensina o conceito de "pecado original". O batismo é o
ponto em que a pessoa recebe o perdão se seus próprios pecados. No capítulo
18 do livro de Ezequiel, Deus explicou ao profeta que cada pessoa é tida como
responsável por seus próprios pecados e as pessoas não podem ser
responsabilizadas pelos pecados de seus ascendentes. Meu entendimento das
Escrituras a respeito do assunto é que todos os seres humanos sofrem as conseqüências
físicas do pecado de Adão e Eva sendo separados da árvore da vida, mas Deus não
responsabiliza ninguém pelos pecados de outros, inclusive os de Adão e Eva.
A palavra "batismo" nas Escrituras, quando traduzida literalmente,
significa "consistente de processos de imersão, submersão e emersão (de bapto,
mergulhar)" (W.E. Vine, Dicionário Expositivo de Palavras do Velho
e do Novo Testamento). Os batismos que aconteceram quando Jesus e os apóstolos
estavam na terra não foram uma aspersão ou derramamento de água. Os crentes
que foram batizados foram inteiramente imersos em água. João, por exemplo,
batizava numa parte do rio Jordão que tinha muita água (João 3:23),
capacitando-o a imergir completamente aqueles que vinham a ele. O capítulo 6 da
carta de Paulo aos Romanos explica o simbolismo da imersão. "Ou vocês
não sabem que todos nós, que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados
na sua morte? Pelo batismo fomos sepultados com ele na morte, para que, assim
como Cristo foi ressuscitado dos mortos por meio da glória do Pai, assim também
nós possamos caminhar numa vida nova" (6:3-4). Quando uma
pessoa é abaixada na água e coberta, isso é muito parecido com um
sepultamento. Quando essa mesma pessoa é levantada da água, é como uma
ressurreição dos mortos. O batismo é o ponto no qual uma pessoa morre para o
pecado e começa uma nova vida espiritual.
Confissão
O ato de confessar pecado é parte tanto
do Velho como do Novo Testamento. Sob a velha aliança, os sacerdotes e guias
confessavam seus próprios pecados e os pecados do povo a Deus (Levítico 16:21;
Esdras 10:1, 11; Neemias 9:2, 3). Freqüentemente, esta confissão era ligada
com os dias santos ou com os sacrifícios individuais pelo pecado. As pessoas
também confessavam seus próprios pecados diretamente a Deus, em oração, ou
os confessavam uns aos outros (Números 5:7; Josué 7:19-21; Daniel 9:4,5,20).
Sob a nova aliança as pessoas foram mandadas confessar seus pecados umas às
outras (Tiago 5:16) e foram asseguradas de que Deus as perdoaria (1 João 1:9).
Sob a nova aliança, o povo não confessa seus pecados aos sacerdotes, porque não
havia nenhuma classe especial de sacerdotes na igreja no Novo Testamento. Em sua
primeira carta, Pedro, o apóstolo, esclareceu que todos os cristãos são parte
do santo sacerdócio que oferece sacrifícios espirituais aceitáveis por Deus,
através de Cristo Jesus (1 Pedro 2:5). A confissão mencionada nas Escrituras
também não parece ter sido parte de qualquer cerimônia em particular.
Santa Comunhão
O sacramento da Santa Comunhão tem suas raízes nas Escrituras. Conforme
mencionado na missa, Jesus instituiu este memorial na noite em que foi traído.
Ele também instruiu seus discípulos a continuarem esta ceia especial em sua
memória. Três das narrativas dos evangelhos registram este evento
significativo: Mateus 26:26-29; Marcos 14:22-25 e Lucas 22:14-20. Em sua
primeira carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo dá instruções sobre a história
e o propósito da Ceia do Senhor (11:23-34). Ele também da orientações sobre
a maneira como deve ser recebida.
A Bíblia sugere que os discípulos dos primeiros dias da igreja se reuniam no
primeiro dia da semana para partilhar a Ceia do Senhor (Atos 20:7). Tanto o pão
como o fruto da videira eram tomados todas as vezes em que participavam desta
comemoração da morte de Cristo. A Bíblia não menciona o conceito de
transubstanciação.
Crisma
A palavra "crisma" (ou
"confirmação") não aparece na Bíblia e eu não posso localizar
qualquer cerimônia ou comportamento nas Escrituras que seja comparável com
esta prática católica.
Ordens Sacras
O termo Ordens Sacras não aparece na Bíblia, e não há cerimônias ou
comportamentos no Novo Testamento que sejam comparáveis com a prática católica
de ordenar sacerdotes. Como foi mencionado antes, não havia classe especial de
sacerdotes na igreja cristã primitiva.
Nas ocasiões quando evangelistas, aqueles que eram sustentados para pregar a
palavra de Deus, saíam para uma jornada, seus colaboradores os despediam com
uma "imposição de mãos" (veja, por exemplo, Atos 13:1-3). Esta prática,
contudo, não era nenhum tipo de ordenação, mas muito mais parecida com um
costume representando uma bênção à obra a ser cumprida.
No Velho Testamento, Deus deu instruções muito especiais sobre como os
sacerdotes teriam que assumir seu papel de guias espirituais de Israel. Aquelas
práticas, contudo, aplicavam-se somente à fé judaica, porque os deveres
sacerdotais estavam ligados diretamente ao serviço no templo, envolvendo sacrifícios
de animais e adesão à lei judaica. Estas práticas da velha aliança entre
Deus e Israel não são parte da nova aliança entre Jesus e seus seguidores.
Matrimônio
O sacramento do matrimônio não é mencionado na Bíblia. Há ocasiões nas
Escrituras quando casamento e bodas são mencionados, mas em nenhuma destas instâncias
a união do homem com a mulher é parte de uma cerimônia religiosa. Há
mandamentos dados nas Escrituras sobre a necessidade de fidelidade no casamento
e os papéis do esposo e da esposa, e o casamento poderia certamente cair dentro
dos mandamentos gerais para se obedecerem as leis do governo (Romanos 13:1,2 e 1
Pedro 2:13-17). Além destes regulamentos, a Bíblia não diz como, quando ou
porque o casal deverá ser unido. Ela também não indica que qualquer graça
especial seja recebida por um casal no dia das suas bodas.
Unção dos Enfermos
A Epístola de Tiago, capítulo 5, versículos 14 e 15 diz: "Alguém
de vocês está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja para que rezem
por ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. A oração feita com fé salvará
o doente: o Senhor o levantará e, se ele tiver pecados, será perdoado."
Isto soa muito semelhante à prática católica de ungir os doentes,
contudo, na Bíblia, a oração e a unção são feitas pelos presbíteros, não
por um padre.
No Velho Testamento há várias ocasiões em que pessoas que estão próximas da
morte dão bênçãos àqueles que permanecerão na terra depois de sua partida;
contudo, não há instâncias de uma bênção dada à pessoa que está
morrendo.
Resumo
Pelo exame, vimos que alguns dos sacramentos são semelhantes a práticas
encontradas nas Escrituras enquanto outros não são de modo algum encontrados
nas Escrituras, de forma nenhuma. Descobrimos, também, que além do batismo e
da Ceia do Senhor, e unção dos doentes com o propósito de restaurar a saúde,
os sacramentos praticados pela Igreja Católica não são registrados nas
Escrituras como práticas religiosas formais na igreja cristã primitiva.
Catolicismo
e Cristianismo
Introdução
| Os Sacramentos | O Papel da Virgem
Maria | Liderança na Igreja
Os Santos | Autoridade | Conclusão
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