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Expectativas Judaicas

por Cunningham Geikie

A característica central e dominante do ensinamento dos rabinos era o advento certo de um grande Libertador nacional S o Messias, ou o Ungido de Deus ou, na tradução grega do título, o Cristo.

Em nenhuma outra nação que não a dos judeus tal noção jamais se enraizou nem mostrou tal vitalidade. Desde os tempos de suas grandes aflições nacionais, sob seus últimos reis, as palavras de Moisés, de Davi e dos profetas tinham sido citadas como promessas divinas de um Príncipe poderoso que viria para “restaurar o reino a Israel.”

Tais eram, com efeito, as idéias gradativamente amadurecidas sobre o Messias S o Imortal e Eterno Rei, investido de poder divino, e ainda um homem S que tinham sido tiradas dos mais antigos, bem como dos últimos escritos sagrados ou religiosos da nação. Poucos, porém, percebiam que um Rei celestial tinha que significar um reino santo; que seu reino verdadeiro precisaria ser nas almas purificadas dos homens. E poucos também compreendiam que a verdadeira preparação para a sua vinda não era orgulho vanglorioso, mas humilhação por causa do pecado.

Havia concordância entre os rabinos sobre seu lugar de nascimento, que deveria ser em Belém e que ele tinha que se levantar da tribo de Judá. Acreditava-se que ele mesmo não saberia que era o Messias até que Elias viesse, acompanhado por outros profetas, e o ungisse. Até aí ele estaria oculto ao povo, vivendo como um desconhecido entre eles. Ele libertaria Israel pela força das armas, e sujeitaria o mundo a ele.

“Que belo”, diz um escrito dos rabinos de Jerusalém, “é o Rei Messias, que se levanta da casa de Judá! Ele cinge seus lombos, desce, ordena a batalha contra seus inimigos, e mata seus reis e seus principais capitães; não há ninguém tão poderoso que possa resisti-lo. Ele deixa os montes vermelhos com o sangue dos seus inimigos destruídos; suas vestes, manchadas pelo sangue deles, são como as películas das uvas roxas.” “As bestas do campo se alimentarão durante doze meses com a carne dos mortos, e as aves do ar também se alimentarão deles durante sete anos.” “O Senhor”, diz este escrito, “nos vingará no dia de Gogue. Naquela hora o poder das nações será quebrado; elas serão como um navio cujo cordame é arrancado, e cujo mastro está rachado, e assim a vela não pode mais ser levantada. Em seguida, Israel dividirá os tesouros das nações entre si: bastantes despojos e riquezas, para que, se houver entre eles coxo ou cego, até estes terão sua parte.” Os pagãos se converterão ao Senhor e andarão em sua luz.

O reino universal assim fundado teria sido um paraíso terrestre para os judeus. Naquele dia, dizem os rabinos, haverá um punhado de trigo no topo dos montes e seus talos serão como palmeiras ou pilares. Nem haverá nenhuma dificuldade para colhê-los, pois Deus enviará um vento de seus aposentos que derrubará a farinha das espigas. Um grão de trigo será tão grande como os dois rins dos maiores bois. Todas as árvores produzirão continuamente. Uma única uva encherá uma carroça ou um navio, e quando for trazida para casa tirarão vinho dela como de um barril.

Um grande rei precisa ter uma grande capital, e aí, Jerusalém, a capital do reino do Messias, será muito gloriosa. Nos dias que virão, dizem os rabinos, Deus juntará o Sinai, o Tabor e o Carmelo e assentará Jerusalém sobre eles. Ela será tão grande que cobrirá tanto terreno quanto um cavalo pode correr desde o amanhecer até que sua sombra fique embaixo dele, ao meio-dia. Ela chegará até as portas de Damasco. Alguns deles até nos dizem que suas casas serão construídas com cinco quilômetros de altura. Suas portas serão de pedras preciosas e pérolas, trinta e três metros tanto de largura como de espessura, ocas. Em volta, o país será cheio de pérolas e pedras preciosas, de modo que os judeus de todas as partes possam vir pegá-las o quanto quiserem.

Nessa esplêndida cidade o Messias deve reinar sobre um povo que será totalmente constituído de profetas. Uma corrente frutífera brotará do templo e regará a terra, suas ribeiras serão sombreadas por árvores carregadas dos mais finos frutos. Nem doença nem defeito serão conhecidos. Não haverá tais coisas como um homem coxo, ou algum cego ou leproso; os mudos falarão e os surdos ouvirão. Haverá um milênio de orgulho nacional, glória e gozo.

Foi a um povo embriagado com a visão de uma tal felicidade exterior e grandeza política sob um Messias conquistador do mundo que Jesus Cristo veio com suas doutrinas totalmente opostas referente à meta do Messias e seu reino. Somente aqui e ali houve uma alma com algum pensamento mais alto e mais puro do que tais sonhos grosseiros, materialistas e limitados.


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