Algumas Reflexões Finais sobre o Reino dos Céus

por Sewell Hall

Pensamentos sobre o Prémilenarismo

Nos tratos de Deus para com o homem, ele tem sempre movido das coisas terrestres, materiais e temporais para aquelas que são espirituais, celestiais e eternais.

Desde o sangue de animal oferecido por Abel, Deus trouxe a humanidade ao sangue de Cristo oferecido diante de Deus como eterna expiação pelo pecado. Desde a circuncisão de Abraão fomos levados a uma circuncisão “não por intermédio de mãos” (Colossenses 2:11). De um tabernáculo material avançamos para o “verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem” (Hebreus 8:1-2).

No Velho Testamento Deus possuía um reino terrestre que atingiu o pico de sua glória militar nos dias do Rei Davi. Esse reino ficou inerte, mas Deus prometeu um novo reino que seria eterno (Daniel 2:44-45). Os judeus cometeram o sério engano de esperar que tal fosse simplesmente um reino maior e do mesmo tipo. Jesus passou muito tempo de seu ministério pessoal procurando afastar a atenção deles do que era físico e terreno para o que era espiritual e celeste. Ele explicou a Pilatos: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (João 18:36).

Apesar de tudo isso, há muitos hoje, conhecidos como premilenaristas, que crêem que Jesus veio para estabelecer um reino físico, terrestre e militar, como o de Davi, mas que ele foi impedido de fazer isso pela descrença de Israel. Eles esperam plenamente que Cristo volte à terra e se empenhe em guerra carnal para estabelecer seu trono em Jerusalém, de onde ele reinará na terra durante mil anos. Certamente, aqueles que têm compreendido o que o Novo Testamento ensina a respeito do reino podem ver que isso seria uma inversão da direção de todos os tratos anteriores de Deus para com o homem. “Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne?” (Gálatas 3:3). Deus “nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Colossenses 1:13).

Qualquer interpretação das profecias, seja do Velho Testamento como do Novo, que contradiz esse quadro claramente desenvolvido do reino do Messias como um reino pacífico, espiritual, celeste e eterno, é uma interpretação errada de tais profecias.

Pensamentos sobre Autoridade

Um reino verdadeiro é o oposto exato de uma democracia. Uma democracia é o “governo do povo”. Uma monarquia é o governo de uma única pessoa. Ela tem todo o poder e estabelece ou elimina todos os cargos quando quer, e admite ou demite cada ministro conforme escolhe. Qualquer pessoa reivindicando autoridade precisa ter credenciais do rei, e qualquer ato para ser legal precisa ser aprovado pelo rei ou por alguém a quem ele concedeu autoridade.

Nosso rei autorizou seus apóstolos a falarem por ele. Eles eram seus embaixadores, falavam e escreviam por ele. Nenhum outro ser humano pode reivindicar tal autoridade. Isso significa, simplesmente, que como cidadãos do reino dos céus, precisamos ter autorização do Rei para tudo o que fazemos, e essa autorização só pode ser encontrada nas Escrituras.

Pensamentos sobre os Cidadãos do Reino no Mundo

Aqueles dentre nós que têm passado algum tempo em uma nação que não a nossa, percebem como nos sentimos estranhos e diferentes em tal lugar. Somos constantemente lembrados de nossa situação como estrangeiros. Mas não ficamos envergonhados. Temos orgulho de nossa pátria, aceitamos o fato de sermos diferentes, tentamos manter-nos a par dos acontecimentos em nossa terra nativa e esperamos pelo dia quando poderemos ter a alegria e o contentamento de vivermos novamente entre “nosso próprio povo”.

Sendo aqueles cuja “pátria está nos céus” (Filipenses 3:20) somos sempre como Abraão, que “peregrinou...como em terra alheia” (Hebreus 11:9). Estamos no mundo, mas não somos “do mundo”; assim como nosso Rei estava no mundo, e não era do mundo (João 17:16). As pessoas ao nosso redor ficam surpresas porque não nos envolvemos com elas em suas “dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias” e nos caluniam (1 Pedro 4:3-4). Mas nos lembramos das palavras de Pedro: “Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” (1 Pedro 2:11); e também das palavras de Paulo: “se perseveramos, também com ele reinaremos” (2 Timóteo 2:12).


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