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Os Primeiros
Sinais da Graça
Embora tivessem se entregado de corpo e alma
ao seu Criador numa comunhão feliz, Adão e Eva agora se encolheram de vergonha
e de pavor diante da aproximação dele. O único meio que tinham de
cobrir a consciência poluída eram as roupas provisórias, e a única defesa
contra a ira de Deus era a inútil esperança de que não seriam encontrados (Gênesis
3:7 -8). Como Deus deve ter ficado decepcionado e magoado ao ver arruinada
a coroa da sua criação.
"Onde Estás?"
Adão e Eva eram vulneráveis. Nem as árvores nem as folhas de figueira
podiam escondê-los. Estavam sem poder na mão do criador; aquele que os
havia criado do nada pela palavra podia, da mesma maneira, entregar-lhes ao
esquecimento se assim desejasse. Mas, num tom desafiador, levantou a voz
para chamar Adão: "Onde estás?" (Gênesis 3:9).
O chamado de Deus nasceu de uma relutância para destruir a sua criação
contaminada pelo pecado, e ele caminhava pelo jardim com o propósito de
recuperar o que tinha sido perdido. Foi Deus quem tomou a iniciativa.
A solução do homem ao problema do pecado era evitar Deus a todo custo. Mas,
ainda que o homem tivesse arruinado o plano original de Deus e não tivesse nada
para oferecer como meio de reconciliação S nenhuma explicação, nenhuma
desculpa, nenhuma recompensa S Deus preferiu reconciliar-se com Adão e Eva a
reduzi-los a cinzas. Esse favor terno de Deus para com os culpados é o
seu atributo de graça.
O Descendente da Mulher
Após enfrentar Adão e Eva por causa do que haviam feito, Deus começou a
enumerar várias maldições e conseqüências que eram decorrência natural da
desobediência deles. Em meio à condenação da serpente em virtude de
haver participado no desastre, vemos registrada a primeira declaração da intenção
redentora da parte de Deus (Gênesis 3:15). A promessa era sem dúvida
obscura para os primeiros a ouvi-la, pois Deus ainda gastaria alguns milhares de
anos desenvolvendo-a, esclarecendo-a e executando-a por meio da manipulação
propositada dos seres humanos e dos acontecimentos.
Mas Deus não estava relutante em gastar tanto tempo para restaurar o que só
havia levado seis dias para criar. O homem precisava de tempo para
gradativamente entender as suas deficiências espirituais e perceber plenamente
a sua dependência do Criador. Essa paciência é outra faceta da graça
de Deus.
A promessa de redenção também demonstra a disposição de Deus de perdoar de
um modo específico. A mulher, que havia sido criada para auxiliar o homem
e, ainda assim, o tinha levado ao pecado, iria fazer uma contribuição singular
para o projeto de Deus: seria o descendente da mulher, não do homem com a
mulher, que derrotaria o poder da serpente. Mas também se faz soar uma
nota medonha, uma vez que o descendente da mulher não escaparia sem
sofrimentos. Na luta que se segue, a serpente feriria o seu calcanhar.
Assim, há indícios de que, em sua graça, Deus estava pronto para sofrer a fim
de recuperar a comunhão com o homem.
A Aceitação de Abel
O homem tinha de modo trágico mostrado que não estava disposto a obedecer
totalmente, deixando de respeitar a única proibição do Éden. A graça
de Deus, portanto, tinha de estar disposta a fornecer outro fundamento sobre o
qual o homem pudesse ser justo diante de Deus. O sacrifício de Abel
sugere que esse fundamento se firmou após a expulsão do jardim.
O sacrifício de Abel mostra de modo tácito o que as Escrituras declaram
abertamente sobre todo homem: que ele era um pecador. Mas Deus permitiu
que Abel, um pecador, continuasse a viver por meio da oferta de um sacrifício
para reconhecer o seu pecado. A informação que temos, sem entrar em
muitos detalhes, é que: "Agradou-se o Senhor de Abel e de sua
oferta" (Gênesis 4:4).
Mas não se tratava de mera formalidade da parte de Abel. A aprovação de
Deus não seria obtida simplesmente com um procedimento exemplar. O
escritor de Hebreus nos informa que foi a fé de Abel para com Deus que fez o
seu sacrifício superior ao de Caim, e com base na fé ele "teve
testemunho de ser justo" (Hebreus 11:4).
À semelhança de Abel, Caim era pecador, mas em vez de ter fé que o conduzisse
à justificação, ele era "do Maligno" e, por conseguinte,
"as suas obras eram más" (1 João 3:12). Ele também
sacrificou, mas o seu sacrifício foi rejeitado. Depois disso, mansamente
Deus admoestou a Caim, dizendo-lhe que ele seria aceito se agisse como Abel (Gênesis
4:7). A escolha era dele. Mas a oportunidade de optar pela posição
correta diante de Deus, seguindo as suas determinações, se fez possível pela
graça divina.
Escute a Deus e a Abel
O chamado de Deus a Adão e Eva era um convite de misericórdia a pecadores.
Sua declaração a respeito da derrota da serpente era a estrela d'alva do dia
vindouro da redenção. E Abel, estando morto, ainda fala de um Deus
amoroso e paciente, que deseja comunhão com suas criaturas e está disposto a
fazer concessões para consegui-la.
- por James M. Jonas
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