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As Condições
para o Perdão
O mundo trata o pecado levianamente.
Não entende o quanto fere a Deus, nem percebe o castigo enorme que
acarreta para o homem. O desejo, com a ajuda do mal, incita o homem a
violar a lei de Deus e morrer espiritualmente. "Então, a cobiça,
depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado,
gera a morte" (Tiago 1:15). O fim é a destruição eterna.
Paulo, fazendo uso de seu estado irregenerado para descrever o pecador no
momento que percebe a sua condição de perdido, exclama com tristeza:
"Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta
morte?" (Romanos 7:24). Ele manifesta o estado desesperado da
aterradora escravidão do pecado. Ele sente as suas cadeias e anseia a
libertação, mas não vê como pode ser salvo. Então chega o evangelho
com esperança. Há um Salvador! Exultando com a descoberta,
responde com alegria à sua pergunta: "Graças a Deus por Jesus
Cristo, nosso Senhor". Deus dá-lhe a vitória através do seu
Filho (1 Coríntios 15:57). Não é de admirar que os peregrinos redimidos
no céu louvem tal Redentor (Apocalipse 5:9).
Mas, quando enxerga a saída, seus pensamentos de novo se voltam para o seu
interior. Quem é ele para atrair a atenção de Deus para o seu estado
miserável? Que há nele para estimular uma graça tão abundante como
essa? Como alguém como ele jamais pode merecer uma misericórdia tão
infinita? Certamente ele não pode fazer nada digno de libertação.
Se obedecer a cada ordem, ainda assim seria um servo inútil (Lucas 17:10).
Mas Deus vê no homem algo que vale a pena salvar. Portanto, ele "deseja
que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade"
(1 Timóteo 2:4). Seu amor pela raça pecaminosa de Adão é tão grande
que ele estava disposto a pagar um alto preço para libertar os cativos (João
3:16).
Os teólogos têm focalizado tanto na profundeza do pecado do homem e na abundância
da graça de Deus que perderam de vista o papel que o homem desempenha na sua
salvação. Levaram milhares a crer no perdão incondicional.
Forjaram um conflito entre a salvação pela graça e o perdão condicional como
se um anulasse o outro. Ao mesmo tempo, os pregadores da "antiga
ordem", no zelo por restaurar as veredas antigas, nem sempre tiveram o
cuidado de pesá-las na balança da graça divina. Somos salvos "pela
graça . . . mediante a fé" (Efésios 2:8). Ninguém nega o caráter
essencial da graça, mas a devida atenção nem sempre é dispensada ao seu
papel no perdão.
Quando Israel se viu preso entre o exército de Faraó e o mar Vermelho, Moisés
lhe tranqüilizou dizendo: "Não temais, aquietai-vos e vede o
livramento do Senhor que, hoje, vos fará" (Êxodo 14:13). Quem não
consegue ver a graça de Deus ao encher Israel de esperança? Quem não é
capaz de ver o seu poder ao dividir o imenso mar? Mas, mesmo assim, houve
sem dúvida algumas condições explícitas. Israel tinha de obedecer a Deus e
fazer o que ele mandava. O povo marchou em meio aos muros de água que se
formaram sem medo de que desabassem sobre todos. A graça de Deus e a fé
de Israel se uniram para efetuar a libertação (Hebreus 11:29). "Assim,
o Senhor livrou Israel, naquele dia, da mão dos egípcios" (Êxodo
14:30).
A graça de Deus em Cristo provê o único remédio para o pecado. O
evangelho de sua graça é "o poder de Deus para a salvação de todo
aquele que crê" (Romanos 1:16). A graça de Deus operou desde a
eternidade para traçar aquele plano de salvação (Efésios 3:10-11).
Trabalhou "no passado" para desvendar aquele plano pela voz dos
profetas. Trabalhou "na plenitude dos tempos" para concretizar o
plano pela morte, sepultamento, ressurreição, ascensão e coroação de
Cristo. E opera em nossos dias para perdoar os pecados do homem em
resposta a uma fé obediente.
No entanto, a graça maravilhosa de Deus, que salva os pecadores, não elimina
as condições desse perdão, assim como a graça maravilhosa ao salvar os
israelitas não eliminou as condições de marcharem confiantes pelo mar
Vermelho. Mas quais são as condições do perdão? Ao dar a Grande
Comissão, Jesus disse: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho
a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não
crer será condenado" (Marcos 16:15-16). A pessoa que não tem fé
suficiente para ser batizada não tem fé suficiente para ser salva pela graça
por meio da fé. O fato de que o arrependimento é essencial para o perdão
do pecador foi mostrado claramente por Cristo em Lucas 24:46-47, e Pedro em Atos
2:38.
"É no reino da graça, bem como no reino da natureza. O céu fornece
o pão, a água, os frutos, as flores; mas devemos colhê-los e desfrutá-los.
E, se não há nenhum mérito em comer o pão que o céu enviou para a nossa
vida física e o nosso bem-estar, tampouco há mérito em comer o pão da vida,
que desceu do céu para a nossa vida e para o nosso consolo espirituais.
Mesmo assim, é verdade que tanto na graça, como na natureza, quem come não
morrerá. Portanto, há condições para desfrutar, embora não haja condições
de mérito, quer na natureza, quer na graça" (Alexander Campbell).
- por Earl Kimbrough
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