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O Sacerdócio
O propósito eterno de Deus exigiu que
ele canalizasse toda a humanidade para Jesus Cristo S "Para em todas as
cousas [Cristo] ter a primazia" (Colossenses 1:18). Por um lado,
a lei foi designada para convencer o homem do pecado e mostrar-lhe a necessidade
de eliminar o seu pecado, porém essa lei foi divinamente projetada para não
conseguir providenciar tudo o que o homem realmente necessitava. A
sabedoria de Deus sabia que isso faria o homem ansiar por um sistema melhor.
Debaixo da lei mosaica, o povo ficava distanciado de Deus pelos sacerdotes, os
quais ficavam entre Deus e o homem. O sacerdote era um mediador que
ensinava a lei, mas principalmente oficiava os cultos religiosos dos israelitas.
Os sacerdotes só podiam vir da tribo de Levi. No entanto, o simples fato
de alguém ser levita não fazia dele um sacerdote. Para atuar como
sacerdote, era necessário o chamado de Deus. "Ninguém, pois,
toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu
com Arão" (Hebreus 5:4). Então, ser sacerdote era uma honra
especial, e os que desempenhavam essa função eram diretamente chamados por
Deus. Embora os demais levitas desempenhassem trabalhos importantes na
vida religiosa de Israel, não eram sacerdotes.
Em segundo lugar, os sacerdotes da ordem levítica eram consagrados ou separados
por Deus para esse trabalho especial (Êxodo 28:1-4). Isso significa que
eram santos, não devendo ser considerados comuns. Deus até mesmo mandou
que usassem "vestes santas" quando estivessem ocupados com as funções
sacerdotais, e, antes de servirem a Deus no santuário, tinham de fazer purificação
cerimonial, ofertas, unção e aspersão do sangue.
Além disso, para que alguém fosse sacerdote, essa pessoa precisava não só
ser da tribo de Levi, ser chamada por Deus para o trabalho e ser consagrada, mas
tinha de estar isenta de deformidades físicas e de outras contaminações (veja
Levítico 21). Ainda que uma pessoa preenchesse alguns dos outros
requisitos, se fosse cega, coxa ou de algum modo deformada, não podia atuar
como sacerdote.
Então, vemos que os que eram sacerdotes no sistema do Antigo Testamento eram
especiais, santos e sem deficiências. Somente com a ordem de Deus eles
intervinham na oferta de sangue de animais sacrificados pelos pecados do povo.
Mas ainda havia uma grande deficiência no uso desses homens para oferecer
sacrifícios a favor da nação israelita (veja Hebreus 8:7-8). A deficiência
era esta: os próprios sacerdotes eram pecadores. Na verdade, eles só
podiam exercer as suas funções sacerdotais após sete dias completos de
purificação cerimonial, durante os quais a "expiação" era feita
por causa do pecado deles.
Outro sério problema era que os sacrifícios que ofereciam pelo povo não
podiam eliminar o pecado: "Porque é impossível que o sangue de
touros e de bodes remova pecados" (Hebreus 10:4). Debaixo do
sistema transitório da lei, Deus aceitava sacrifícios de animais como
substituto do único sacrifício que poderia realmente eliminar o pecado S a
vida do Filho de Deus, que não tinha pecado.
Além dessas outras deficiências, os sacrifícios tinham de ser oferecidos
repetidas vezes S "Faz-se recordação de pecados todos os anos"
(Hebreus 10:3). Ficamos perplexos quando lemos o Antigo Testamento com
detença e vemos os vários sacrifícios que tinham de ser oferecidos pelos
sacerdotes a favor de cada israelita, e a freqüência com que tinham de ser
oferecidos.
No Dia da Expiação, dois bodes eram escolhidos: um para ser morto pelo Sumo
Sacerdote e oferecido sobre o altar como oferta pelo pecado; o outro, para ser
solto no deserto ("azazel", que significa "retirada") S o
bode expiatório. Esses dois atos apontavam para um período em que os
pecados dos homens seriam realmente retirados pelo sangue do Filho de Deus que não
tinha pecado (Efésios 1:7; 1 Pedro 1:19), quando ele tomasse sobre si os nossos
pecados e morresse em nosso lugar (1 Pedro 2:24).
O sistema de sacerdócio do Antigo Testamento era apenas um tipo do futuro.
Havia de chegar o tempo em que todo o povo de Deus seria "sacerdócio
santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por
intermédio de Jesus Cristo" (1 Pedro 2:5). Nesse dia vindouro,
em direção do qual toda a humanidade se dirigia, o Sumo Sacerdote perfeito,
que haveria de vir, não teria de oferecer um sacrifício a seu próprio favor,
pois ele não tinha pecado algum (Hebreus 9:14); jamais teria de repetir a
oferta, pois só precisava ser oferecida uma vez (Hebreus 9:25-26, 28; 10:12); e
ele derramaria o sangue do único Cordeiro que poderia verdadeiramente tirar
"o pecado do mundo" (João 1:29; Hebreus 9:12).
Louvemos a Deus pelo fato de que "nos constituiu reino, sacerdotes"
(Apocalipse 1:5) e que "a lei constitui sumos sacerdotes a homens
sujeitos à fraqueza, mas a palavra do juramento, que foi posterior à lei,
constitui o Filho, perfeito para sempre" (Hebreus 7:28). Na
verdade, o sacerdócio do Antigo Testamento clamava por algo melhor; e, no propósito
eterno de Deus, o sacerdócio melhor estava por vir. Somos eternamente
gratos que "possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do
trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo
que o Senhor erigiu, não o homem" (Hebreus 8:1-2).
- por Brent Lewis
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