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Num Monte na
Galiléia
Não é por nenhuma coincidência que
Jesus é chamado o "Verbo". Ele é o meio pelo qual Deus
manifesta para nós a sua mente. Na verdade, Jesus é a exata representação
do próprio Deus. Em seus atos ele dá o exemplo de como Deus age, e em
seus ensinos ele mostra como Deus pensa. Ouvir Jesus pregar é escutar o
Criador do universo. Os sermões e as declarações de Jesus estão
repletos do caráter do Pai S e no Sermão do Monte, como em nenhum outro lugar,
temos uma revelação maior da mente de Deus. Essa é a própria essência da
verdade de Deus sobre o seu reino. Por meio de palavras sempre relevantes,
proferidas há séculos num monte na Galiléia, o Verbo encarnado manifestou o
reino do céu entre os homens.
O fato de conhecermos muito bem o Sermão do Monte torna difícil avaliarmos a
magnitude e o poder de sua sabedoria. Os ouvidos acostumados a escutá-lo
mal podem ouvir esse tremendo discurso como ele foi primeiramente recebido pelos
seus ouvintes. Mas, na verdade, não há nada como esse sermão.
Certamente, é lindo. Mas, mais que isso, é profundo. Sua
profundidade é mais que um desafio para os mais sábios. E, ainda assim,
há nele, ao mesmo tempo, uma simplicidade que está dentro do alcance de uma
criança. A mensagem em si é radical, até revolucionária, mas a reforma
social e política não é o que ela tem por objetivo. A influência para
mudar o mundo se volta para o caráter interior do homem que entrou na comunhão
com Deus.
Essa mensagem entregue por Jesus num monte da Galiléia mostra que ele é o
Mestre, o Professor. É o próprio padrão de comunicação eficaz.
Prendendo a nossa atenção contrariando ousadamente a sabedoria do mundo, o
Sermão do Monte é pungente e cheio de paradoxos. Toma-nos de surpresa e nos
obriga a questionar nossas idéias e atitudes. Desafia os nossos conceitos até
a raiz, mas o faz utilizando vívidas metáforas extraídas do dia-a-dia.
De toda maneira, o Sermão do Monte demonstra a verdade da afirmação de Jesus
de que falava as palavras que seu Pai lhe deu. Como deve ter sido
emocionante quando pregado pela primeira vez!
O discurso de Jesus relacionava-se com o reino de Deus. Na verdade,
representa o estatuto desse reino. A natureza espiritual do reinado de
Deus e o caráter dos que se submetem a ele são os temas centrais desse sermão.
O destaque de início ao fim é que a verdadeira justiça e a verdadeira religião
procedem do coração. A mente dedicada a Deus é a fonte da vida
espiritual. Na avaliação de Deus, contam muito os motivos. A justiça
própria legalista e a observância externa e mecânica não bastam para agradar
a Deus. Antes, é o que busca com humildade, cheio da consciência do próprio
vazio diante de Deus, que receberá o dom da salvação de Deus. É a
pessoa sincera e obediente, agindo com o coração cheio de amor sem egoísmo
para com Deus e para com o próximo, que adorará de uma maneira que agrada aos
Senhor.
Jesus nos ensina que Deus leva em conta quem somos, bem como o que fazemos.
Não basta evitar atos físicos como matar e adulterar S a nossa mente tem que
ser dedicada ao maior bem dos nossos colegas, chegando até ao ponto de amar os
nossos inimigos. Os nossos atos de devoção a Deus devem ultrapassar os
rituais realizados visando a uma boa reputação. O orgulho egoísta tem
que ser destruído para que Deus seja honrado. Devemos realmente amar a
Deus e nele confiar, até mesmo chegando a dar-lhe prioridade acima dos nossos
desejos e necessidades materiais. A ganância e a preocupação traem a
mente que não está verdadeiramente posta em Deus. O mundanismo é tão
ruim quanto a idolatria, e não encontra lugar no reino de Deus. Deus pode
ser encontrado e pode ser servido. Mas somente por aqueles que têm um
coração completamente dedicado ao Pai.
Os valores que encontramos no Sermão do Monte são exatamente a antítese dos
ideiais do homem rebelde contra o Criador. Fora de Jesus Cristo, levado
por uma mente obstinada, jamais se consegue pôr em prática os princípios do
Sermão. Não são sugestões que podem ser acatadas gradativamente pela
pessoa mundana que está tentando melhorar a si. Temos aqui mais do que o
elevado conselho, embora sábio, de um grande professor de moral. Antes,
temos a declaração do próprio Deus a respeito do caráter dos que entregaram
coração e vida para sua soberania. Recusando-se a se entregar, alguém
acharia que o Sermão tem pouco valor.
Somos informados de que, quando Jesus acabou de falar, "estavam as
multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem
autoridade e não como os escribas" (Mateus 7:28-29). Quando o
Verbo se fez carne, ele foi capaz de falar com uma autoridade que nenhum mestre
mortal poderia atingir. Suas palavras tinham a qualidade serena e sólida
da verdade eterna. Talvez não haja testemunho mais eloqüente da
divindade de Jesus do que as palavras que seu Pai lhe deu para falar. Os
que, em obediência ao evangelho, aceitaram a cidadania no reino do céu ouvirão
atentamente o Sermão do Monte. E não só ouvirão. Farão
de coração o que ouvirem. Pois Jesus disse: "E todo aquele
que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem
insensato que edificou a sua casa sobre a areia" (Mateus 7:26).
Se tivermos ouvidos, que possamos ouvir de verdade!
- por Gary Henry
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