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Num Monte Fora de Jerusalém

"Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer" (João 12:31-33).

Sempre nos atraímos por cenas de humilhação, de vergonha e de horror, sobretudo quando associadas à morte. Há, na morte, medo e fascínio, repulsa e atração. Não queremos pensar a respeito, mas acabamos pensando. Não queremos olhar, mas os nossos olhos se voltam intencionalmente.

Lembro-me da primeira vez em que o fascínio horripilante da morte entrou na minha vida para ficar. Eu era jovem, e as cenas da guerra na Coréia, passadas pela televisão, estavam na nossa sala de estar; cenas a tantos quilômetros de distância, mas ao mesmo tempo tão próximas. Perguntei-me se logo não estaria eu mesmo participando daquilo S o que me preocupou. E depois, a apenas alguns quarteirões de distância, um homem foi esmagado num acidente de carro. Ouvimos as sirenes, vimos as viaturas de polícia e corremos para ver o que ocorria. Rapidamente voltei e comecei a chorar escondido, refletindo sobre o ocorrido. Nunca me esquecerei daquele lugar. Os acontecimentos deixaram de ser incomuns agora, mas o significado é eterno.

No caminho que dava para Jerusalém, três homens morriam certo dia. O lugar se chamava Gólgota, o lugar da caveira (João 19:17-18), assim conhecido por causa do propósito para que era utilizado e em virtude de seu formato, "como um monte ou colina, à semelhança de uma caveira, careca e arredondada" (Zondervan Pictorial Bible Dictionary, p. 317). O que atraiu as multidões para lá aquele dia? O que é que continua a nos atrair para lá hoje?
Alguns foram atraídos pelo fascínio universal que a morte, ou mesmo o macabro, exercem. O Gólgota ficava perto da cidade e atraía a multidão (João 19:20; Lucas 23:27) para presenciar a morte do Jesus controvertido, que há apenas poucos dias tinha entrado em Jerusalém com grande popularidade (João 12:19).

Outros dentre a multidão, principais sacerdotes, escribas e anciãos foram atraídos para o acontecimento movidos por um sentimento de vingança e pelo sabor da vitória. Eles estavam travando uma luta mortal com o seu inimigo, Jesus, e essa seria a vitória máxima. Eles gabavam-se de seu sucesso caçoando dele e o provocando, dizendo que descesse da cruz e se salvasse. Beberam o sangue de sua vitória até a última gota, e lhes era agradável ao paladar (Mateus 27:39-43). O inferno regozijou-se.

Havia, também, os simpatizantes e defensores. A compaixão e a tristeza que sentiam os atraíram à cruz. As mulheres de Jerusalém, aos prantos, seguiam um Jesus ensangüentado e ferido em sua luta por conduzir a própria cruz (Lucas 23:27). Seu discípulo João, junto com a mãe de Jesus e as demais mulheres, estavam presentes para chorar (João 19:25; Mateus 27:55-56). Estou certo de que o desejo deles era ajudar, mas naquele momento tudo o que podiam fazer era honrá-lo lamentando a sua morte.

Por que ainda nos sentimos atraídos ao Gólgota? Será simplesmente pelas mesmas razões que eles? Ou será que podemos enxergar mais do que isso? Sem dúvida ali havia morte, e "morte de cruz" (Filipenses 2:8), com toda a agonia que lhe acompanha. Mas será que o seu maior significado se encontra nos horrendos detalhes físicos? Em caso afirmativo, há três vítimas iguais diante de nós, e os repórteres S Mateus, Marcos, Lucas e João S não contaram a história bem porque não deram quase nenhuma atenção aos outros dois.

O horror da morte de Jesus ultrapassa o sofrimento físico. Em virtude de quem era, do porquê estava ali e daquilo em que se tornou, o sofrimento de Jesus era inigualável. Ele era Deus. Era Deus sofrendo a morte num corpo ensangüentado. Que humilhação! Mas por quê? Por causa de nossos pecados, por causa de todos nós S tanto aqueles que o mataram como nós que recusamos a obedecer-lhe. À semelhança do animal do Velho Testamento, o qual simbolicamente assumia os pecados do povo e era, em decorrência disso, queimado fora do acampamento para evitar a contaminação, Jesus sofreu num monte localizado fora de Jerusalém (Hebreus 13:11-12). Mesmo "ferido de Deus", o "Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos" (Isaías 53:4,6). "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós" (2 Coríntios 5:21). Ele, que não tinha pecado, morreu como um pecador. Mal posso imaginar que alguém tão perfeito tenha passado por tanto sofrimento e horror.

Também nos atraímos pela cruz por causa da justificação e da vitória. Diferente dos judeus e de Satanás, os quais venceram a batalha mas perderam a guerra, Cristo fez uso da aparente derrota para realizar a verdadeira justificação e a vitória. Todas as tropas do inferno foram arremetidas contra ele, mas ele saiu vitorioso. O pior de Satanás se transformou numa oportunidade para que o Senhor conseguisse o seu melhor. O pecado foi punido. A justiça do pai foi comprovada. Todos os pecadores podiam ser livres agora, para não mais serem escravos do pecado por causa do medo de morrer (Hebreus 2:14-15). O príncipe deste mundo foi expulso, e o Pai se revelou tanto justo, como justificador (Romanos 3:26). Por haver morrido, podemos agora viver.

Como os que foram chorar a sua morte, nós também nos atraímos pelo seu sofrimento. Mas o nosso pranto se transformou em alegria. Lembrar dele é motivo de festa. Graças a Deus, nenhum sepulcro o segura. Somos atraídos àquele monte porque podemos partir, não batendo no peito como eles fizeram (Lucas 23:48), mas entoando o cântico de Moisés e do Cordeiro.

- por John M. Kilgore


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