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"E o Verbo
se Fez Carne"
As três primeiras conversões ao evangelho
que testemunhamos após chegarmos em Missouri, há dez anos, foram o resultado
de um estudo ministrado em nossa casa sobre a vida de Cristo. Não era a
primeira vez que percebia que a história tinha poder, mas, dessa vez, os meus
olhos ficaram mais abertos. Nos meus esforços na pregação, foi muito
tarde que percebi que a mensagem pregada por Mateus, Marcos, Lucas e João não
era apenas importante no trabalho de alcançar o perdido, mas era essencial e
central.
Toda a Escritura é a palavra de Deus, a revelação da sua vontade, mas jamais
a natureza e a mente de Deus tinham sido mais plena e poderosamente reveladas do
que quando o Filho de Deus se revestiu de carne humana e habitou entre nós.
A Verdade de Deus se fez carne na frágil vulnerabilidade e mortalidade do corpo
de Jesus de Nazaré. Na encarnação de Jesus, como em nenhuma outra
revelação, vemos o Servo-Deus amoroso, santo e em agonia, o qual se esforça
para alcançar-nos. É o quanto basta para quebrantar o coração
obstinado de qualquer pecador.
Talvez as palavras de Atos e das epístolas tenham tido tão pouco impacto em
nossas mãos para convencer o coração dos pecadores porque não fizemos um bom
trabalho para fazê-los conhecer aquele que se acha atrás de cada palavra dos
"escritos sagrados". Certamente há muito mais no "pregar
Jesus, o Cristo" (Atos 5:42; 8:35; 11:20) do que apenas contar a história
de sua vinda ao mundo em carne humana, mas é por onde tem que começar.
Foi o próprio Senhor que disse: "E eu, quando for levantado da
terra, atrairei todos a mim mesmo" (João 12:32). A história da
cruz, com todos os acontecimentos que conduziram a ela, é o ponto principal da
mensagem cristã. Não podemos negligenciá-la nem deixar a outros a
tarefa de contá-la. Devemos conhecer a história para completar nossa própria
vida espiritual, e devemos ter condições de contá-la àqueles que jamais a
ouviram.
Uma coisa tem me impressionado profundamente em meu estudo sobre a vida de
Cristo: que a semente de cada verdade proferida nas epístolas se encontra
de modo poderoso nos Evangelhos. A conduta e os valores fundamentais são
ensinados ali, na carne e no sangue do Filho de Deus, preparando o coração
para receber a instrução detalhada e prática, nos demais escritos do Novo
Testamento, para a vida pessoal e na igreja. A vida de Cristo não é um
sentimentalismo débil que deve ser reservado até que se tenha tratado de questões
mais práticas. É, antes, a força motivadora e o fundamento de cada
preceito bíblico. Quando a nossa pregação é desamarrada da história
do Deus que se fez carne, ela sempre perderá a força. Há quem tema que
o muito tempo gasto nos evangelhos pode fazer da fé comprometida e informada um
sentimentalismo sem convicções. Pelo contrário: é o pouco tempo gasto
com os evangelhos que nos faz perder a própria admiração reverencial e o amor
que fazem de cada palavra das Escrituras a palavra do Filh de Deus, uma palavra
para ser entendida e obedecida. É vindo a conhecer o Cristo da palavra
que a palavra de Cristo se torna um poder transformador.
Essa edição da revista foi preparada não para desviá-lo do estudo aplicado e
contínuo de todo o escrito divino, mas para lembrá-lo do caráter central de
Cristo e da importância vital para a conversão dos perdidos e para a
transformação dos salvos. Gratos aos homens dedicados que tão bem
escreveram sobre este assunto, convidamo-lo a ler os artigos que seguem. Têm
por objetivo apenas ajudar em algumas coisas, mas não são exaustivos.
Esperamos que façam você cheirar o suor e sentir a angústia de nosso Amigo e
Irmão, que veio a nós quando não queríamos ir a ele e nem podíamos.
Esperamos ainda que os artigos o encham do desejo de conhecer melhor a história
e contá-la com mais eficácia. "E o Verbo se fez carne e habitou entre
nós, cheio de graça e de verdade, e vimos sua glória, glória como do unigênito
do Pai" (João 1:14).
- por Paul Earnhart
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