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O livro de Hebreus (3)

O Filho e seus irmãos (Hebreus 2:5 - 3:6)

O Filho que falou é muito superior aos anjos. Mas nós somos menores que os anjos. Então, Jesus fica tão longe de nós que parece impossível ter um relacionamento com ele. Nós não temos a capacidade para subir, por força própria, até o nível exaltado do Filho de Deus. É exatamente por este motivo que ele fez uma coisa maravilhosa. Ele desceu até o nosso nível, foi feito menor que os anjos, para nos receber como irmãos!

Jesus feito menor que os anjos (2:5-9)

Deus deu para os homens alguns privilégios que não foram reservados para os anjos. Ao mesmo tempo, o homem é subordinado aos anjos. E Jesus, que é superior aos anjos, se humilhou para alcançar o homem.

O “mundo que há de vir” – a relação especial dos salvos no reino eterno de Cristo – não foi sujeitado aos anjos, porque os homens são os herdeiros da salvação (2:5-7; cf. 1:14). Embora o homem seja menor que os anjos (ele cita aqui Salmo 8:4-6), Deus lhe tem dado uma posição de honra e um tratamento especial. 

As referências neste artigo que não incluem o nome do livro são de Hebreus.

Deus se preocupa com os homens! Ele criou o homem para dominar as outras criaturas terrestres (2:8; cf. Salmo 8:6-8). Mas, o homem pecou e Deus levantou a própria natureza contra ele, dificultando a sua vida, seu trabalho e seu domínio (cf. Gênesis 3:16-19). Neste sentido, “ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas” (2:8). Ainda vivemos num mundo poluído e corrompido por causa do pecado do homem.

Mas vem aí a solução! “... vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem” (2:9). Jesus é superior aos anjos, mas ele foi feito menor, temporariamente, para experimentar o sofrimento e para morrer no lugar do homem pecador. Nós não subimos acima dos anjos, mas Jesus desceu e se tornou menor que os anjos para nos alcançar!

Jesus sofreu como irmão (2:10-13)

A nossa relação com Jesus como irmãos já foi mencionada, implicitamente, no capítulo 1 – ele é herdeiro (1:2) e nós herdamos a salvação (1:14). Agora, ele afirma claramente esta relação especial. Ele começa aqui com o Pai. Para conduzir muitos filhos à glória, ele aperfeiçoou o Autor da salvação por meio de sofrimentos (2:10).

Três vezes no livro de Hebreus (na ARA2), Jesus é descrito como Autor – da salvação (2:10; 5:9) e da fé (12:2). Mas estes versículos usam duas palavras gregas diferentes, mostrando dois aspectos do trabalho de Jesus. A palavra traduzida “autor” em 2:10 e 12:2 significa líder principal ou pioneiro. A palavra usada em 5:9 quer dizer causador. Jesus é a força que causa a nossa salvação (5:9) e ele nos conduz, abrindo o caminho para a comunhão com Deus (2:10; 12:2).

Por meio de sofrimentos, Jesus foi aperfeiçoado (2:10). Este versículo sugere alguma falha ou imperfeição em Jesus? Não. O sentido de ser aperfeiçoado, aqui, é de ser equipado, qualificado ou capacitado para uma determinada função, para cumprir o seu propósito. Não sugere imperfeição no sentido de erro ou falha, mas mostra que Jesus teve que passar pelo sofrimento como homem para ser capacitado como Autor da nossa salvação. Entenderemos este ponto melhor nos capítulos 4 e 5.

Jesus se identifica conosco como irmãos, porque temos o mesmo Pai (2:11). Este versículo diz que o Santificador (Jesus) e os santificados (cristãos) vêm de um só (Deus Pai). Se temos o mesmo pai, somos irmãos. Por isso, Jesus não tem vergonha de nos chamar irmãos. As citações nos versículos 12 e 13, que vêm de Salmo 22:22 e Isaías 8:17-18, reforçam esta relação especial do Messias e seus irmãos.

Jesus nos livra do poder da morte (2:14-18)

Uma vez que entendemos a relação especial entre Jesus e os homens santificados, podemos compreender melhor o quanto ele nos ama. Para se qualificar como nosso Salvador, Jesus abriu mão da sua posição exaltada no céu e participou de carne e sangue (2:14; cf. Filipenses 2:5-8). Ele morreu para destruir o diabo e seu poder, libertando os homens que viviam sujeitos à escravidão (2:14-15). Muitos hoje enfatizam demais o diabo. Ele é forte, e não devemos brincar com ele ou subestimar seu poder (1 Pedro 5:8). Por outro lado, a vitória de Jesus na cruz foi um golpe fatal para Satanás, como Deus disse para a serpente no Éden: “Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15). É um grande erro imaginar que o diabo seja mais forte do que o nosso Salvador. Paulo disse que Jesus despojou “os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Colossenses 2:15). João acrescentou: “Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (1 João 3:8). Ao invés de focalizar o diabo e seu poder, devemos acreditar no poder superior de Jesus, que “é poderoso para socorrer os que são tentados” (2:18). Jesus não somente morreu para perdoar os pecados do passado, ele vive para nos ajudar nas batalhas contra a carne hoje (cf. Romanos 5:8-11).

Quando Jesus se humilhou para viver como homem, temporariamente menor que os anjos, ele se tornou irmão para socorrer os homens, não os anjos (2:16-18). Ele tem uma relação especial com os cristãos que não tem com os anjos! Jesus entende as tentações que nós enfrentamos, porque ele enfrentou as mesmas. Jesus participou de carne e sangue. Ele participou da nossa vida terrestre, do sofrimento e da morte (2:14). Ele se tornou semelhante a nós, para que nós nos tornássemos semelhantes a ele (2:17). Veremos mais sobre o significado disso no capítulo 3.

Irmãos do Apóstolo e Sumo Sacerdote (3:1-2)

J esus chama homens de irmãos, mas para sermos irmãos dele, precisamos ser santos, separados da imundícia do pecado (3:1; cf. 2:11-12). Novamente encontramos o conceito de participação – “participais da vocação celestial” (3:1). Já observamos que Jesus participou da nossa circunstância terrestre – tentação, sofrimento e morte (2:14,18). Ele veio ao mundo e participou da nossa circunstância para que nós pudéssemos participar da vocação celestial! É interessante notar este tema de participação. Os homens salvos por Jesus participam: de Cristo (3:14), do Espírito Santo (6:4), dos sofrimentos dos santos perseguidos (10:33), da correção e disciplina dadas aos filhos de Deus (12:8) e da santidade (12:10). Resumindo, ele nos oferece o privilégio de participar da vocação celestial (3:1). Nas palavras de Pedro, “para que . . . vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo” (2 Pedro 1:4).

Jesus é o Apóstolo da nossa confissão (3:1). Esta é a única vez no Novo Testamento que a palavra “apóstolo” é aplicada a Jesus. Apóstolo significa um enviado. Jesus foi enviado por Deus para salvar os homens (João 3:16; 6:29).

Jesus é o Sumo Sacerdote (3:1). Esta posição dele é um dos principais temas do livro (cf. 2:17; 4:14-15; 5:1,5,6,10; 6:20; 7:11,15,17,21,26; 8:1,3; 9:11; 10:21). Neste papel de sumo sacerdote, Jesus nos representa diante do Pai. E ele é fiel a Deus neste papel (3:2).

A glória de Jesus na sua casa (3:2-6)

A qui o autor apresenta mais um contraste importante, mostrando que Jesus é superior a Moisés. Ele começa com uma comparação. Jesus é fiel na casa de Deus, e Moisés, também, era fiel na casa de Deus (3:2). Se os dois foram considerados fiéis, podemos concluir que são iguais e que merecem a mesma glória? Absolutamente não! Moisés era um servo na casa de outro – na casa de Deus. Mas Jesus é o herdeiro, o Filho, o chefe que estabeleceu a casa (3:3-6). Moisés era um servo de Deus, fiel na sua obediência, mas ele não chega perto da grandeza de Jesus. Este fato reforça o argumento já apresentado nos primeiros dois capítulos. A Nova Aliança é superior à Antiga!

Devemos notar o que ele diz sobre a casa de Deus – “a qual casa somos nós, se guardarmos firme, até ao fim, a ousadia e a exultação da esperança” (3:6). Nós somos a casa de Deus! Mas, esta comunhão especial com Deus depende da nossa perseverança e fidelidade. Ele usa aqui uma palavra pequena mas importante – se. Nós somos a casa de Jesus . . .

      •Se guardar firme a ousadia da esperança (3:6,14)

      •Se ouvir a voz de Deus (3:7)

      •Se não endurecer o coração (3:8-11), resistindo à tentação

      •Se não tiver coração perverso de incredulidade (3:12,19)

      •Se não for endurecido pelo engano do pecado (3:13)

      •Se ouvir e crer (4:2)

A comunhão com Deus depende da nossa fidelidade como servos na casa dele!

Conclusão

Jesus Cristo é superior aos anjos e superior a Moisés, mas ele nos chama de irmãos! Ele veio ao mundo e participou da nossa circunstância para abrir o acesso ao céu e nos tornar participantes da vocação celestial e da natureza divina. Ele não somente perdoou os nosso pecados do passado, ele vive para nos ajudar na luta contra a tentação, as provações e o pecado. Assim, ele nos livra do pavor da morte, nos dando a expectativa da vida eterna. Certamente, devemos considerar bem “o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus” (3:1).

–por Dennis Allan


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