O livro de Hebreus (2)

O Filho falou (Hebreus 1:1 - 2:4)

A mensagem merece maior atenção porque o mensageiro é superior. O argumento introduzido no primeiro capítulo e defendido de várias maneiras no resto do livro depende da primazia de Jesus Cristo. Uma vez provado que Jesus é maior do que qualquer outro mensageiro, a revelação que ele trouxe tomará seu devido lugar acima de todas as outras. Os primeiros capítulos de Hebreus mostram que Jesus é superior aos mensageiros do Velho Testamento – sejam anjos ou homens.

A posição exaltada do Filho (1:1-14)

A palavra do Filho é superior porque o próprio Filho é superior (1:1-2). No passado, Deus revelou a sua vontade por meio de mensageiros – anjos, pais, profetas – mas nos últimos dias, ele falou pelo Filho. Os “ultimos dias” mencionados aqui se referem à época da revelação do Novo Testamento, quando Deus cumpriu suas promessas e levou ao fim o sistema judaico.

A palavra traduzida “anjos” significa mensageiros ou embaixadores. Eles foram usados para revelar a vontade de Deus no Antigo Testamento (cf. Atos 7:53; Gálatas 3:19).

O autor apresenta várias características do Filho para provar sua superioridade. Ele é o Herdeiro, acima de servos (1:2; cf. 1:7; 3:5). É interessante observar que ele se identifica com os homens salvos, que se tornam herdeiros ou primogênitos de Deus (1:14; 12:23). A superioridade de Jesus se torna bem mais evidente pelo fato de ele ser o Criador do universo (1:2). Ele é a perfeita imagem do Pai (1:3), mostrando toda a plenitude de Deus (cf. Colossenses 1:19; 2:9).

A grandeza de Jesus é demonstrada não somente em quem ele é, mas em onde ele está. Depois de terminar sua missão terrestre de purificar os pecados dos homens, ele tomou seu lugar a destra do Pai (1:3). Quando ele voltou para o céu, assumiu seu lugar acima dos anjos, tendo cumprido o propósito de sua vinda ao mundo e, assim, herdando por mérito próprio seu nome superior (1:4).

O Filho é o Rei

Alguns fatos destacados no capítulo 1 mostram a posição de Jesus como Rei:

1. Ele sentou-se a direita do Pai (1:3). No primeiro capítulo, o autor já introduz uma profecia do Antigo Testamento que será usada para provar vários pontos sobre Jesus. Seria bom ler Salmo 110 agora, observando os dois temas principais desta profecia sobre o Messias: (a) a posição dele como rei (Salmo 110:1-3,5-7), e (b) a posição dele como sacerdote (110:4). No seu estudo do livro de Hebreus, fique atento aos outros versículos que citam a posição de Jesus como rei, a destra do Pai (cf. 1:13; 8:1; 10:12; 12:2).

2. Ele foi gerado pelo Pai (1:5). A citação de Salmo 2:7, sobre a geração do Messias, não fala do nascimento nem da criação dele, pois outros trechos afirmam a eternidade e divindade de Jesus. Salmo 2:7 fala da coroação de Jesus. Qualquer dúvida sobre o significado pode ser tirada observando os comentários do Novo Testamento sobre este versículo. Nunca é ligado às origens de Jesus, e sempre à exaltação dele quando, após a morte, ele foi ressuscitado e recebido pelo Pai no céu (veja Atos 13:33; Hebreus 5:5).

3. O trono dele é eterno (1:8). As citações dos versículos 8 e 9 aplicam a profecia de Salmo 45:6-7 a Jesus. O primeiro ponto é o domínio eterno dele, um fato bem estabelecido em profecias do Antigo Testamento como Daniel 2:44; 7:14,27.

4. Ele reina com perfeita justiça (1:8-9). Do mesmo Salmo vem o segundo ponto sobre seu domínio, a ênfase na perfeita justiça do reino do Filho. Por ser perfeitamente justo como rei, o Filho é exaltado pelo Pai.

O Filho é Deus

A divindade de Jesus é um dos fatos fundamentais ao fé dos cristãos. Ele é uma pessoa distinta do Pai (cf. João 5:31,32,37) e ocupa uma posição subordinada ao Pai (cf. João 14:28; 1 Coríntios 11:3). Mas Jesus é Deus. Três fatos em Hebreus capítulo 1 mostram sua divindade:

1. Ele merece adoração (1:6). Adoração pertence exclusivamente a Deus, como Jesus mesmo disse em Mateus 4:10. O fato de Jesus aceitar a adoração dos homens é prova que ele reconhecia sua própria divindade (cf. Mateus 8:2; 14:33; etc.). Aqui, o próprio Pai ordena que os anjos adorem Jesus (cf. Apocalipse 5:11-14). Todos os verdadeiros cristãos adoram Jesus como adoram o Pai (João 5:23).

2. Ele é chamado Deus (1:8). Este versículo introduz uma série de citações do Antigo Testamento que falam sobre Jesus: “mas acerca do Filho” . . . e . . . Ainda” (1:8-10). Na primeira, a palavra Deus é usada para falar de Jesus.

3. Ele é chamado Senhor (1:10-12). A terceira citação, introduzida com a palavra “Ainda” é especialmente interessante. Por inspiração divina (cf. 2 Timóteo 3:16-17), o autor usa Salmo 102:25-27 para falar sobre Jesus. Quando voltamos para Salmo 102, percebemos que é um salmo de louvor dirigido ao Senhor (veja Salmo 102:1). Quando o nome Senhor aparece no Antigo Testamento escrito assim (em maiúsculos), traduz uma forma do nome de Deus escrito em hebraico como YHWH. Este nome é traduzido nas Bíblias hoje de maneiras diferentes – Javé, Jeová, Yahweh, Senhor, etc. Desta citação, aprendemos que este nome divino não identifica somente o Pai. Jesus, também, é Deus (YHWH)! Ele certamente merece a nossa adoração!

E os anjos?

Quando ele defende o domínio e a divindade de Jesus, ele mostra a superioridade dele em relação aos anjos. Jesus herdou um nome mais excelente (1:4). Deus nunca exaltou os anjos como ele fez com Jesus (1:5). Os anjos são ministros (servos) que adoram o Filho (1:6-7). Eles são espíritos ministradores enviados para servir aqueles que herdam a salvação (1:14) – as pessoas humanas que recebem a salvação em Cristo!

Por esta razão . . . obedeça ao Filho (2:1-4)

Uma característica do livro de Hebreus são os desvios do assunto principal. O primeiro destes desvios aparece já no início do capítulo 2. O autor ainda vai falar mais sobre a relação de Jesus, os anjos e os salvos, mas ele desvia um pouco do assunto para nos alertar sobre o perigo de nos desviar do Senhor. Leia estes quatro versículos na sua Bíblia e preste atenção no argumento:

Deus exigia obediência às revelações inferiores transmitidas por mensageiros inferiores. Ele castigava as pessoas que foram desobedientes naquela época (2:2). Nós devemos ter mais cuidado, então, para não nos desviar ou negligenciar a palavra da salvação que o próprio Filho introduziu (2:1,3). Se rejeitar a palavra de Jesus, como escaparemos do julgamento de Deus?

Ele não deixa dúvida sobre esta palavra da salvação que deve ser obedecida. Trata-se do evangelho, a mensagem do Novo Testamento. Ele descreve o processo de revelação desta Nova Aliança:

  • O Senhor (Jesus) falou inicialmente (2:3). Durante seu tempo aqui na terra, Cristo disse: “Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia. Porque eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, esse me tem prescrito o que dizer e o que anunciar” (João 12:48-49).

  • Os apóstolos confirmaram a mensagem de Cristo (2:3). Depois de Jesus anunciar a sua palavra, aqueles que a ouviram confirmaram a mesma mensagem. Esta afirmação mostra que a palavra de Jesus e o ensinamento dos apóstolos são uma única mensagem. Foi assim que Jesus ordenou quando mandou que os apóstolos ensinassem os ouvintes “a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mateus 28:20). A palavra de Cristo e a palavra dos apóstolos são a mesma mensagem – o Novo Testamento a qual todos hoje estão sujeitos (Atos 17:30-31).

  • Deus deu testemunho por sinais milagrosos (2:3-4). O trabalho principal do Espírito Santo é a revelação da palavra de Deus aos homens. Jesus o chamou de “Espírito da verdade” e prometeu que ele ensinaria todas as coisas aos apóstolos (João 14:17,26). Quando ele deu novas revelações aos apóstolos e alguns outros, ele confirmou estas mensagens com sinais milagrosos: “E eles [os apóstolos], tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam” (Marcos 16:20). Deus confirmou a palavra de Paulo e Barnabé com sinais e prodígios (Atos 14:3). Paulo citou os sinais que ele operava como credenciais do apostolado (2 Coríntios 12:12). É interessante que o autor de Hebreus não falou de milagres constantes na vida dos cristãos primitivos, mas de sinais que Deus havia feito pelas mãos dos apóstolos quando revelou a palavra. O propósito dos milagres no Novo Testamento não foi atrair multidões ou enriquecer igrejas e líderes religiosos, nem foi garantir a saúde e prosperidade dos fiéis. Os milagres serviam para confirmar a palavra que estava sendo revelada. Hoje, já temos a palavra revelada “uma vez por todas” (Judas 3) e, por isso, não temos necessidade de mais confirmações.

Conclusão

Jesus Cristo é superior aos mensageiros do Antigo Testamento. Ele é o Criador e Sustentador do universo, o Rei soberano, e o Herdeiro de todas as coisas. Ele é o eterno Deus que merece a nossa obediência e adoração. Jamais devemos negligenciar a palavra que ele revelou na Nova Aliança.

–por Dennis Allan


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