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Aceitar o rosto do outro

A responsabilidade de amar o próximo como a si mesmo é descrita com a “lei régia” (Tiago 2:8). É fácil entender por que o mandamento receberia tal nomeação; de acordo com Paulo, é o “cumprimento da lei” porque não pratica mal contra o próximo (Romanos 13:10). A obrigação de amar ao próximo, na verdade, compreende todos aqueles mandamentos que regulam nosso comportamento com os outros.

Se o mandamento de amar ao próximo é fundamental, então também deve ser notado que demonstrar acepção é uma violação a este mandamento. Tiago escreveu: “Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem; se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo argüidos pela lei como transgressores” (2:8-9).

Com certeza é verdade que não tratamos todas as pessoas exatamente da mesma forma. Isso é acepção? Para responder, observe que para Deus não há acepção (Romanos 2:11), no entanto Deus não trata todas as pessoas exatamente da mesma forma. Ele abençoa algumas e castiga outras. Deus responde a várias pessoas de acordo com seu comportamento. A razão pela qual ele não é culpado de fazer acepção é que a maneira que ele trata os homens é determinada pela maneira que eles respondem ao seu padrão divino.

Acepção envolve o favorecimento de uma pessoa sobre outra sem motivos justos ou sem uma base justa. W. E. Vine sugere que a palavra traduzida “acepção” ou “respeito das pessoas” (prosopolempsia) significa literalmente “agarrar ou segurar um rosto”, isto é, uma pessoa. Denota “a falha de um que, quando responsável para dar o julgamento, tem o respeito à posição, ao cargo, à popularidade, ou às circunstâncias dos homens, em vez de suas circunstâncias intrínsecas, preferindo o rico e poderoso àqueles que não são assim” (p. 469).

Tiago afirma que aqueles que mostram a acepção se tornaram “juízes tomados de perversos pensamentos” (2:4). Na aplicação que Tiago cita, os irmãos favoreciam o homem rico sobre o homem pobre na sua assembléia, isto é, preconceito econômico. Deram atenção ao homem rico e deram-lhe o assento melhor (2:2-3). Enquanto isso não parece ser uma ação terrível, essencialmente eram culpados de “perversos pensamentos”, isto é, julgaram que o homem rico era melhor do que o pobre, baseado apenas em suas possessões, um padrão irrelevante. A riqueza em si não torna o homem nem melhor nem pior.

O preconceito racial é simplesmente outra forma de acepção – baseada na cor da pele. Uma pessoa não é melhor nem pior por causa da cor de sua pele, mas muitos determinarão seu tratamento do seu próximo baseado no “rosto”. É interessante que a justiça muitas vezes é retratada como uma mulher com os olhos tampados. O tratamento justo é assegurado porque ela não pode “ver” o “rosto” daqueles que aparecem diante dela para o julgamento.

Poucas pessoas admitirão ser culpadas de acepção, sempre dando uma “razão” pelo seu tratamento melhor de uma pessoa. Deus, entretanto, é o juiz perfeito e não é enganado pelas minhas desculpas.

–por Allen Dvorak


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